quinta-feira, 31 de outubro de 2013

No campo dos sentimentos

No campo dos sentimentos
as vezes há paz, 
as vezes há tormentos.
dualidade atroz do Ser em busca de ser.

Há dores e amores
Há choros e alegrias
há descobertas e fantasias
No fundo, muita agonia.

Mas se há vida, há esperança
Se há turbulências, também há bonança
Basta apenas ter confiança.

E quando tudo passa
se o aprendizado de tudo foi retirado
o que sobra é conquista e um pouco mais de amparo.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Um dilema...


Na vida há muitos desafios.
Mas cada vez mais me convenço de que o maior deles é amar.
E aqui falo também no que se refere à relação entre homem e mulher.

As dores, os equívocos, as perdas fazem-nos fechar o coração.
O medo de se dar e não ser correspondido ou de sofrer, nos levam a negar o sentimento ou a levantarmos "barreiras" em nosso entorno. O pior é que nos acostumamos tanto com elas que terminamos "calcificando" o coração e quando damos conta, estamos secos de amor.

Mas também acredito que, já que fomos feitos para amar, chega um tempo em que essas "barreiras" são colocadas à prova. Há períodos em que elas literalmente "pesam" em nós, nos sufocam, nos esmagam, e nesse momento só há uma solução: ter a coragem de lutar para derrubá-las.

Ai vem o medo, o receio. "E se eu sofrer de novo?
Se sofrer de novo é porque ainda tinha algo para aprender, algo para vivenciar, de modo a se fortalecer para o amanhã. 

Mas, só há uma forma de descobrir e crescer: se permitindo sentir.
(Texto escrito no dia 18.10.2013)

E na saudade ...

E na saudade eu te vejo. 
E na saudade eu recordo de ti.
E na saudade tu viras desejo
E é na saudade que te almejo.

Quando perto, anseio teu sorriso.
Quando longe, tua presença.
Aguardo o som de tua voz.
Te busco de uma forma atroz.

E na saudade o medo vira querer.
Enquanto que o receio, um mero lampejo.
(Texto escrito em 18.10.2013)

sábado, 19 de outubro de 2013

A noite e o amor, belezas que assustam.

Hoje quando cheguei em casa deparei-me com uma linda imagem: o terraço todo iluminado, com um rastro de luz no chão. Ao chegar à ele, olho para o céu e outra beleza: uma noite azul clara, salpicada de estrelas e tendo acima de minha cabeça uma maravilhosa lua cheia. Fico de tal forma extasiada que minha vontade é de encontrar uma forma de expressão que pudesse retratar o que eu via, mas não acho.

Por mais que eu tente, as palavras sempre serão formas pálidas de descrever a beleza que contemplo no universo. Uma pena!

É, a natureza é muito generosa conosco.
E é interessante como não somos educados para aprender a senti-la, a observá-la.

A noite para muitos é assustadora, causa pânico. O que eles mais querem é que ela acabe, que nasça o dia. As sombras assustam. E nada pior do que o medo, pois ele nos tira a paz, nos entorpece o pensamento, nos deixa exauridos energeticamente pela adrenalina que ele despende em nosso corpo.

Para outros, a noite é um grande mistério a ser desvendado. É o momento de serenidade e calma, de quietude e contemplação. As sombras não assustam, pelo contrário, são amigas, companheiras, parceiras de jornada. Essas pessoas gostam da noite, mesmo com os seus mistérios. Não têm medo de vivê-la.

Refletindo sobre isso, me vem à mente o medo que muitos de nós possuímos de amar.

Deixar-se tomar pelo amor é como a noite, algo misterioso, encantador. Algumas vezes claro, iluminado, reluzente como o cintilar de uma estrela. Em outras, sombrio, frio, assustador. Só de pensar nele, suamos frio, trememos de medo, nos angustiamos. 

Isso se dá pela forma como "o enxergamos".
Pelo fato de termos cometidos diversos enganos em muitas oportunidades ou de termos sido "feridos em nossos sentimentos", alteramos a forma de sentir o ato de amar e nos "armamos" contra qualquer sinal que ele dê de que está "surgindo no pedaço".

É por isso, que muitos fogem, ou pelo menos, pensam que fogem dele.
Na verdade, só adiam algo que pode ser prazeroso, rico em novas experiências e descobertas. Desafiante, sim, afinal, o ato de conviver e amar alguém significa também doar-se e no mundo cada dia mais individualista em que vivemos, isso é, para muitos, uma coisa inadmissível!!

Sabiamente falou o Beto Guedes: "o medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier".

E como é triste viver preso a si mesmo, algemado ao medo, acorrentado ao desamor, sofrendo com o ressecamento do sentir, única e exclusivamente pelo "medo de sofrer". 

E ai, resgato o querido Vinícius de Moraes: "quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu. Porque na vida só se dá pra quem se deu. Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada não..."

Temos medo de amar porque somos muito egoístas, eis, no fundo, a questão.
Queremos certezas de que tudo dará certo, quando elas não existem nunca. Queremos não ter que sofrer "a dor do crescimento" que uma relação nos oferece, com suas conquistas e perdas, aprendizados e decepções. 

É certo que muitas de nossas dores são causadas pela forma equivocada que entendemos o que seja amar. 

Seria mais fácil se pudéssemos entrar numa relação baseados na verdade, no respeito mútuo, na admiração recíproca, na vontade de compartilhar, no companheirismo. Entretanto, ainda estamos naquela de achar que o outro tem a obrigação de suprir todas as nossas carências, necessidades, vontades e desejos. Só que nos esquecemos que o outro pode, também, esperar de nós a mesma coisa. E por isso, construímos relações doentias, que ao invés de nos fazer progredir, nos engessam.

É.
Amar, de fato, ainda não é fácil para nós.
Mas, quem sabe, um dia a gente não use aquilo que mais tememos, justamente como a nossa principal ferramenta de libertação íntima?! E com isso, consigamos nos livrar das amarras que nos infelicitam há tanto tempo?!

Torço sinceramente para que esse dia chegue.


domingo, 13 de outubro de 2013

Contemplando a noite e a vida.


Hoje a noite não tem lua, mas tem um lindo manto negro salpicado de pequenos diamantes.
A imagem é tão bela que eu, que ia me deitar, quedei-me a contemplá-la.
E aqui estou na janela olhando-a.

Gosto da noite.
Ela possui um encanto próprio, único, só dela.
Contemplar o cintilar das estrelas me enternece e alegra.
Me encanta e ao mesmo tempo me acalma sentir a simplicidade que a noite traz.
Ela faculta a possibilidade de refletir, a serenidade ou, até nada pensar.

Gosto mais ainda quando ela vem acompanhada do silêncio.
À noite é possível ouvir o som do silêncio. Sim, porque o silêncio também fala!
Aos poucos a vida se acalma.
Eu também.

O momento é apenas de contemplar e sentir.
Sentir a vida em mim.
Contemplá-la no infinito.

(Madrugada do sábado, 13 de outubro de 2013)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

E tem luar?

E tem luar no céu?
Tem sim, senhor.
Tem lua crescendo mansinho,
devagarinho, devagarinho.

Tem noite ficando iluminada,
céu ficando azulado,
nuvem achando graça
e cantador ficando encantado.

E breve, muito breve.
Tem belezura e esplendor no céu
tem lua cheia prateando o mar
tem coisa linda pra se olhar.

E já tô contando os dias e as noites
pra poder contemplá-la
e lembrar mais uma vez 
que a noite também é clara.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

No silêncio ...

E é no silêncio que eu escuto:  
o som do mundo,
o som da vida,
a mim mesma.

E é quando assereno a mente que eu ouço:
o som do meu coração,
o som da minha emoção,
a minha voz interior.

E nesse ouvir encontro:
serenidade para caminhar,
paz no meu eu.

E assim percebo que:
há vida em mim.
A vida sou eu.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ao poeta ...

E nem só de amor vive o poeta. 
Ele também pode inundar-se de paz.
Impregnar-se com o azul do céu.
Embriagar-se com o orvalho das flores.
Encantar-se com o calor do sol.

Por que não namorar a lua?
Conquistar o brilho das estrelas?
Embalar-se com o cantar dos pássaros?
E aconchegar-se no regaço da relva verde?

Para fazer um poema 
ele não precisa apenas de um amor.
Precisa, isso sim, 
sentir o ardor da vida ao seu redor.

E se ele reparar direitinho 
verá que em tudo isso há amor, há carinho.
Em toda a vida que o cerca há paixão.
Bastando apenas que ele a enxergue com igual adoração.