domingo, 29 de julho de 2012

Cuidado com a forma de ver dos seus olhos...

Oi meu povo!
Semana começando, mês de julho terminando e a segunda já se despedindo.
A noite de hoje não está tão bela quanto a desse domingo, mas mesmo assim deu para ver a lua crescente. Um bálsamo para os olhos e o espírito e uma ótima maneira de começar a semana.

Aos "lunáticos de plantão" informo que a lua cheia será na próxima quinta-feira, portanto, câmeras e celulares a postos para imortalizar a beleza da "minha amiga prateada". E a quem interessar possa, informo que o mês de agosto, que para muitos é de desgosto, para mim será ótimo: vai ter DUAS luas cheias, já pensou?!  =)

Mas para esta semana decidi que não serei eu a falar. Darei o espaço e a palavra ao meu caríssimo Rubem Alves. Convido você que abriu esse email a "gastar" alguns minutos para ler o texto abaixo. Acho que ele tem muito a te dizer e acredito que ao final da leitura verás que valeu a pena, apesar dele ser um pouco comprido. Ele tem a ver com a forma como estamos olhando a vida. Falando nisso, você andou visitando o "oculista" recentemente? Não?! Então, mais um motivo para ler o texto abaixo.

Bjs e boa semana.
Xanda

ARROZ COM FEIJÃO. PICADINHO DE CARNE E TOMATE
Vou escrever rude e direto. Há ocasiões em que não há tempo para delicadezas e rodeios. É muito mais tarde do que se imagina ser.

Você acha que a sua vida é uma droga, que ela não é nada daquilo com que você sonhou. Você, que torce o nariz e se recusa a comer arroz com feijão, picadinho de carne e tomate que lhe são servidos, alegando que você merece caviar e lagosta: digo-lhe que é melhor você criar juízo e comer o arroz com feijão, picadinho de carne e tomate que estão no seu prato - é comida muito gostosa, especialmente quando comida com um pouquinho de pimenta e amor.


Deixe as suas queixas para quando houver razões para elas: quando sua mulher morrer de leucemia e você ficar sozinho, quando o seu marido ficar sem trabalho e mergulhar na depressão, quando o seu filho morrer num desastre de carro, quando o médico lhe disser que você está com câncer. Não, não estou fazendo o jogo do contente da Poliana nem usando o argumento "muita gente está pior que você". O jogo do contente é um jogo de mentiras. E o jogo do "muita gente está pior do que você" não consola. A desgraça do outro não é razão para eu estar feliz. Estou simplesmente tentando chamar você à razão. O que estou dizendo é que você está infeliz não por culpa da vida mas por sua própria culpa. Não é a vida que está estragando você. É você que está estragando a vida.

Cada vez eu me impressiono com a loucura das pessoas. Que é que você diria de alguém que vai pela vida espalhando fezes por onde passa? Faz isso e depois se queixa de que a vida está fedendo. Com razão. O número de pessoas infelizes em decorrência do mal cheiro de suas próprias fezes é muito maior do que se pensa. Assim, cuidado quando você se queixar da vida. Queixas sobre a vida, frequentemente, revelam as perturbações intestinais de quem se queixa.


Meu conselho é que você examine atentamente os seus olhos, Você tem medo das pessoas que têm mau olhado, aquelas de cujos olhos flui um poder maléfico que mata tudo o que toca. Já ouvi relatos de avencas e samambaias viçosas que secaram no prazo de um dia pelo poder cáustico do olho mau.

Sobre o poder do olho mau das outras pessoas sobre a nossa vida eu nada posso dizer nem sei se acredito. Mas sei dizer e acredito no poder do nosso olho mau sobre a nossa própria vida. Arroz com feijão, picadinho de carne e tomate, vistos com olho mau, são comida de mendigo. 

Jesus, sábio conhecedor dos segredos do corpo e da alma, disse "os olhos são a lâmpada do corpo. Quando a luz dos olhos é negra o mundo todo fica mergulhado em trevas. Quando a luz dos olhos é colorida e mundo vira um arco-íris". O mundo não muda. Mudam-se os olhos com que nós o vemos. E aí as coisas mínimas viram motivo de assombro. William Blake falava sobre "ver um mundo num grão de areia e um céu numa flor silvestre". Mas os olhos maus veem ao contrário. Diante do mundo radiante eles só veem pedras e diante do céu estrelado eles só veem fezes.

Não é a sua vida que vai mal. É a sua alma.  

(...) Blake diz que "a árvore que um tolo vê não é a mesma árvore que um sábio vê". Bernardo Soares explica, dizendo que isso é assim porque "nós só vemos o que nós somos".

Aconselho que você cuide de seus olhos. Cuidado com eles! Têm uma aparência de inocência, parece que nunca são culpados de nada. O fato é que eles são capazes de coisas terríveis. É através deles que o lixo que mora em nós escorre para o mundo e o empesteia.

Traga sempre com você um colírio anti-inveja. Inveja é doença ocular, ainda não catalogada pelos oftalmologistas. Mas todos já a experimentaram. Ela se caracteriza por uma perturbação no movimento dos olhos. Pelo menos é assim que a descreveu Fernando Pessoa, que rogou aos deuses que o livrassem da "inveja que dá movimento aos olhos". Explico. Você está ali diante do prato de arroz com feijão, picadinho de carne e tomate, cheirinho de pimenta e amor! Pura delícia infantil! O corpo sorri, antegozando o prazer. Aí os seus olhos fazem um movimento lateral e veem que os seus vizinhos estão comendo caviar com lagosta. Quando os seus olhos voltam para o prato de arroz com feijão, picadinho de carne e tomate, não é mais o prato de infância que eles veem. É um prato de mendigo. E a alegria se vai.

Já é mais tarde do que você imagina. Não perca os momentos bons que a vida está lhe oferecendo, enquanto você se encontra sobre o abismo. Pode chegar um momento em que você venha a dizer: "Que pena que não comi com alegria o arroz com feijão, picadinho de carne e tomate". Mas aí será tarde demais. Lembre-se: o passado já foi. Não há o que lamentar. O futuro ainda não chegou. Não há o que gozar. A única coisa que temos é o momento. Não perca o agora!!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Você anda com morto bom ou morto ruim?!


Oi gente!
Ufa, chegamos a mais um final de semana, que delícia!!!

Resolvi passar por aqui rapidinho porque hoje (sexta-feira), quando eu estava folheando um livro que adoro do Rubem Alves na Livraria Cultura, do Recife, me deparei com um texto que veio ao encontro de algo que ando pensando esses dias. O livro chama-se "O Amor que acende a Lua" (já sabem porque gosto dele né?!) e o texto tem como título "O cemitério".

Calma!!! Nada de pânico que a leitura dele não é nada mórbida, pelo contrário.

O texto se refere aos tipos de defunto ou mortos que existem: os defuntos bons e os defuntos ruins. Importante ressaltar que ambos não têm nada a ver com o "aspecto moral do moribundo", mas sim, com a forma como eles ficam gravados em nossa memória.

Na concepção do autor os dois tipos significam o seguinte:
"Morto bom é morto que fica morto, enterrado, ou seja, não sai da cova. Vai para o outro mundo e fica por lá. Dele aqui só fica a saudade. (...) Morto ruim é morto que, uma vez morto e enterrado, se recusa a ficar na cova. Morto ruim não se conforma com o outro mundo. Quer continuar morando com os vivos. Mas como ele não está vivo, fica se esgueirando pelas sombras, andando durante a noite. São "assombrações", sombras que dão medo." (...)

Adoro metáforas bem construídas e essa foi direto ao encontro do que ando matutando.

Os mortos aos quais Rubem Alves se refere são as coisas que acontecem e que vão marcando nossa vida, nossa trajetória. Quando as situações são vivenciadas em sua totalidade e tiramos delas lições que nos ajudam a avançar, elas ficam bem resolvidas dentro de nós. Vamos lembrar de algo, de alguém, com saudade ou carinho, relembrando os bons momentos e aprendizados. Esse "morto" reaparece mas não nos causa medo, pelo contrário, vamos ficar felizes por reencontrá-lo.

Entretanto, existe defunto que por mais que a gente ache que ele tá "morto e enterrado", e que estamos livres dele, o dito cujo fica voltando para "assombrar a nossa vida". São as histórias que deixamos mal resolvidas ao longo do caminho, ou das quais fugimos com o objetivo de não sentir dor, ou que foram traumáticas para nós. São medos, culpas, recalques, carências. Em alguns, esses "defuntos" são mais mal cheirosos, pois eles fedem à mágoa, ódio, raiva, rancor e quanto mais tempo permanecem "entocados no cemitério da nossa mente", mas decompostos e "malassombrados" eles ficam. Aff ...

Esses dias eu meditava em "quantos mortos" a gente tem dentro de si e nem se apercebe.

Muitas vezes só vamos descobri-los quando eles, rebeldes e afoitos, começam a se rebelar dentro de nós e ficam querendo aparecer feito uma "assombração". Poderia comparar essa situação com aquele clip musical que fez um estrondoso sucesso na década de 80, o Thriller, do Michael Jackson (desculpa ai, mas só vai lembrar quem viveu aquela época, tá?!). De repente, um monte de "mortos-vivos" começa a sair das tumbas e a assustar a mocinha do clip.
Pois é.

Em nós esses mortos "mal sepultados" ficam ali, latentes, presentes, com cara de bem enterrados mas só esperando uma deixa para "nos assustar" também. E quando o cemitério tá com super lotação e precisando "desocupar as catacumbas para esvaziar a pressão" (tipo os cemitérios do Recife...), a gente começa a sentir os efeitos dessa necessidade: uma angustia sem explicação, um desânimo, algo que parece que tá querendo gritar dentro da gente e que não conseguimos identificar o que danado é. Uma depressão aqui, uma síndrome de pânico ali, um derrame por lá também são outras formas dos fantasmas, esses mais radicais e monstruosos, aparecerem. E, claro, vão nos causar pânico.

Pense num tal de um aperreio?!!

Algumas vezes vamos precisar de ajuda para "espantar os mortos"; em outras um bom desabafo num ombro amigo, de confiança, e que nos ajude a refletir já resolve.

Mas o importante mesmo é a gente ter consciência de que tudo aquilo que a gente não resolveu vai voltar um dia pedindo solução e ai, cumpadre e cumadre, só vai ter um jeito: encarar o fantasma!!!

No dia que a gente parar de ter medo das nossas "sombras" elas deixam de ter poder sobre nós, sobre o que somos e os nossos comportamentos. Mas, para isso, teremos que conhecê-las porque, "tudo aquilo que conhecemos deixa de nos assustar".

Portanto, se você anda com "muitos mortos assombrando" vá para o contra ataque e jogue muita luz em cima deles: a luz da coragem de conhecê-los e olhá-los, de conversar com eles, de ouvir o que eles têm a lhe dizer, a lhes ensinar. Critique-os, duvide deles, aprenda com eles. E depois de resolvidas "ambas as partes", sepulte-os em definitivo deixando-os "mortinhos da Silva"!!

E no lugar onde eles habitavam plante sementes de otimismo, de auto-amor, de coragem, de confiança; flores de alegria e de prazer. Deixe que a grama da esperança se espalhe pelo local antes mal assombrado e permita que a luz da fé e da certeza se irradie e aqueça todo o ambiente, iluminando-o, assim como o sol faz com a alvorada espantando os últimos vestígios da noite. Verás como sua vida começará a ficar bem melhor, porque você estará melhor por dentro.

Como dizia um tal de Jesus: "deixai os mortos sepultar os seus mortos".

E ai finalmente você vai poder trocar de enredo musical.
Não mais "Sentimento ilhado, morto e amordaçado volta a incomodar".
Mas sim, "Quando um pouco de bom rarear e a vida for escura e ruim. Nunca é tarde pra lembrar, o sol está dentro de mim".
Bjs e bom fim de semana.
Xanda




domingo, 15 de julho de 2012

Feliz Dia dos Homens!!

Bom dia pessoal!!
Neste domingo, 15 de julho, eu quero falar exclusivamente para meus amigos, colegas e conhecidos que nasceram sob o gênero masculino nesta existência. Porque hoje é o DIA DO HOMEM!!

Pois é. 
Há alguns anos já abordei o assunto nos meus emails semanais quando descobri pela primeira vez a data. Hoje fui pesquisar a sua origem. Esse dia foi instituído em 1999, pelo Dr. Jerome Teelucksingh, de Trinidad e Tobago, com o apoio das Organizações das Nações Unidas  - ONU. Internacionalmente o Dia do Homem é celebrado em 43 países no dia 19 de novembro. No Brasil, instituiu-se o 15 de julho. O objetivo do Dr. Jerome foi utilizar esse dia como uma oportunidade para se falar e melhorar a saúde desta camada da população, aproximar os gêneros e destacar o papel positivo dos homens. (tá vendo, Xandinha também é cultura!!)

Achei muito interessante a simbologia desse dia e vejo nele a preocupação da ONU em levar a humanidade a algumas reflexões importantes sobre o papel do homem consigo mesmo e com o mundo que o cerca.

No que tange à saúde essa é uma preocupação justa. Estatisticamente os homens sempre viveram menos do que as mulheres, seja por doenças físicas, seja por "morrerem de morte matada". Ao se estudar a história da humanidade, nos assusta ver a capacidade que esse homem "criado a imagem e semelhança de Deus" tem de destruir a si mesmo e à obra da qual ele é co-partícipe. As inúmeras guerras travadas em nome da Divindade, pelo egoismo e cobiça do poder, ou as mortes geradas pela vingança desmedida, pelo simples prazer de matar nos faz questionar se, realmente, podemos chamar os seres humanos de "seres racionais e inteligentes". Particularmente não vejo inteligência em matar por diversão ou de destruir pelo simples prazer de matar, mas pode existir quem pense diferente de mim. Paciência.

Outra forma de se destruir a saúde dos homens ao longo do tempo, refere-se aos sentimentos e emoções internas que têm sido a praxe do gênero masculino. Slogans do tipo: "homem não chora", "homem tem que ser forte, não pode ter medo", "sensibilidade é coisa de mulher, não para homem", "se chegar apanhado em casa, apanha duas vezes" são alguns exemplos das "condutas emocionais" que deveriam ser adotadas pela categoria. E com isso, os espíritos que têm reencarnado num corpo masculino têm sido bloqueados naquilo que é o ponto mais sagrado do ser: o SENTIR. Daí ter-se as angustias não faladas, os medos não expressados, as raivas e mágoas não trabalhadas, o orgulho e o egoismo exarcebados gerando a destruição das células sadias do corpo. Não é de se admirar tantos homens com câncer, hipertensos, vítimas de AVC e que ficam imobilizados em cima de uma cama anos a fio, imóveis ou semi paralisados sendo convidados pela vida a pensar em si mesmo. É, quando a gente não para, a vida vem e nos faz parar. E, principalmente, portadores da principal doença: não saber expressar seus sentimentos.

Gostei do outro objetivo da data, essa coisa de "aproximar os gêneros". Nada mais justo que os homens tenham o seu dia para refletir sobre o que é, verdadeiramente, SER HOMEM nos dias de hoje. Quando o esforço braçal diminui cada vez mais graças à tecnologia, quando as contas de casa começam a ser compartilhadas com as mulheres, quando estas também possuem a liberdade de ir e vir e de decidir o querem para suas vidas pessoais e profissionais, o que sobrou para o homem?? Algo muito importante e que até hoje poucos souberam ser: PARCEIROS.

Sim, parceria é a palavra de ordem nos relacionamentos. Homens e mulheres sendo parceiros, cúmplices, na construção de um mundo melhor para eles e para os que os cercam. Cúmplices e parceiros no crescimento pessoal, na melhoria dos sentimentos que possuem, no apoio mútuo nas horas de dificuldades pessoais e materiais, na busca do auto-aprimoramento. Não mais o ditador, o que impõe, o que amedronta. Não mais o agressor, o punidor. Mas, sim, o amigo, o companheiro, o amante, o marido que dá apoio, segurança, coragem, que gera desafios estimuladores à companheira de vida escolhida. O amigo e parceiro de trabalho onde juntos, homens e mulheres, quebram barreiras e vencem desafios. Um homem que não tem medo de dizer que errou, de que não sabe tudo, que está com medo, que precisa de apoio e o deseja encontrar em quem está do lado. Que constrói com os filhos uma relação participativa e de troca, e não mais apenas o mantenedor da casa e cobrador de resultados.

Alguns devem estar pensando ao ler essa minhas palavras: isso não é um homem, é um "maricas". Algumas mulheres talvez pensem: "eu não quero um homem fraco desses do meu lado". Que pena, né? São pessoas que endureceram o coração, o sentimento, alicerçando em si a descrença no outro. Lamento vê mulheres que desprezam "homens cavalheiros" e homens que acham que mulheres são "todas iguais e se baseiam pelo cartão de crédito e conta bancária dele". Isso foi construção deles mesmos ao longo das eras, pelo distanciamento que construíram dos sentimentos alheios. Hoje a sociedade paga um preço alto por isso.

Mas como não faço a linha do discurso que diz que "todo homem não presta", acredito sim que tem gente que vale a pena conhecer e se investir. Graças a Deus!!! E para os homens que acham que as mulheres de hoje não gostam mais de "homens gentis" informo que há sim, espécimes do gênero feminino que adoram abrir de portas de carro, puxar de cadeiras para sentar, pegar na mão para descer uma escada, receber um elogio, um cartão, flores, olhares carinhosos e gente que compartilha com elas suas angustias e conquistas, "sem medo de ser feliz". Faz jantar especial surpresa e adora ouvir música!!!

Nossa sociedade de hoje está precisando de homens e mulheres com coragem!! Coragem de ser verdadeiros, honestos, éticos, sensíveis à dor e sofrimento do outro, carinhosos e afetuosos. Pessoas que sejam mais saudáveis, menos fúteis, menos vulgares. Pessoas que façam a diferença nesse mundo pelo que são e não pelo que tem. 

Nesse Dia Brasileiro dos Homens eu desejo, sinceramente, a todos os homens que conheço que vocês sejam pessoas melhores a cada dia. E que bom que vocês existem!!!!! 

Até porque esse mundo seria bem sem graça se só houvesse um tipo de gente, né? Já pensou???
Portanto, queridos, FELIZ DIA DOS HOMENS para vocês.
Xanda

O DIVINO
Nobre seja o homem, 
Caridoso e bom! 
Pois isso apenas 
É que o distingue 
De todos os seres 
Que conhecemos. 

Glória aos incógnitos 
Mais altos seres 
Que pressentimos! 
Que o homem se lhes iguale! 
Seu exemplo nos ensine 
A crer naqueles! 

Pois insensível 
É a natureza: 
O sol 'spalha luz 
Sobre maus e bons, 
E ao criminoso 
Brilham como ao santo 
A lua e as 'strelas. 

Vento e torrentes, 
Trovão e saraiva 
Rugem seu caminho 
E agarram, 
Velozes passando, 
Um após outro. 

Tal a sorte às cegas 
Lança mãos à turba 
E agarra os cabelos 
Do menino inocente 
Ou a fronte calva 
Do velho culpado. 

Por eternas leis, 
Grandes e de bronze, 
Temos todos nós 
De fechar os círculos 
Da nossa existência. 

Mas somente o homem 
Pode o impossível: 
Só ele distingue, 
Escolhe e julga; 
E pode ao instante 
Dar duração. 

Só ele é que pode 
Premiar o bom, 
Castigar o mau, 
Curar e salvar, 
Unir com proveito 
Tudo o que erra e divaga. 

E nós veneramos 
Os Imortais 
Como se homens fossem, 
Em grande fizessem 
O que em pequeno o melhor de nós 
Faz ou deseja. 

Que o homem nobre 
Seja caridoso e bom! 
Incansável crie 
O útil, o justo, 
E nos seja exemplo 
Dos Seres pressentidos. 

Johann Wolfgang von Goethe, in "Poemas" 
Tradução de Paulo Quintela
www.citador.pt

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Debaixo do céu há tempo para tudo ...

Oi gente!
Semana chegando ao fim e graças a Deus mais um final de semana pra gente relaxar e, porque não dizer, pensar.


Cada vez mais me convenço de que o grande desafio da vida é aprender a viver.
Isso mesmo. 
Viver é uma coisa até simples, mas como nós seres humanos achamos de complicar, então fica complicado. 


Acho que o nosso maior desafio é entender o tempo. 
O tempo tem o tempo dele, pronto e acabou-se!!
Não adianta querer apressar as coisas, não adianta desejar modificar algumas coisas na hora que se quer porque tudo, absolutamente tudo, só acontece quando tem que acontecer.


Acho que a sabedoria é isso: entender o ritmo do tempo e não tentar brigar com ele. Andar, caminhar, fazer a parte que lhe cabe nas coisas mas, saber que tudo só vai acontecer (se acontecer!) no tempo certo.


Algumas coisas na nossa vida são como a fruta.
Ela precisa ser colhida no tempo certo, caso contrário não presta. Vai ficar amarga, travosa, pode até fazer mal. Assim são certas situações em nossa existência.


Por isso, para esse final de semana, deixo esse texto do Eclesiastes que ficou me martelando na noite desta quinta-feira na cabeça.


E se você tá naquela de "preciso correr contra o tempo", um conselho: não corra contra. Se una ao tempo e ande ao lado dele. Ganharão os dois!  ;)
Bjs meu povo e bom final de semana.
Xanda


Debaixo do céu há momento para tudo,
e tempo certo para cada coisa:
Tempo de nascer e tempo de morrer;
Tempo de plantar e tempo de colher a planta;
Tempo de matar e tempo de sarar;
Tempo de destruir e tempo de construir;
Tempo de chorar e tempo de rir;
Tempo de gemer e tempo de dançar;
Tempo de atirar pedras e tempo de ajuntá-las;
Tempo de abraçar e tempo de se separar;
Tempo de buscar e tempo de perder;
Tempo de guardar e tempo de jogar fora;
Tempo de rasgar e tempo de costurar;
Tempo de calar e tempo de falar;
Tempo de amar e tempo de odiar;
Tempo de guerra e tempo de paz.
(Eclesiastes, 3: 1-8)


domingo, 8 de julho de 2012

Vendo a chuva da porta da minha varanda ...


Acordar num domingo com chuva, para mim, é a mesma coisa que tirar "na mega sena acumulada". Acho que domingo e chuva de manhã tem tudo a ver. Me dá uma sensação gostosa de paz, de calma, de que hoje é um dia para se acalmar o ritmo e relaxar.

Ver a chuva caindo pela porta da varanda e sentir o cheiro da terra molhada é outro prazer imenso. Pena que poucas pessoas param para observar a magia desse momento. Principalmente quando ela cai como agora, fininha, suave, com cara de "água de mangueira que está molhando o jardim". É uma sensação muito gostosa a de ver a terra sendo banhada, irrigada pela própria natureza, para poder em breve florescer de novo.

É verdade que algumas vezes a chuva vem de uma forma mais intensa, as vezes violenta, que nós humanos chamamos de "temporal" ou "dilúvio". Ela sai arrastando tudo, levando o que encontra pela frente, destruindo construções aparentemente fortes, seguras, e também aquelas que ilusoriamente pareciam ser fortes. Inunda ruas, casas, derruba morros. Enfim, gera o caos.

Mas o que parece o caos normalmente é o alerta da "Mãe Terra" ao próprio homem informando-o de que é preciso recomeçar. Por isso, vejo as tempestades da natureza da mesma forma como as tempestades que, vez por outra, assolam as nossas vidas. 

Algumas vezes a chuva bate de mansinho, com o intuito apenas de irrigar a terra ressecada dos nossos corações para que se possa brotar aquilo que tá sem forças para sair. Em outras, não. Faz-se necessário que uma tempestade desabe, que a gente se sinta meio como o navegante que saiu com o barco em alto mar e se deparou com uma imensa borrasca, onde as ondas gigantes parecem que vão virar nossa embarcação, destruí-la. Onde os ventos velozes nos sacodem de um lado para o outro, como se dissessem para nós "acorda, criatura!!!". Onde os raios cruzam os céus sobre as nossas cabeças como se tivessem a intenção de nos acertar e "nos rachar ao meio". 

No barco à deriva nos vemos na iminência da morte e queremos de todo jeito nos apegar à vida. E isso me faz lembrar quantas vezes a vida nos dá esses "baculejos" no meio do oceano, que é a nossa caminhada terrestre, desejando que a gente largue velhos comportamentos, velhos erros que muito nos têm feito mal, ilusões que construímos acerca do que nos rodeia e sobre nós mesmos?! Unicamente com o objetivo de nos fazer acordar, de renovar nosso olhar, nossos caminhos, nossas decisões?

Vejo-nos diante de decisões que precisam ser tomadas, de auto-encontros que precisam ser realizados e dos quais temos medo e fugimos, como o homem que quer porque quer ter o controle do barco e se agarrar a ele mesmo no meio da confusão. O vento sopra forte, mas ele insiste em manter a vela aberta. As ondas são intensas e sacolejam o barco para lá e pra cá, mas ele quer manter as mãos no timão e definir a rota pra onde vai brigando com elas. 

Quando na verdade o bom marinheiro sabe que diante de um dilúvio em alto mar, quando estamos num barco pequeno, sem grandes recursos tecnológicos, a única coisa que nos cabe é tentar nos proteger, fazer o possível para que a embarcação não "venha a pique" e esperar que a força da natureza se acalme.

Em nossas vidas há momentos assim.
Em que precisamos apenas nos proteger para esperar a força da ventania acalmar, mantendo a fé, a confiança, e tomando as medidas necessárias para que "o barco não afunde". 

Mas, depois de toda tempestade vem a bonança, ou seja, a calmaria.
O sol volta a brilhar, o vento passa a ser uma brisa, a terra antes encharcada começa a secar.
E nesse secar, o solo começa a se cobrir novamente de plantas, de flores, de grama, de capim, de vida.
Os animais saem da toca. O mundo volta a ficar colorido.

Entretanto é preciso trabalhar. 
É hora de retirar a lama da enxurrada, de recolher entulhos que ficaram no meio do caminho, de reconstruir casas e ruas. É hora de pavimentar novas rotas. Algumas vezes mudar de lugar, procurar um outro local mais seguro, longe das águas dos rios que transbordam.
Assim, pelo menos, faz o homem sábio.
É hora de recomeçar.

Porém, algumas pessoas mesmo depois da tempestade preferem ficar onde estão e como são. Não mudam nem de lugar, nem na sua maneira de ser, nem buscam construir uma casa mais firme e segura para morar.

Para estas, a tempestade nada significou porque nada aprenderam com ela.
Nestas, a vida não se renova. Continuam na mesmice de sempre, nas ilusões de sempre, na pequenez de sempre.

Feliz o homem que aprende tanto com a chuva doce que molha o jardim, quanto com a tempestade que avassala a cidade. Feliz do homem que entende os recados da natureza como um convite a mudanças de rumos e rotas.

E enquanto isso, eu contemplo pela porta da minha varanda a chuva que calmamente cai lá fora ...