segunda-feira, 29 de outubro de 2012

No rastro do mar ...

Tão vasto é o mar
e tão belo ele fica quando ela o toca.
Serena, iluminada,
ela esparge seus raios pelo seu leito 
formando um belo caminho de luz.

Em noites como essa,
onde a luz da lua se debruça sobre o balouçar das ondas do mar
volto no tempo e me deixo levar pelos pensamentos
em busca de algo que não consigo lembrar.

Sei apenas que esse manto prateado me convida a navegar,
navegar nos mares dos pensamentos, dos desejos, do lembrar,
lembrar de algo que foi sem nunca ter sido
e pelo qual não vale mais a pena chorar.

É quando vejo a luz serena da lua no mar,
formando o seu rastro prateado
que vejo como navegar é preciso
num carinhoso e manso barco.

Retornar, jamais!!
Avançar sempre.
Ir em frente
sem medo de recomeçar. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Queixa? Só a de Caetano Veloso ...

Oi gente!!!
E olha ai, sexta-feira, com lua quase cheia. Sabe o que isso significa??????
Fim de semana daqueles maravilhosamente lindos!! Bom, se São Pedro colaborar, né?
Mas aviso logo que lua cheia mesmo só segunda-feira, às 17h50!!  ;)

Bom, depois do boletim "lunar" desse blog, vamos ao que interessa.
Primeiro uma perguntinha: hoje você já fez alguma reclamação sobre alguma coisa? Não precisa me dizer, tá, apenas pense pra você.
Se a resposta foi sim, pense de novo: e ontem, você reclamou de alguma coisa? Uma, duas ou mais de três vezes ao dia???

Pois bem. Estou lhe perguntando isso porque há um vício que está se tornando "normose" na sociedade de hoje que é a queixa. Se considera normal ou natural se queixar de tudo. Não estou falando aqui daquela reivindicação que visa melhorar alguma coisa. Estou me referindo ao hábito que nós temos de "nos queixarmos" de tudo o que acontece na nossa vida e no entorno dela.

Já perceberam que tem gente que tem a queixa como hábito?? Como assim? Vamos a alguns exemplos.

Tem o cabra que você encontra e pergunta: olá, você está bem? 
E o dito cujo responde: tô melhor do que mereço...
Esse já tá reclamando até dos benefícios que tem.

Tem aquele pra quem você pergunta: Oi fulano, tudo bom?
E a criatura responde: tá nada, rapaz. Tô com um monte de dívida, com dor num sei onde, minha mulher me abandonou ...
Esse é o famoso "tá morto e esqueceu de enterrar".

Tem também aqueles que nem motivo para reclamar teriam. Por exemplo, no amor. Estão com pessoas boas, legais, o relacionamento tá indo às mil maravilhas mas, a criatura resolve achar defeito onde não tem ou, como popularmente se diz, "chifre em cabeça de cavalo".

Ah, também tem gente pra quem tudo caminha bem no campo profissional, financeiro, e a criatura já começa a imaginar que algo de ruim vai acontecer porque "tudo está bom demais pra ser verdade".

Ou seja, no fundo, a grande maioria de nós gostamos mesmo é de que tudo esteja ruim pra gente ter motivo pra se queixar e ficar como vítima. 

Mesmo quando as coisas estão problemáticas, porque tem momentos na vida que a vontade que se tem é de largar tudo e se mandar pra Júpiter, a queixa não é o melhor recurso para esses períodos por um motivo muito simples: ela gera uma energia que só faz piorar a situação em que vivemos ou estamos.

A queixa é um vício. O vício de reclamar, de achar tudo ruim, o vício de querer chamar a atenção do outro para si mesmo, o vício da "vitimose".

Quando encontramos uma pessoa em péssimas condições (para os nossos parâmetros) e que não se queixa ficamos a nos perguntar se "aquela pessoa é demente". Não, ela não é demente. Ela muitas vezes é alguém que sabe tirar as lições que precisa da vida que leva, ou ainda, que aprendeu a se resignar diante da situação e sabe que nada é acaso na vida. Porque não há acasos.

Tudo na nossa vida tem um motivo. Creia você ou não nisso, é assim que as coisas procedem. Ninguém encontra ninguém por acaso, uma pessoa não adoece por acaso, as coisas não se complicam por acaso, um mal ou um bem não nos chegam por acaso.

Há o nosso "dedo" em tudo o que acontece, há a nossa energia, há a nossa mente criando ou destruindo tudo o que se refere a nós mesmos e ao que nos cerca. A mente deve ser o nosso principal foco.

Que tipo de pensamentos você emite diariamente? São de harmonia, equilíbrio? São de positividade diante da vida e das pessoas? São de otimismo? Se forem esses, parabéns!!! Você manda pra si mesmo energias de saúde, equilíbrio, vitalidade e joga isso para o universo. A tendência é que ele lhe responda de forma semelhante.

Mas, não?! Seus pensamentos são de mágoa, raiva, ódio, desânimo, inveja, baixa auto-estima, pessimismo? Você vê segundas intenções em tudo o que os outros (que não seja você) fazem? Você é rígido nos seus pontos de vista? Desculpe meu amigo (a), mas a vida vai lhe devolver exatamente na mesma moeda, na mesma vibração.

O vício, já falamos disso aqui em outro post, não é só aqueles "conceituados" pela sociedade, ou seja, beber, fumar, usar drogas, sexo desregrado. Vício, pela visão da psicologia da alma, é uma atitude mental que nos leva a sermos subjugados por uma pessoa ou situação. Que nos leva a sermos dependentes de alguma coisa. 

Tem gente que é viciada em viver no passado, em cultuar amores que não existem mais, pelo simples fato de temer olhar pra frente e se abrir de novo. Já tem gente que é viciada em apego, não consegue se desligar de coisas ou pessoas e quando essas lhe escapam das mãos entram simplesmente "em pane". Outras criaturas que são viciadas em status!! Perdem dinheiro, um cargo, mas é viciada na aparência e passa a viver uma vida que não existe mais, uma ilusão querendo manter o "velho status". Tem gente que é viciada em ser arrogante. E tem gente viciada em comodismo, em querer que as pessoas resolvam tudo para ela, ou seja, sofre de "síndrome da inoperância congênita" (criei essa agora, tá?!).

Seja lá qual for o seu vício saiba que a resposta para ele está dentro de si mesmo. Tá na hora da gente parar de ter medo de se olhar, de se ver, se quisermos realmente ser feliz. 

Gente, aproveitem esse final de semana para se queixar menos e viver mais.
Se contássemos em minutos e horas a quantidade de tempo que vivemos reclamando da vida e das coisas, veríamos quanto tempo estamos perdendo na vida. Vão ver a lua, passear na praia, andar no parque, correr, andar de bicicleta, jantar com pessoas queridas mas, cuidado com as conversas "queixosas". Se deem um final de semana de folga, please!!!

Deixemos as queixas para Caetano Veloso que fez de uma "queixa-lamento" um grande sucesso. Só na música mesmo, queixa dá algum ibope. Aqui, na vida real, o bom mesmo é aprender e desenvolver o otimismo e a pró-atividade diante da vida. Só isso é o que pode nos trazer saúde, serenidade e boas conquistas.

Curtam o fim de semana iluminado que chega e até segunda!!
Xanda

"Toda queixa viciosa converte-se em crítica injusta à Providência."
Humberto de Campos



domingo, 21 de outubro de 2012

Saudade que quer deixar de ser saudade ...

Hoje preciso escrever.
São muitas emoções num dia só,
sentimentos que brotam sem eu ter domínio,
sem saber direito o que são.

Mas um em particular me assola nesse momento: a saudade.
A saudade de te ver, de te ouvir
a saudade de te tocar, de te sentir.

Gosto da noite, da solitude da noite.
Gosto de mergulhar nela como quem navega sob um céu estrelado.
É nas ondas desse mar chamado noite
que deixo minha mente navegar,
meu sentimento brotar, minha alma falar.

Hoje ela pede tua presença. Não, tua voz.
O som gostoso do teu timbre, da tua voz melodiosa,
da carícia que é ouvir-te.

Hoje eu queria apenas te ouvir, nada mais.
Hoje eu queria apenas te sentir pelos meus ouvidos
e acalmar meu coração, minha solidão, minha saudade.

Saudade que não para de gritar no meu peito
Saudade que pede respeito
Saudade que apenas quer deixar de ser saudade.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Menina e o Pássaro Encantado

Oi pessoal!!
Bom dia. 
É, digo bom dia porque já viramos a meia-noite, portanto, já nos encontramos num novo e maravilhoso dia. Hoje só deu para passar aqui agora. E resolvi não escrever, mas trazer para vocês uma história que já li diversas vezes, mas não me canso de relê-la. Ela é do Rubem Alves (para variar, né?!).

O seu conteúdo parece bobo, porém, por meio da metáfora ele nos convida a refletir sobre o tipo de amor que achamos que é certo: o amor apego, o amor que aprisiona. 

Nesta história Rubem Alves nos mostra que só liberto é que o amor realmente pode existir. Não é colocando-o em belas gaiolas ou ao gosto dos nossos quereres e prazeres que ele vai durar. Ele precisa manter-se vivo através do encanto, do encanto do eterno reencontro.

Me calo agora e deixo vocês se deliciarem com esse belo texto.
Bjs e bom final de semana
Xanda


A MENINA E O PÁSSARO ENCANTADO

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…

— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…

E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.

E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.

Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”

Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.

Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…

— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…

A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.

Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…

Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…

E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…

Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…

E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”

E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O medo de amar é ...


O medo de amar é o medo de quem
não quer abrir-se ao novo,
não quer deixar-se vulnerável para o amor.

O medo de amar é o medo de ter
que enfrentar seus medos, seus anseios,
de enfrentar a si mesmo.

O medo de amar é o medo de deixar
a brisa da alegria novamente lhe tomar,
o sol da ventura espantar as sombras da solidão,
o calor da esperança aquecer seu coração.

O medo de amar é a atitude covarde
de quem prefere ser infeliz a viver de novo,
de quem prefere viver a chorar do que sorrir de novo,
de quem prefere viver na escuridão a contemplar a luz do novo. 
(08.10.12)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Que tal uma semana com menos aflição e mais aceitação?

Olá meu povo!!!
E ai, como foram de final de semana? Digo até que um final de semana e tanto, heim?!
Onde elegemos os novos governantes de nossas cidades. Torço, sinceramente, para que todos nós tenhamos feitos boas escolhas e que os novos dirigentes municipais cumpram com o seu papel de "promover o bem estar da população da sua cidade".

Mas, passada as eleições deparamo-nos com o início de uma nova semana e eu vim aqui para falar sobre algo que complica bastante as nossas vidas: a expectativa.

Não falo eu da expectativa sadia, mas daquela que gera inaceitação das coisas ou pessoas quando elas não acontecem como queremos ou, não são o que gostaríamos. A expectativa que gera sofrimento. 
Para basear nosso raciocínio quero começar com um texto do Albino Teixeira*:

"O que mais sofremos?" 
O que mais sofremos no mundo:
Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.
Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.
Não é a doença. É o pavor em recebê-la.
Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.
Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.
Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoismo.
Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.
Não é a injúria. É o orgulho ferido.
Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.
Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.

Achei esse texto fantástico quando o li e, como ele me levou a pensar, resolvi compartilhá-lo com vocês.

Albino está certo.
O problema não são as coisas que acontecem na nossa vida, nas a forma de olhá-las, de recebê-las. É a nossa capacidade de aceitação e transformação do presente. Da ressignificação do fato.

Porque pior do que o problema, a perda, a dor, é o acumulo de energia mental negativa que colocamos nele, a aflição, baseados em processos internos como medos, baixa resiliência, baixa auto estima, rigidez de conceitos, egoismo, melindres, entre outros ...

Vamos pensar juntos em item por item do texto?

"Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la."
É verdade. Dificuldades todos nós temos. Não tem essa de "a minha é maior do que a sua", pois o que é maior ou não é a capacidade pessoal de superá-la. Isso sim é maior ou menor em cada um de nós. Por que para algumas pessoas uma dificuldade é motivadora e em outros paralisante? Porque isso é uma reação pessoal, a partir de como as encaramos.

"Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento".
É verdade. Dores e testemunhos todos nós, sem exceção, vamos ter e passar. O que diferencia a superação ou não disso é a postura íntima, se de vítima do destino, ou de aprendiz da vida. Quando optamos pelo primeiro caso certamente a provação será bem pior. Quando escolhemos a segunda opção usamos o momento para crescer e aprender como pessoas.

"Não é a doença. É o pavor em recebê-la."
A própria medicina da terra diz que em qualquer tratamento de saúde a adesão espontânea ao tratamento, o otimismo, a confiança, o bom humor pode ajudar e muito, sendo até em alguns casos, determinantes para o restabelecimento.
Para quem tem medo dela, tudo se torna mais difícil. Vamos combinar que não tem nada pior do que ficar de cama e doente, pior ainda, quando são de doenças graves como o câncer. Mas nos diz a medicina holística que quando a doença chega é um recado do nosso corpo para nós mesmos nos informando que algo está errado conosco, no nosso sentimento, no nosso emocional ou mental. Portanto, tentar entender os "recados" do corpo é um bom exercício para evitarmos as doenças.

"Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar."
Ih, é verdade. Ficamos alimentando mágoas contra familiares e agregados ao invés de tentar resolver as coisas e, quando não há como solucioná-las, preferimos viver 24h com o desafeto dentro de nós do que nos libertarmos dessa amarra. Quem guarda mágoa "dorme com o desafeto toda noite". Vote!

"Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros."
Aqui fala alto o orgulho. Quando não aceitamos a nossa participação com atitudes equívocadas nas situações de fracasso na nossa vida perdemos a oportunidade do crescimento, do acertar mais à frente. Isto porque vamos colocar a responsabilidade fora de nós e, do lado de fora nós não temos nenhum poder de mudança. Só enxergando a nós mesmos pudemos superar os fracassos e finalmente vencer, não o mundo, mas a si próprio.

"Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoismo."
Muitas vezes alegamos que as pessoas (amigos, familiares, etc) nos abandonaram em momentos difíceis, delicados de nossa existência. Em alguns casos as pessoas não eram de fatos amigos, mas apenas aproveitadores do nosso bem estar e esses caem fora mesmo, sem dó nem piedade. Entretanto, em outros casos não paramos para pensar se não fomos nós os primeiros a "nos distanciarmos daqueles que nos queriam bem", se não fomos nós a colocar barreiras para evitar a aproximação. E ai sofremos porque ficamos cobrando uma retratação dos outros, quando muitas vezes eles apenas reagiram a nossa ação de afastamento. E vivemos mentalmente alimentando melindre, raiva por nos sentirmos "abandonados". O problema fica muito, mas muito maior do que realmente o é. Isso nada mais é do que a nossa velha e boa mania de "dar e querer receber em troca" pelo que damos.

"Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros."
Aqui entra uma coisa "trash" chamada inveja. Nos achamos incompetentes, não acreditamos em nós e terminamos nos incomodando com a superioridade do outro, com o que vemos nele, queríamos ter, mas achamos ou sabemos que não temos. Isso nos gera uma revolta interna e a pessoa passa a ser alvo da nossa inveja. Bom seria se pegássemos as qualidades que vemos no outro e buscássemos admirá-las e introduzi-las devagarinho dentro de nós, no que se chama da inveja construtiva, ao invés de viver "envenenados" com nosso próprio veneno.

"Não é a injúria. É o orgulho ferido."
Tem um ditado que diz que não existe ofensa, e sim, ofendidos. É verdade. O orgulho fala alto e não paramos para pensar que, se não somos nada do que estão dizendo de nós ou a nós, não precisamos nos alterar. Apenas devolver o presente para quem o trouxe e deixá-lo ir embora com ele. 

"Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres."
Aqui entra aquela célebre frase: "a carne é fraca". Não. Quem é fraco é o espírito que não educado para o que verdadeiramente ele precisa ou não, se deixa levar pelo desejo de fazer o que não deveria. Por isso, a tentação nada mais é do que o clamor interno por transgredir as regras, os limites, ou seja, o desejo de fazer mesmo sabendo que é equivocado.

"Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências."
Bom aqui entra a inaceitação das pessoas por algo inerente a tudo na natureza, inclusive ao homem: o passar do tempo. Pessoas há que vivem angustiadas porque as rugas estão chegando, os cabelos prateando, o corpo se transformando. Se prendem a uma imagem do passado, da época do viço e querem perpetuar aquele rosto jovem presente na foto para sempre, através das plásticas, dos botox, das deformações faciais. Querem enganar a si mesmas dizendo que o tempo não está passando, mas não conseguem enganar ao próprio tempo. Viram espectros do que eram, vivem de passado e deixam de aproveitar e viver do presente com a sabedoria que só o tempo presente trás. Amam demais a "imagem exterior" e esquecem da beleza interna, são os "sepulcros caiados" da modernidade.

Em resumo gente: a solução para as nossas existência é diminuir ou extinguir a carga de aflição que colocamos em tudo na nossa vida, sem necessidade. Por isso, exercitar a aceitação diante das expectativas não consumadas e dos fatos que norteiam a nossa existência é uma atitude sábia que significa saúde física e emocional. 

Quem se coloca como aprendiz diante da vida vive mais feliz, está mais aberto ao novo, ao que renova e, consecutivamente, à conquista da felicidade.

Por isso nesse início de semana desejo que você exercite a "arte da aceitação" e trate de mudar os rumos da sua vida para que ela lhe seja doce e saborosa e, menos aflitiva.
Uma ótima semana para todos nós.
Xanda

*Albino Teixeira (espírito) / psicografia  Chico Xavier
Livro: Passos da Vida

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O que falar dos teus olhos?

O que falar dos teus olhos?
Olhos de verdes mares, 
de verdes claros, 
de verdes profundos.

O que falar de teus olhos?
Olhos límpidos que parecem refletir o mar calmo
Olhos que dão vontade de mergulhar para poder conhecer os mistérios que neles se escondem.
Olhos que dão tanto prazer em olhar.

O que falar de teus olhos?
Olhos onde vejo paz, carinho, serenidade
Olhos que me dão vontade de mergulhar nesse verde mar.
Olhos doces, harmoniosos, melódicos como tua voz.

O que dizer do teu olhar?
Se não que me trazem conforto, alegria, paz.
Que me fazem sentir viva como há muito ninguém faz.
Olhar inteligente, sagaz, perspicaz.

O que mais dizer do teu olhar?
A não ser que adoro contemplá-lo, observá-lo.
Que imagino como eles devem ficar ainda mais lindos quando apaixonados
Quando cheios de amor para dar.

Ah, quem me dera ser o alvo do amor desse olhar,
Vê-lo transformar-se no verde escuro do mar quando louco de paixão
Ser o objeto do teu desejo
Da mira do teu olhar.

O dia que se vai


E da janela do meu quarto vejo o dia que se vai.
Mais um dia, mais histórias, 
mais uma realidade que se finda. 

Ao som de uma bossa deixo-me levar pelo entardecer. 
Em breves minutos será apenas anoitecer, 
será calma, será noite, será luar. 

São luzes que brilham, estrelas que surgem, sons que se acalmam.
E a vida se despedirá de mais um dia com a beleza de mais uma noite. 
Mais uma bela noite no agreste da vida.