terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Obrigada 2014. Que venha 2015.

E o calendário dos homens informa: faltam poucas horas para o final de mais um ano.
Encerra-se 2014. Começa 2015.
Fecha-se um ciclo. Abre-se outro.
Termina uma etapa. Outra tem início.
E assim regem os homens a sua vida, pelo iniciar e concluir de fases, etapas, ciclos.

No fundo nada muda, porém o passar dos dias do calendário faz com que haja um trabalho muito mais psicológico do que físico em nós. Mentalmente é como se nos livrássemos de algo que já foi muito usado, que já deu tudo o que tinha que dar, está desgastado, para adquirir, tomar posse de outro novo, zerado.

E 2014, certamente, é algo que muita gente vai querer "descartar" da memória e, se possível, do calendário mental. Mas, será que de fato ele foi tão ruim assim?!!!
Vamos pensar juntos...

Conceitua-se um ano como bom se tudo sair "conforme desejamos": se tudo estiver certo em nosso emprego, se não tivermos nenhum problema de saúde, se não houver nenhuma morte na família ou próximo de nós. Se não houve grandes intercorrências em nossa existência definimos esse ano como "um bom ano".

Porém, quando num período de 365 dias nós obtemos perdas, sejam de pessoas próximas, emprego, relacionamentos; se passamos por privações ou por problemas de saúde que nos preocuparam, imediatamente taxamos aquele ano como sendo um mau ano.

Para muita gente, não tenho dúvidas de que 2014 se enquadra na segunda categoria acima citada. Mas, será que nós poderíamos defini-lo de forma tão simplista assim? Será que não há nada de bom neste período que finda nesta quarta-feira?

Eu acho que há.
É uma limitação do ser humano observar as coisas a partir do seu próprio ego e da satisfação do mesmo. Tudo o que o agrada é bom. O que o contraria é mau. Entretanto, a dualidade é um característica da vida e de tudo o que acontece nela, incluindo os acontecimentos que nos chegam.

Acho que o "grande lance" não é o que ganhamos ou deixamos de ganhar ao longo de um ano, mas sim, o que aprendemos com tudo aquilo que nos aconteceu nesse período. Que aprendizados a vida nos convidou a fazer? E nós, soubemos aproveitá-los? Agarramos a oportunidade para crescer, nos transformar, fazer as mudanças necessárias?

Vejo que um dos grandes ensinamentos de 2014 foi o desapego.
Foi preciso desapegar de coisas, de pessoas, sair do comodismo de sermos "dependentes" de algo ou de alguém para ser e existir. Muitos pseudos "alicerces" de nossa segurança foram colocados em xeque, fomos jogados no mar bravio da dúvida, do medo do desconhecido. E esse desconhecido, em muitos casos, eramos nós mesmos. 

Também foi preciso desapegar de velhos conceitos, costumes, de velhas armadilhas do nosso Ego, de algumas de nossas máscaras. E isso incomodou e muito. A vida parece que resolveu sacudir todo mundo do lugar cômodo em que se encontravam, do marasmo da mesmice, da acomodação. A palavra de ordem deste ano foi: acorda!!!

Eu, particularmente, termino 2014 com um profundo sentimento de gratidão, de agradecimento pelos 365 dias que vivi.

Quantas descobertas importantes, libertações, encaminhamentos, novos direcionamentos esse ano me proporcionou. Alegrias, dores, sorrisos, lágrimas, falas, silêncios, términos, reinícios, encontros, desencontros. Teve de tudo.
E foi um ano lindo.

Por isso acho que é preciso ampliar nossa visão do que seja a vida.
Precisamos sair do imediato, da ilusão do que os "olhos querem ver do lado de fora" para fugir do que incomoda do lado de dentro, para aprendermos a ler nas entrelinhas dos acontecimentos as verdadeiras histórias a serem contadas e narradas.

Viver é um desafio constante. Porém, mas desafiante do que os fatos materiais que cercam nossa existência, é perceber aqueles que estão em nosso íntimo, esses sim, os verdadeiros balizadores de nossas alegrias ou desventuras.

Por isso, convido você a repensar sua análise de 2014 e, mais ainda, projetar para 2015 aquilo que desejas que seja diferente. Serão as suas emoções e sentimentos os grandes "demarcadores" dos seus anos bons ou maus. Escute-os e, garanto, você não vai se arrepender.

À você que, ao longo desse ano que finda, acompanhou minhas mal traçadas linhas desejo que o novo ano não "nasça" apenas em seu calendário, mas acima de tudo, dentro do seu coração.

Obrigada 2014. Que venha 2015.
Um bj grande e até o ano que vem!
Xanda 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O que brota desse Ser?

O que é viver?
As vezes penso que viver é um eterno rasgar-se e remendar-se.
É uma contínua busca de si mesmo.
Um caminhar sem cessar.

Há horas em que penso que viver é desvendar-se, desnudar-se.
É uma sensação de que algo precisa sair.
É como se algo quisesse ser, existir.
Uma sensação estranha até para se definir.

Há dores que doem sem sabermos que nome se dá para elas.
Mas elas estão ali, cortando, apertando, ferindo.
E é desse ferimento que algo deve brotar, nascer.

Há momentos em que a sensação é de querer sair do próprio corpo.
Rasgar-se e deixar brotar o novo.
Mas, o que será esse novo ser?!

domingo, 23 de novembro de 2014

O céu ...

Ia me recolher para dormir, quando quedei-me a contemplá-lo.
Ele, com seu manto de ébano, rutilava de estrelas.
Pareciam pequenos diamantes aos meus olhos. Diamantes coloridos.
E eu parei para observar tanta beleza.

Um vento gostoso acariciava minha face que sorria encantada.
Sim, o encanto da beleza me fascina.
Da beleza simples, singela, serena, natural.
Daquilo que não precisa ter o valor do ouro para ser imortal em minha memória.

A noite de hoje estava gloriosa.
E ao contemplá-la uma paz imensa me tomou.
Naquele momento não havia ansiedade ou angustia.
Apenas o prazer do meu silêncio e da voz do mundo, trazendo-me alegria.

E eu fiquei na minha varanda a contemplar o céu.
Meu companheiro de inúmeras e infinitas jornadas.
E numa prece silenciosa e profunda agradeci.
Por ter olhos de ver o que vi.

sábado, 22 de novembro de 2014

Vivendo as quatro estações ...

Na primavera da vida, florescer. 
No outono, fenecer.
No inverno adormecer,
para no verão renascer.

Etapas da vida que se repetem.
Desafios que não se esquece.
Novas oportunidades a se descobrir,
ou até imagens a se repetir.

Mas o fato é que a vida é um caminhar.
Nessas estradas sempre andar.
Repetem-se os momentos a nos dizer,
que finalmente chegou o momento de aprender.

E ai daquele que não entender.
E o tempo deixar passar
Porque a roda da vida gira e sempre volta,
para o ponto que ainda falta resolver.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Se o meu jardim der flor significa que a vida está se renovando...

Oi pessoas!
Cá estou de volta.

Vocês se lembram que numa postagem que fiz há uns dois meses, acho, eu contei que consegui "assassinar" um pé de "Comigo ninguém pode"?!! Pois é, eis que venho dar notícias desse fato.

Resolvi há uma semana dar vida ao meu humilde jardim novamente. Gosto de plantas, principalmente flores. Sou apaixonada por elas, adoro ganhar, plantar, decorar a casa, enfim. Acho que se eu morasse numa área mais fria, onde elas vivem mais tempo, fazia da minha casa um "verdadeiro roseiral". Mas aqui em casa, se for colocá-las para decoração elas duram pouco por causa do clima quente, por isso prefiro tê-las nos vasos plantadas. O fato é que minhas plantas, em sua maioria, tinham fenecido e eu estava sentindo falta delas.

Daí que resolvi restabelecer o colorido no espaço da varanda. 
Rosa, cravo, pimentas, arruda, manjericão, umas outras flores que não sei o nome. Todas adquiridas na sementeira aqui perto de casa. Foi uma festa só quando comprei. Mas, havia um outro objetivo: reavivar meus jarros da Espada de São Jorge, do Comigo Ninguém Pode e da Babosa. Comprei terra, húmus, jarros novos e coloquei literalmente a "mão na massa". Foi uma manhã inteira de sábado nessa terapia maravilhosa de mexer com a terra, montar os jarros, fazer as transferências das mudas, "aguar" (termo do interior pernambucano que significa regar a planta com água).

Mas uma em especial recebeu minha maior dedicação.

Justamente no jarro onde estava a planta que havia morrido, estava brotando uma nova vida. É uma plantinha nova, bem pequena e frágil, que começa a surgir no lugar daquela que havia falecido. Nem preciso dizer a alegria que senti quando vi a bichinha renascendo. Fiquei olhando para ela com um sorriso besta no rosto e fui cuidar dela com todo o carinho. E enquanto replantava-a num jarro maior, com terra nova, adubo, água, eu comecei a pensar no que aquele broto estava querendo me dizer. Que recado a natureza, a vida, estava querendo me dar?

Me peguei a pensar mais uma vez no ciclo da existência, não só das plantas, mas dos homens também. Quantas vezes nos sentimos mortos, sem vida. Fatos acontecem e nos fazem fenecer a esperança, a alegria de viver, a coragem, a confiança em nós mesmos. Morrem os nossos sonhos, desejos, objetivos de vida. Nesses momentos perdem-se as velhas folhas, as vezes secam-se os caules. Sim, parece que morremos. 

Mas, a lei é de progresso e de renascimento sempre. Não adianta. Onde morre uma coisa, outra necessariamente nascerá no lugar. É da lei que tudo se renove, se modifique, se transforme. Só quem insiste em se manter do mesmo jeito é o homem que reluta em não entender o fluxo, os recados que a vida dá solicitando revisão de conceitos, de ideias, de rotas, de posicionamentos.

O homem é o único bicho da natureza que faz questão de ser irredutível, apegado às coisas que deveriam ser deixadas pra trás, orgulhoso, medíocre as vezes. Prefere viver na infelicidade, na tristeza, se destruindo emocionalmente, do que dar um passo à frente, vencer os bloqueios, deixar que a vida siga seu fluxo natural de mudança, de renovação.

Sem aceitar que é falível, que erra, prefere se auto destruir vivendo no passado, ou angustiado com o futuro que não chegou. E não se permite sentir o hoje, o aqui, o agora. Não se deixa renovar, renascer, ser feliz. Daí morre de diversas formas, algumas vezes, até inconscientemente enveredando pelo caminho do auto suicídio.

Entretanto, para aqueles que se abrem para o fluxo, a vida fatalmente muda.
Aos poucos, onde antes só havia dor, medo, culpa, desgosto, começa a brotar esperança, fé, sabedoria, alegria, comedimento. É como o nascer da planta. Nasce uma folhinha, daqui a pouco outra brota, depois mais uma, e quando a gente menos percebe novas flores surgem e voltam a colorir a vida. Eis o funcionamento da nossa existência também.

Agora, no meu pezinho de Comigo Ninguém Pode já tem uma segunda folhinha se preparando para desabrochar. Fiz um pacto com ele. Para cada folha que abrir nele, uma também vai ter que brotar em mim. Vamos ter que crescer juntos.

Acho que isso vai ser um desafio legal. 
Bom fim de semana.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Um momento de gratidão...


 Depois de dois meses, São Pedro resolveu fazer as pazes comigo e deixou que a noite de lua cheia deste mês de novembro viesse maravilhosamente bela.

Hoje passei o dia cansada, mas quando vi aquele círculo amarelo no céu completamente isento de nuvens, o cansaço foi embora na hora!! Resultado: na volta pra casa desci em Bairro Novo, Olinda, e fui para a praia.

Poucas coisas na vida me dão tanto prazer e alegria de forma tão plena, quanto a noite enluarada. A desta quinta-feira, particularmente, estava especial. E tudo parecia ajudar para que ela ficasse linda.

No céu, algumas nuvens que passeavam preguiçosamente resolveram se recolher e deixar tudo límpido. Um vento gostoso, típico de início de verão, soprava insistentemente sem causar frio, apenas uma sensação gostosa de aconchego. O mar deleitava-se dengoso em seu ir e vir, permitindo que o luar se esparramasse fogoso por suas ondas e marolas. A noite virou dia. E o dia terminou com luz.

Eu, que cansada estava, revigorei-me com tanto esplendor.
Nem lembrava mais que queria ir correndo pra casa dormir. Não. O que eu queria era passar a noite toda ali, contemplando aquele quadro, aquele momento, aquela beleza. Nada mais me importava, a não ser ali estar.

Nessas horas tenho a plena certeza da existência de algo ou alguém muito superior a mim. Porque para criar a imagem que eu via, só uma alma igualmente bela o seria capaz. 

Sim, Deus existe.
E se manifesta em tudo o que é criado, inclusive em nós quando nos abrimos para percebê-lo na vida que nos cerca.
Obrigada pela noite, Senhor.
Minha eterna e profunda gratidão a ti por tanta bondade.

domingo, 19 de outubro de 2014

O poder da luz

As vezes a noite parece bem escura, 
fica interminável e sem fim.
Porém, nada mais poderoso do que a cor e o brilho da aurora
para nos mostrar que mais forte é a luz.

Se ao longe ela brilha, guie-se até ela.
Não receie, não tenha medo.
São as cores do novo dia lhe chamando
para um novo momento, um novo recomeçar.

Acredite no seu poder interior.
Acesse a sua luz mais íntima.
Ilumine-se com a cor do dia.
Volte a brilhar.

Foto: Maíra Brandão

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

As vezes é preciso pedir perdão por não ter sabido amar.


"Eu que chamava de amor a minha esperança de amor.
Clarice Lispector

Cada vez mais me surpreendo com as descobertas que faço ao longo da vida, no que se refere à maneira dos seres se relacionarem uns com os outros.

Como perdemos tempo precioso na convivência por alimentarmos sentimentos errados, baseados em crenças equivocadas sobre nós mesmos e o mundo que nos cerca.


Tanto tempo é perdido com orgulhos, medos, melindres, mágoas. Tudo isso baseado na ausência do auto-amor, por não nos conhecermos, por não nos perdoarmos.

Projetamos no outro o que nos vai no íntimo. E quando o outro não atende nossa ânsia de completude, posse, apego, alimentamo-nos da mágoa e nos afastamos construindo barreiras as vezes intransponíveis.

Na grande maioria dos relacionamento a dois, o que levamos para eles é o nosso ego doente, não o nosso Eu divino. O nosso ego quer ser amado, satisfeito, atendido. É exigente, egoísta, só pensa em si. É apegado, possessivo, controlador. Faz-se de vítima para dominar o outro. E quanto esse outro não satisfaz aos gritos egoicos do nosso ser, nos tornamos cobradores implacáveis.

No relacionamento regido pelo Eu divino, ao contrário, há o compartilhar. Os seres sabem de seus valores pessoais e se bastam, mas possuem o prazer de estar com um outro que lhes seja especial, que lhe possibilite a troca que enriquece. É um dar e receber sem exigências. É um buscar fazer o outro feliz, a partir também de sua própria felicidade. Há aqui a aceitação do que se é e da realidade do outro. As mudanças pessoais são feitas não por imposição, mas pelo desejo de ser uma pessoa melhor pra si e para o outro a cada dia. Aqui nos tornamos parceiros do Universo, através da parceria com o outro.

A ausência de auto-amor nos impede de amar ao outro como se deve. E ai pautamos nossos relacionamentos no orgulho tão danoso à convivência, quando ele sai do patamar necessário da auto-estima. Quanto tempo perdemos idealizando pessoas e situações, quando podíamos apenas viver e vivê-las, ser feliz e fazê-las felizes.

A tomada de consciência dessas coisas nos leva a uma necessidade de pedir perdão. Mas, o perdão essencial a ser dado é de nós para conosco mesmo. Pela nossa incapacidade ainda de amar com desapego, com maturidade, com a beleza que dele emana.

Mesmo assim, as vezes nos sentimos na necessidade de pedir perdão ao outro e ao universo. Que ambos nos perdoem a imaturidade do que achávamos que era amar.

Viver é aprender a ser.

O processo de autoconhecimento é de um desafio atroz.

É um caminho que, quando iniciado, não possui mais retorno, não há mais como parar. 

Por vezes é preciso chegar ao fundo do poço para que você se torne mais nítido pra si mesmo. Parece um contra senso, mas não é.

Para se autoconhecer, necessário se faz dar um mergulho profundo em si mesmo. Esse mergulhar significa ver, sentir, perceber vales antes escondidos, profundos, dentro de si próprio. Ter a coragem de penetrar em cavernas muito bem escondidas, onde se encontram peças importantes, informações fundamentais para entender e enxergar quem se é. 

Normalmente não é fácil chegar a esses espaços. 
Achamos que com muitas leituras, informações, racionalizações acerca do que "imaginamos que somos e sentimos", estamos encontrando as respostas, as nossas verdades. Lê-do engano. 

Só se penetra nessas regiões mais profundas através de algo, de um fato, de um incômodo, de uma perda, de uma dor. Essas situações geram incômodos que nos levam a emoções e sentimentos limítrofes e que, se não forem bloqueados pelo nosso raciocínio, poderão nos dar o verdadeiro raio-x de quem somos ou de como estamos.

Devassar-se é um movimento de mergulho muito profundo.
Não há como ter máscaras. Elas devem ruir.
Não há como ter desculpas ou justificativas. Elas precisam calar.
Não há como projetar o seu incômodo no outro. É preciso aceitar ele em si.
Não há como ter medo. É preciso ter coragem de enfrentar.

E como não nos conhecemos!
É interessante observar como achamos que racionalizando nosso sentir e agir vamos encontrar as respostas que precisamos. Não. Na verdade, assim procedendo, achamos as respostas que queremos e estas nem sempre são as necessárias, as verdadeiras, porque elas virão imediatamente com uma justificativa, uma desculpa. Algo ou alguém é o culpado, responsável pelo que sentimos ou pela forma como agimos. E com isso fugimos à verdade.

O processo de autoconhecimento é eivado de uma solidão profunda. Um sentimento interno, inconfundível, um vazio. Muitos não conseguem conviver com essa sensação e preferem buscar a ajuda dos "amortizadores": bebida, fumo, droga, trabalho em excesso, sexo, baladas, status, compras. Tudo isso usado numa tentativa louca de preencher o que falta por dentro. De calar o silêncio que fala.

E esse silêncio parece que grita.

Quanto mais silencioso estiver ao seu redor, mas ele é visível, perceptível. 
Ele fala da ausência de auto-amor, de auto perdão. Ele nos diz de carências, de sentimentos de medo e culpa que não foram tratados, trabalhados com a devida importância, e que ficaram escondidos, aparentemente esquecidos. Ele fala de insatisfações, de acomodações feitas apenas para se sobreviver, e não viver em plenitude. Ah, quantas vozes e mensagens esse silêncio, esse vazio, nos traz.

O autoconhecimento é um processo de descobertas.
Da visualização de crenças frágeis que nos sustentam e que precisam ser rompidas para que novas construções sejam efetivadas. De atitudes projetadas num outro eu, numa fuga de si. Da sua parcela de responsabilidade na dinâmica da vida e do universo.

Eis ai, um processo importante e que exige muita verdade.
Só se constrói algo novo, quando se realiza o esvaziamento do velho. É necessário ter a coragem de desconstruir, de ficar sem chão, sem rumo. É preciso vivenciar o deserto da alma, para só então encontrar o oásis. É um esvaziar-se para depois se preencher. 

Viver é aprender a existir.
Existir é aprender a sentir.
Sentir é aprender a ser.

domingo, 28 de setembro de 2014

A lua e seu caminhar para a completude...

E no céu uma lua crescente faz sua caminhada.  
Sua caminhada em direção à plenitude.
Sua plenitude significa brilhar cheia, redonda, bela.
Sua beleza está em sua completude.

Mas esse caminhar da lua é solitário.
Ela o faz sozinha.
Nada nem ninguém pode fazê-la plenificar-se,
a não ser seu próprio andar.

E por isso ela segue pelo céu,
noite após noite,
enchendo-se aos poucos, 
criando, completando-se.

Mas de que ela se completa?
Ela se torna plena de si mesma.
Ela se preenche com sua própria luz.
Ela se torna cheia, una, e por isso seduz.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Só descobre a caverna mágica, quem tem a coragem de empreender a viagem...

Há um lugar pouco explorado pelo homem.
Aparentemente é um terreno inóspito, de difícil acesso.
Muitos chegam a afirmar, inclusive, que lá se encontram seres monstruosos, dantescos, aterradores.
E por isso justificam não ter a coragem de lá aportar.

É, o local parece que realmente é difícil de encontrar e meio assustador, mas isso se deve ao fato de que os primeiros desbravadores desistiram nas primeiras investidas da caminhada e jogaram "os mapas", inicialmente formulados no lixo. Optaram por ficar apenas na periferia dessa área, no caminho mais simples e mais fácil.

A questão é que esse local é muito importante.
Lá estão guardadas informações maravilhosas sobre a vida, sobre o ser. É uma fonte inesgotável de experiências, de riquezas, de belezas mil. É lá que existe a fonte da vida e da saúde, da beleza e da riqueza no sentido das coisas do espírito, e não, materiais.

Só que o caminho para se chegar a esse local mágico é cheio de curvas, despenhadeiros, matos. Isso porque, á medida que o tempo foi passando, os homens terminaram por abandoná-lo devido a complexidade que era ali chegar. Outros, que até pensaram em se aventurar, fizeram construções completamente equivocadas, alterando o caminho, dificultando o percusso. É por isso que hoje ele possui um corredor tão escuro e assustador, o que faz com que muita gente ache melhor não insistir. 

Nessa caminhada até esse paraíso às vezes nos defrontamos com seres assustadores, aparentemente violentos, odiosos, perniciosos, que nada mais são do que o nosso próprio reflexo nas paredes da caverna. São os "monstros" que nós mesmos construímos ao longo do caminho e que, quando os deparamos, nos assustam. Por não querermos olhá-los, muitas vezes "damos ré" e saímos da caverna.

Uma outra coisa complicada é que para chegar nesse local a pessoa só pode ir sozinha. Não há como duas pessoas andarem pelo mesmo caminho. A viagem é solitária, individual. Mesmo que alguém até auxilie de longe, só o ser que adentra a caverna pode chegar ao fim da viagem. Por isso é preciso muita coragem.

Mas, para aqueles que resolvem enfrentar os "perigos da caminhada" a recompensa é gratificante.

No começo difícil, o andar vai se tornando aos poucos mais fácil. A caverna, antes completamente escura, começa a ganhar alguma claridade, vai se iluminando a medida que os passos avançam. Os fantasmas que apareciam projetados na parede da rocha vão diminuindo, perdendo força, porque por começarem a ser identificados um a um, deixam de assustar. Eles passam a ser nossos companheiros de jornada.

A partir daí jornadear sozinho pela caverna a dentro deixa de ser algo que preocupa, para se tornar prazeroso, desafiante, confortador. A cada passo um novo sentimento nos surge, a medida que vamos observando no clarear do caminho a extinção das sombras que antes habitavam ali. Aos poucos um sentimento de fé e confiança profunda começa a tomar conta do nosso ser. Algo que vem de dentro, como se nos deixássemos "contaminar" pela energia que vem da caverna.

Até que finalmente, um dia, chegamos ao local que procurávamos!
Uma paz imensa nos toma ao olharmos ao redor, no fundo da caverna, e descobrir que o poço não era tão fundo. Que eram os nossos medos e dificuldades projetados que dificultavam a conquista. Que lá, ao invés do vale sombrio, existe um ambiente de luz, colorido, repleto de vida, e vida em abundância: com córregos de águas translúcidas, canteiros floridos, escarpas verdejantes, árvores frondosas, cores encantadoras, dóceis animais.

Eles sempre estiveram ali esperando por nós. Mas foram os nossos medos e escolhas por caminhos "mais fáceis", que sempre nos afastaram desse pequeno pedaço do paraíso na terra. Um local onde finalmente podemos encontrar paz, serenidade, alegria e agradecimento por estar vivo, uma sensação de pertencimento como nunca sentida.

O nome desse local maravilhoso e mágico?
EU. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Madrugada ...


E a noite se vai.
Em plena madrugada uma lua minguante passeia no céu.
Uma brisa fresca acaricia meu corpo.
E mais um dia se vai.

Contemplo o céu iluminado
vejo as estrelas que brilham
observo as nuvens que deslizam serenas
sinto prazer em olhá-los.

E a noite avança calma,
findando mais um dia
Restabelecendo a energia
de uma alma que sonha.

Nada a pedir, e sim a agradecer.
A oportunidade de poder viver
De ver a lua serena definhar,
esperando ansiosa o dia dela voltar.

Eu já te disse que te amo?

Eu já te disse que te amo?  
Não?! Como pude me esquecer!
Se é esse amor que eu respiro, 
desde a manhã até o anoitecer.

Eu já te disse que te amo?
Sem ter noção do que fazer.
Sem entender o por quê.
Apenas por saber que te amo?!

Eu já te disse que te amo?
Pela humanidade que vejo em ti.
Pelo simples sentir
do teu coração junto ao meu?!

Se eu não te disse que te amo,
faço-o agora.
Faço-o sem demora.
Apenas para você saber.

*Texto escrito em 22 de agosto de 2014, durante o Festival A Letra e a Voz

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Chuva, lava o tempo ...

Lá fora a chuva cai.
Aqui dentro Betânia canta sua ode ao tempo.
E me pergunto: o que é o tempo?

O que é a vida?
Um mero minuto no espaço, na roda das eras.
Quem és tu, tempo? Amigo ou inimigo?
Que fazes tu comigo?

Lá fora a chuva aumenta, engrossa.
Cai, molha, renova.
Sim, a água e o tempo renovam.
Lava chuva, lava meu íntimo.
Leva aquilo que não sinto, devolve o meu eu.

Canta Betânia, evoca o tempo.
Esse senhor da vida e dos deuses.
Que seja ele o verdadeiro senhor dos nossos destinos.
Sejas bem vindo, tempo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

É muito fácil ser triste. Difícil é ter a coragem de ser feliz...

Hoje eu aproveitei a minha hora de almoço para dar uma boa caminhada aqui pelo bairro do Recife Antigo, e também aproveitei para ir refletindo numas coisas. Foi quando cheguei a nobre conclusão que dá título a essa postagem: é muito fácil ser triste, difícil é ter a coragem de ser feliz.
Tamanha conclusão só foi possível, graças a algumas reflexões, conversas com algumas pessoas, leituras de livros e de algumas postagens no facebook, pra ser mais exata (sim, porque facebook também é cultura em alguns casos...). Nesta minha última fonte de "inspiração" li hoje uma colocação muito bacana: "Viver não é um fardo. A forma como se vive é que pode se tornar um peso".*
Caminhando e cantando (literalmente!!) pelas calçadas centenárias aqui da parte velha do Recife me peguei concluindo que essa frase é muito verdadeira, daí a minha conclusão acima. Vejamos o porquê.
Ser triste é muito fácil.
Basta você assumir um aspecto lúgubre (sombrio, triste), ficar com cara de paisagem por onde anda, remoendo os erros, os defeitos, as falhas. É preciso também que você não faça nenhum forcinha para mudar os rumos do seu pensamento que ficam permanentemente girando em torno dos seus problemas, do seu umbigo, brigando com o povo, contigo e com o mundo. Junte a isso conceitos de "sou infeliz", "sou coitadinho", "nada na minha vida dá certo", "eu não presto pra nada", "eu não mereço ser feliz". E se você ainda quiser dar uma pitadinha a mais na coisa, basta deixar sua velha mania de "desistir fácil das coisas" tomar conta do pedaço. Pegue aqueles sentimentos de culpa, sim aqueles que você vive fugindo deles para não ter que encará-los e resolvê-los, e mantenha-os bem escondidos de si no "lixão" da mente. Pronto, você já é uma pessoa triste. 
Tem gente que olha o mundo de "olho enviesado" e não para pra pensar se isso não é consigo mesmo. Quer um exemplo?! Há quem só veja gente falsa e invejosa por onde anda, nunca acredita na boa vontade dos outros, nem que existam pessoas que façam algo desinteressadamente. Também tem aqueles que são "azedos" por vida. Se chove, tá ruim. Se faz sol, tá ruim também. Se tem comida em casa, reclama porque tem que cozinhar. Se não tem, fala porque queria ter o que comer. Reclama porque tem que cuidar da casa, fazer feira, andar de ônibus, trabalhar. Porque o elevador demora, a fila tá longa, o sol tá quente, a praia tem areia ....
Enfim, para algumas pessoas nada nunca está bom e elas não percebem que isso é uma forma de ser infeliz, por não conseguir ser grato ao que tem, ao que recebe da vida, ao que é. Essa insatisfação é mórbida e só reflete a sua situação interna. É muito fácil aderir a tudo isso porque são coisas que foram colocadas na cabeça da gente ou construídas por nós mesmos. São condicionamentos que foram edificados ao longo de muito tempo e basta um "pequeno gatilho" para que eles sejam acionados sem nenhum esforço nosso.
Agora, pra ser feliz dá trabalho.
Porque vai ser preciso que você saia de si mesmo, que venças o seu Eu. Isso significa tomar novas atitudes, decisões, descontruir crenças, correr atrás. E para isso é necessário sair do comodismo e da inércia. E isso as vezes dá um trabalho, um cansaço ....
Por isso digo que pra ser feliz é preciso coragem.
Coragem para olhar a si próprio como se é e amar o que vê.
Coragem para não deixar que Deus, a sorte, os orixás, o tarot, os espíritos ou quem mais for seja o responsável pelas suas escolhas, e sim, você mesmo.
Coragem para tomar decisões que vão mexer com a sua zona de conforto e fazer com que sejas o autor da sua vida, e não, o coadjuvante.
Coragem para vencer os medos insensatos que lhe paralisam, baseados em construções que não lhe servem mais como alicerces de vida e que só fazem lhe infelicitar.
Coragem para correr atrás de si mesmo, dos seus sonhos, seus desejos.
Coragem para reconhecer que sua vida está uma m... e que só você foi o responsável por isso.
Enfim, pra ser feliz é preciso ter a coragem de assumir: EU FAÇO DA MINHA VIDA O QUE ELA É, E SÓ EU POSSO MUDÁ-LA. E isso pede decisão. E decisão pede movimento. E movimento leva a ação. É o expandir, sair de si mesmo, olhar pra fora.
Ninguém, nem situação nenhuma pode lhe infelicitar, a não ser a forma como você encara tudo isso. Portanto, é dentro de si que mora o caminho para realmente ser feliz. No resgate do seu Eu Divino, da sua essência. O que falta é a coragem de mergulhar nesse universo, conhece-lo, amá-lo e conviver com ele em paz.
Há uma frase que diz: "só o que somos tem o poder de curar-nos".
Se queres ser feliz, trate de viver o que é, olhar o mundo com o que de melhor ele tem a lhe oferecer a partir do que de bom você mesmo doar para ele. Afinal, é dando que se recebe.
Ah, e boa coragem pra você!!
Bjs e bom fim de semana.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Quando a saudade vira canção.


São 23h33 desta quinta-feira e eu estou contemplando-lhe 
pela janela. 

A noite está encantadora, linda, serena, mágica. 
Uma paz imensa me toma.
Ao mesmo tempo uma saudade profunda invade o meu ser.
Olho pra você e me sinto saudosa. Do que? De quem?

Não sei. Não tenho resposta.
Apenas fico a sentir essa saudade.
E apenas olho-te na calada da noite.
E apenas contemplo a noite.

Quantas outras noites assim te admirei?
Quantas outras noites em ti me inspirei?
Em quantas luas me vi a sonhar?
Em quantas outras tive vontade apenas de amar?

Hoje que te contemplo mais uma vez,
deixo essa saudade ter vazão.
Porque se não posso asserená-la nem resolvê-la,
posso ao menos, tentar transformá-la numa canção.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sai em busca da beleza. Encontrei-a em Rubem Alves.

Há dias em que você acorda com ânsia de beleza.
Não estou aqui falando de coisas externas, roupas, maquiagens. Estou falando de beleza interna, daquilo que toca, mexe com o coração. E fiquei me perguntando onde eu iria buscá-las, porque não conseguia encontrar nada por onde olhava. Daí me veio o rumo de encontrar a beleza na forma como alguém me ensinou a olhar o mundo. E por isso resolvi mergulhar nas minhas memórias afetivas do Rubem Alves.

Foi ele quem me mostrou a beleza de uma carta.
Um mero papel cheio de linhas onde são sobrepostas letras e palavras, escritas pela mão de alguém que deseja mandar notícias suas a outra pessoa. Mas essa carta não era uma carta qualquer. Essa carta falava de amor. Era uma carta entre enamorados, entre pessoas que estavam distantes, afastadas pelos quilômetros, mas desejosas de se verem, de se tocarem, de se perceberem. E esse pequeno pedaço de papel, que antes passava tão despercebido, de repente tomou mais do que sentido quando descobri que ao escrevê-la para alguém, esse alguém poderia me tocar ao pegar o papel, em que eu havia tocado. Afinal, segundo Rubem Alves, cartas de amor são para isso: para que as mãos, mesmo distantes, possam tocar-se ao tocar no papel.

Também foi ele que mostrou o desafio de amar.
Sim, amar num relacionamento a dois. Foi ele que me fez refletir que um namoro ou casamento é um grande jogo onde, ou os dois ganham, ou um perde. E fiquei pensando que tipo de relacionamento eu queria pra mim, um tipo tênis ou tipo frescobol. E descobri que o que eu quero mesmo é jogar frescobol a vida toda com alguém. Eu sacando de cá, ele amortecendo e devolvendo de lá, e nós dois preocupados em não "deixar a bola cair nunca", para que essa deliciosa brincadeira jamais tenha fim. Descobri que tênis só gosto nas quadras e como esporte, não como relacionamento. Porque não quero nunca estar ao lado de alguém e viver a dar raquetadas, a conseguir diversos "aces" (jogada sem defesa para o outro tenista) para destruí-lo, derrotá-lo. Não. Quero passar o tempo que eu tiver junto com esse alguém numa permanente brincadeira onde, quando ele mandar a bola meio torta eu possa fazer tudo para ampará-la e devolvê-la macia, equilibrada e, vice versa. E que quando a bola vier de forma mais intensa e cair, ambos corram atrás dela para levantá-la e novamente colocá-la em jogo.

Rubem Alves me ensinou também a admirar o estouro de um milho de pipoca. 
Amarelinho, duro que só "a gota serena", mirradinho. O milho vai pro fogo no óleo quente. Panela é fechada. Sensação de abafamento. Embaixo o fogo, em cima o abafado, a fumaça cobrindo-o. O milho vai morrer. De repente, sem que ele perceba, explode!! Acabou, tudo acabou... Mas, que surpresa! Ele não se desintegra. Ele se transforma. Vira algo branco, macio, de textura diferente, agradável. Que coisa!? O milho duro e sem gosto se transformou numa deliciosa e fofa pipoca. A transformação que todos nós, seres humanos, precismos passar pela vida para deixarmos de sermos duros, intransigentes, sem graça, para virarmos aquilo que temos que ser: amáveis, ternos, doces, amoráveis. O milho não é o que temos que ser. A pipoca é o que tem que ser. E nunca mais eu fiz pipoca do mesmo jeito que antes ...

Ah, também aprendi a olhar um retrato (porque sou do tempo do retrato), não apenas como uma fotografia.
O retrato é a captação de um momento especial, único, onde ali está o local, a pessoa, o sentimento que aquele dia, aquela hora, eu queria deixar eterno. Ali está tudo o que eu desejava que estivesse. Aquele momento "congelado" é eterno, sempre memorável, intocável. E quando esse momento é de alguém que se ama, ele se torna ainda mais mágico, por isso eu o retrato!! Eu o torno imortal no congelamento daquela imagem. Olho para a fotografia e tenho saudades do que vejo, de quem vejo. Tenho saudades de quem que está ali. Do sentimento bom que ela me trouxe naquele momento e hora. Da felicidade que eu senti ao estar com aquela pessoa. Sinto saudades de mim na foto. Daí em diante, uma foto deixou de ser uma fotografia para ser, de fato, um retrato.

E com Rubem Alves também aprendi que nunca se deve deixar quem se ama preso numa gaiola dourada.
Não. Aquilo que se ama tem que ser liberto, tem que ter vida, asas, caminho próprio. Não se pode querer prender um pássaro acostumado com a liberdade na gaiola, simplesmente porque você tem medo que ele não volte pra você. Não é gaiola que vai fazê-lo ficar e lhe amar. É o desejo que você construir nele de querer estar de volta para lhe contar as belas histórias dos caminhos por onde andou, das paisagens que viu, das cores que percebeu, dos perigos que passou. Ele tem que desejar poder estar com você novamente. Ele volta porque sente prazer em ver, quando narra as peripécias, os seus olhos brilharem, o sorriso brotar no seu rosto, a atenção que dedicas a ele naquele momento em que "o mundo parece parar para ouvir quem se ama". Sim, as gaiolas são ilusões humanas de que se conquista o amor com prisão. O amor só se conquista com liberdade, com o encantamento do pássaro.

E depois que li Rubem Alves nunca mais uma árvore foi apenas uma árvore; uma flor não foi mais uma flor; um pé de jabuticaba, deixou de ser apenas um fazedor de jabuticaba; um por do sol deixou de ser apenas um "apagar de luzes". Tudo isso, que já me encantava e enchia de paz, passou a ser um presente diário da vida à mim mesma. Pequenos momentos de beleza que colorem, alegram, aliviam, acalentam o que sou e o que quero vir a ser. O mundo passou a ter mais cores e eu passei a agradecer a todos os pintores, que diariamente o colorem, pela dádiva de poder ver o que eles fazem.

Enfim, mesmo em dias nublados ou cinzentos, aprendi a agradecer por viver.
Isso, Rubem Alves me ajudou a ver.

domingo, 24 de agosto de 2014

O Universo

Quando mergulho no Universo 
contemplo a beleza em si.
Observo tudo a existir,
vejo a vida pulsar.

No universo de fora
as estrelas cintilam,
as flores desabrocham,
a vida surge nos menores detalhes.

No universo de dentro
nem sempre há sol a contento.
As vezes só há brumas e cinzento.
Só há um céu sem sorrir.

Mas se o sol ai voltar a brilhar
não há quem possa segurar.
Não há quem possa medir
o tamanho do universo a existir.

*Texto escrito em 22.08.14 durante o Festival A Letra e a Voz.

sábado, 23 de agosto de 2014

Vivo!

Vivo a vida, vivo a alegria. 
Vivo a vida, isso sim é euforia!
Estou vivo, sim, respiro e penso.
Sou espírito eterno, sou vivente.

Quem pensou que o túmulo seria meu fim.
Digo que se enganou.
O túmulo pra mim foi o início,
de um novo caso de amor.

Amor com a vida e a alegria.
Amor com o dia e suas agonias.
Foi passar a viver tudo, enfim.
Foi simplesmente descobrir que vivi.

*Texto escrito no dia 20 de agosto, no Festival A Letra e a Voz

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Como não amar?!

Amor, paixão, que tortura! 
Queria deles fugir.
Queria não ter que senti-los.
Que desassossego pro meu espírito!

Mas, o que é o ser se não amar?
O que é o ser se não se apaixonar?
Como andar pela vida sem sentir,
se tudo o que desejo é existir?!

Sem o amor não haveriam os poetas.
Sem a paixão não haveriam os romances.
Sem o choro e o lamento não haveriam os autores.
E por isso amo, apesar dos tormentos.

Como não amar?
Como não sorrir?
Como não se sofrer?
Se é isso que me faz existir?!

*Texto escrito no dia 20.08.2014, durante o Festival A Letra e a Voz.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Se você não cuidar do seu jardim, ele morre...

Rapaz, tomei um susto essa semana.
Cheguei na varanda de casa e fui olhar algumas plantas que insisto em ter. Sim, o objetivo é deixar o apartamento mais "humano". E dei de cara com uma cena curiosa: num é que eu quase consegui "matar" um pé de "comigo ninguém pode"?!!

Gente!!!!
Isso é o que eu chamo de um feito e tanto, pois pense numa danada de planta resistente pra caramba?!! Não é a toa que dizem que ela é boa para absorver energias negativas da casa. Mas, o fato, é que eu quase matei a dita cuja.

Olhando os outros três vasos vi que a situação das demais, se não tão drástica, era periclitante. Imediatamente me pus a postos para tentar "salvar as bichinhas": comprei húmus para colocar na terra. dei uma poda em umas folhas já mortas ou a meio caminho disso, coloquei água e comecei a bater um papo com elas (fazia tempo que eu não conversava com as minhas plantinhas). O aspecto geral delas já deu uma melhorada, mas ainda vai levar uns dias para elas voltarem a ficar "viçosas".

E nessa terapia das plantas, me peguei na reflexão da vida.
E mais uma vez vi o quanto somos, literalmente, parte integrante do sistema bio-sócio-ambiental deste ser chamado Terra. Porque o que aconteceu com as minhas plantinhas é muito, mas muito similar ao que acontece conosco, seres humanos, quando "deixamos de nos cuidar". Sim, porque a falta de trato, de água, de cuidados é o que fez meu pobre pé de "comigo ninguém pode" praticamente perecer. E quantos de nós não "perecemos em vida" da mesma forma, pela simples ausência de "trato".

É bom esclarecer logo que não estou aqui falando de "cuidar do exterior" ou de "vaidade extrema", apenas. Falo do cuidado necessário que cada um de nós deve ter por si para que se mantenha viçoso, alegre, vivo, forte, feliz. Falo dos cuidados com o nosso EU interno, aquilo que somos ou carregamos no íntimo, no coração.

Assim como abandonamos as plantas do nosso jardim, em algumas ocasiões da vida nós fazemos o mesmo com o "nosso jardim interno". Deixamos que nele falte o sol da esperança que aquece o coração; a água da esperança que molha o solo interior; esquecemos de colocar o adubo da autoestima diariamente para manter a terra rica de proteínas importantes para que nossa "planta interna" possa ir crescendo bonita, forte; e de, vez por outra, dar uma podada nas ervas daninhas que podem sufocar o desabrochar da semente.

Quando isso acontece, não tem pra onde: é problema na certa!!!
Uma plantação interior que não é cuidada com amor e carinho pode se transformar num árido solo, seco, esturricado, sem vida, ou seja, sem amor nenhum por si e pelo que lhe cerca. Em outros casos, as ervas daninhas da culpa ou o matagal do remorso crescem tomando conta de todo o terreno. E ai, quando olharmos para ele o veremos todo "morto ou tomado pelo descaso" e a tendência natural é a de ficarmos tristes, deprimidos e, normalmente, nos acomodarmos na assertiva: agora não tem mais jeito, está tudo perdido, não tenho como mudar isso!

Mas, o bom jardineiro sabe que, por detrás de um terreno espinhoso, seco e aparentemente sem jeito, sempre há a possibilidade de surgir um belo jardim. Claro, isso vai custar a ele tempo, determinação, paciência e confiança de que pode transformar aquele lugar aparentemente árido e sem cor num recanto colorido, perfumado e bonito. E se ele quer que o negócio aconteça mesmo, o grande lance será "começar já a botar a mão na massa"!!!

E pra iniciar ele vai ter que ir retirando o mato, as plantas espinhosas, o que não presta, para poder ter uma ideia real do terreno. Afinal, ele quer um jardim com outras flores e plantas e aquelas que ele encontrou ali não combinam com o seu planejamento do ambiente. No nosso caso isso significa que teremos que mergulhar em nós e sair catando o lixo que está acumulado no nosso Eu para jogá-lo fora. Algumas dessas "plantas daninhas" são: desamor, baixa autoestima, mania de "vitimose", culpa, medo, orgulhos. 

Podar algumas plantas que antes vicejavam e agora estão praticamente "mortas" também é preciso. Então é tirar da árvore da esperança os galhos mortos da desesperança; da trepadeira da fé a descrença. Daí colocamos o adubo da oração, o húmus da confiança, a água da humildade e, claro, não podemos esquecer de deixar o sol da serenidade e a brisa da paciência bater no nosso jardim para que possa, aos poucos, ir ressurgindo novamente em cores.

E depois de tudo isso, voltando a cuidar diariamente desse espaço tão bonito e tão importante que é você mesmo, verás que belezura de campos verdejantes e multicor vão surgir de onde nem imaginavas!!! É quando o jardim está belo que voltam a aparecer as borboletas, os beija-flores, os sabiás, os bem-te-vis, e as abelhas. Afinal, eles só se aproximam do que é belo para eles, das plantas que exalam um odor agradável, saudável.

Eis a surpresa da vida. De onde menos se espera, surge beleza. 
Não é a toa que a melhor simbologia para isso que digo é a do lírio que brota mesmo estando no meio do lodo. Assim é o nosso Ser Divino: basta que a gente queira para que ele volte a exalar a beleza com que foi criado. 

E se você é daqueles que anda "esquecido do seu jardim", aproveita esse início de semana para começar a cuidar dele. Ainda dá tempo de fazer ele florir!

Boa semana.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

E a morte nos faz refletir ...

Nada como a morte para nos lembrar da fragilidade da vida.
Tantos orgulhos, tantas ambições, tantas vaidades, tantos melindres.
Para que tudo isso?
Para um túmulo.

E é diante da finitude da vida, que não tem dia, hora ou prazo para chegar, que nos perguntamos: o que estamos fazendo da nossa vida? Para onde estamos indo? Será que o rumo que tomamos é o correto?

A morte em si não me assusta, mas sim o que ela representa.
As vezes a separação física de alguém a quem amamos; em outras o interromper de sonhos; em outros momentos o desafio de encarar a si mesmo, seus equívocos.

Mas em outras vezes a morte nos fala de amor.
Nos lembra de como perdemos tempo não amando, não estando junto de quem se gosta, preocupados com coisas fúteis quando o importante mesmo está ao nosso lado, ali, bem perto.

As mortes desse 13 de agosto de 2014 me fizeram refletir.
Fizeram despertar em mim certezas, saudades, lamento, desejos, vontades.
Parece que uma represa de sentimentos ruiu, rachou, e agora eles lançam-se todos na corredeira da vida me mostrando verdades, caminhos, situações.

Quanto tempo perdemos com sentimentos de medo, culpa, desamor.
Tempo precioso de estar com quem se ama, construindo no dia a dia uma convivência.
Compartilhando experiências, confidências, medos. 
Um olhar, um tocar de mãos, um sorriso cúmplice. 

Amar o outro na sua diversidade, diferença, igualdades, convergências.
Isso pra mim é amar.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Quando ...

Quando a dor mais profunda tomar tua alma.
Quando te sentires sem esperança em tua caminhada,
não esqueces nunca de que não estás sós.
Te lembras do amor que te deu a vida.
Da energia que tudo ama e harmoniza
Te lembra de Deus em ti.

Quando a noite se fizer mais escura,
quando a vida te parecer mais dura
e teu caminhar te pesar.
Lembra sempre que o fardo é leve
para quem com Ele anda
e que por mais que te canses, Ele ali está pra te apoiar.

Quando o medo e a solidão te ferirem de forma atroz.
Quando na vida não esperares nada mais do que a dor,
e teu coração pensar em desistir.
Te consola na fé e andas uma milha a mais.
Não esqueces de insistir um pouco mais
E verás a aflição se dirimir.

Sim, sei que há noites bem escuras
algumas que são bem duras
mas outras hão de vir.
E nessas novas noites a luz voltará a brilhar,
a vida voltará a pulsar,
e tu voltarás a sorrir.

Não desiste agora,
espera um pouco mais. 
Tem força, fé e esperança,
que o resto, Deus faz.
E depois de passada a tempestade
verás a beleza do céu estrelado,
verás o clarão da lua iluminando novamente o teu caminho.
E chorarás de feliz.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

As lágrimas. Ah, as lágrimas ...

Há momentos em que só elas nos ajudam. 
Chegam as vezes mansas, outras de forma transbordante.
Descarregam o que vai na alma e aliviam.
Elas são as lágrimas.

Há momento da vida em que só elas podem nos dar alívio.
Sim, pequenas gotículas de água que vertem dos nossos olhos.
Ah, quão abençoadas são quando vem em abundância.
Quanta serenidade nos dão.

Lágrimas.
Gosto desse nome.
Acho-o doce, confortante.
Assim como elas são.

As lágrimas existem para acusar um fim.
Elas também podem significar um começo.
Elas podem até significar um grande apreço.
Mas no fim, elas são apenas lágrimas que vertem de mim.