quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O que brota desse Ser?

O que é viver?
As vezes penso que viver é um eterno rasgar-se e remendar-se.
É uma contínua busca de si mesmo.
Um caminhar sem cessar.

Há horas em que penso que viver é desvendar-se, desnudar-se.
É uma sensação de que algo precisa sair.
É como se algo quisesse ser, existir.
Uma sensação estranha até para se definir.

Há dores que doem sem sabermos que nome se dá para elas.
Mas elas estão ali, cortando, apertando, ferindo.
E é desse ferimento que algo deve brotar, nascer.

Há momentos em que a sensação é de querer sair do próprio corpo.
Rasgar-se e deixar brotar o novo.
Mas, o que será esse novo ser?!

domingo, 23 de novembro de 2014

O céu ...

Ia me recolher para dormir, quando quedei-me a contemplá-lo.
Ele, com seu manto de ébano, rutilava de estrelas.
Pareciam pequenos diamantes aos meus olhos. Diamantes coloridos.
E eu parei para observar tanta beleza.

Um vento gostoso acariciava minha face que sorria encantada.
Sim, o encanto da beleza me fascina.
Da beleza simples, singela, serena, natural.
Daquilo que não precisa ter o valor do ouro para ser imortal em minha memória.

A noite de hoje estava gloriosa.
E ao contemplá-la uma paz imensa me tomou.
Naquele momento não havia ansiedade ou angustia.
Apenas o prazer do meu silêncio e da voz do mundo, trazendo-me alegria.

E eu fiquei na minha varanda a contemplar o céu.
Meu companheiro de inúmeras e infinitas jornadas.
E numa prece silenciosa e profunda agradeci.
Por ter olhos de ver o que vi.

sábado, 22 de novembro de 2014

Vivendo as quatro estações ...

Na primavera da vida, florescer. 
No outono, fenecer.
No inverno adormecer,
para no verão renascer.

Etapas da vida que se repetem.
Desafios que não se esquece.
Novas oportunidades a se descobrir,
ou até imagens a se repetir.

Mas o fato é que a vida é um caminhar.
Nessas estradas sempre andar.
Repetem-se os momentos a nos dizer,
que finalmente chegou o momento de aprender.

E ai daquele que não entender.
E o tempo deixar passar
Porque a roda da vida gira e sempre volta,
para o ponto que ainda falta resolver.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Se o meu jardim der flor significa que a vida está se renovando...

Oi pessoas!
Cá estou de volta.

Vocês se lembram que numa postagem que fiz há uns dois meses, acho, eu contei que consegui "assassinar" um pé de "Comigo ninguém pode"?!! Pois é, eis que venho dar notícias desse fato.

Resolvi há uma semana dar vida ao meu humilde jardim novamente. Gosto de plantas, principalmente flores. Sou apaixonada por elas, adoro ganhar, plantar, decorar a casa, enfim. Acho que se eu morasse numa área mais fria, onde elas vivem mais tempo, fazia da minha casa um "verdadeiro roseiral". Mas aqui em casa, se for colocá-las para decoração elas duram pouco por causa do clima quente, por isso prefiro tê-las nos vasos plantadas. O fato é que minhas plantas, em sua maioria, tinham fenecido e eu estava sentindo falta delas.

Daí que resolvi restabelecer o colorido no espaço da varanda. 
Rosa, cravo, pimentas, arruda, manjericão, umas outras flores que não sei o nome. Todas adquiridas na sementeira aqui perto de casa. Foi uma festa só quando comprei. Mas, havia um outro objetivo: reavivar meus jarros da Espada de São Jorge, do Comigo Ninguém Pode e da Babosa. Comprei terra, húmus, jarros novos e coloquei literalmente a "mão na massa". Foi uma manhã inteira de sábado nessa terapia maravilhosa de mexer com a terra, montar os jarros, fazer as transferências das mudas, "aguar" (termo do interior pernambucano que significa regar a planta com água).

Mas uma em especial recebeu minha maior dedicação.

Justamente no jarro onde estava a planta que havia morrido, estava brotando uma nova vida. É uma plantinha nova, bem pequena e frágil, que começa a surgir no lugar daquela que havia falecido. Nem preciso dizer a alegria que senti quando vi a bichinha renascendo. Fiquei olhando para ela com um sorriso besta no rosto e fui cuidar dela com todo o carinho. E enquanto replantava-a num jarro maior, com terra nova, adubo, água, eu comecei a pensar no que aquele broto estava querendo me dizer. Que recado a natureza, a vida, estava querendo me dar?

Me peguei a pensar mais uma vez no ciclo da existência, não só das plantas, mas dos homens também. Quantas vezes nos sentimos mortos, sem vida. Fatos acontecem e nos fazem fenecer a esperança, a alegria de viver, a coragem, a confiança em nós mesmos. Morrem os nossos sonhos, desejos, objetivos de vida. Nesses momentos perdem-se as velhas folhas, as vezes secam-se os caules. Sim, parece que morremos. 

Mas, a lei é de progresso e de renascimento sempre. Não adianta. Onde morre uma coisa, outra necessariamente nascerá no lugar. É da lei que tudo se renove, se modifique, se transforme. Só quem insiste em se manter do mesmo jeito é o homem que reluta em não entender o fluxo, os recados que a vida dá solicitando revisão de conceitos, de ideias, de rotas, de posicionamentos.

O homem é o único bicho da natureza que faz questão de ser irredutível, apegado às coisas que deveriam ser deixadas pra trás, orgulhoso, medíocre as vezes. Prefere viver na infelicidade, na tristeza, se destruindo emocionalmente, do que dar um passo à frente, vencer os bloqueios, deixar que a vida siga seu fluxo natural de mudança, de renovação.

Sem aceitar que é falível, que erra, prefere se auto destruir vivendo no passado, ou angustiado com o futuro que não chegou. E não se permite sentir o hoje, o aqui, o agora. Não se deixa renovar, renascer, ser feliz. Daí morre de diversas formas, algumas vezes, até inconscientemente enveredando pelo caminho do auto suicídio.

Entretanto, para aqueles que se abrem para o fluxo, a vida fatalmente muda.
Aos poucos, onde antes só havia dor, medo, culpa, desgosto, começa a brotar esperança, fé, sabedoria, alegria, comedimento. É como o nascer da planta. Nasce uma folhinha, daqui a pouco outra brota, depois mais uma, e quando a gente menos percebe novas flores surgem e voltam a colorir a vida. Eis o funcionamento da nossa existência também.

Agora, no meu pezinho de Comigo Ninguém Pode já tem uma segunda folhinha se preparando para desabrochar. Fiz um pacto com ele. Para cada folha que abrir nele, uma também vai ter que brotar em mim. Vamos ter que crescer juntos.

Acho que isso vai ser um desafio legal. 
Bom fim de semana.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Um momento de gratidão...


 Depois de dois meses, São Pedro resolveu fazer as pazes comigo e deixou que a noite de lua cheia deste mês de novembro viesse maravilhosamente bela.

Hoje passei o dia cansada, mas quando vi aquele círculo amarelo no céu completamente isento de nuvens, o cansaço foi embora na hora!! Resultado: na volta pra casa desci em Bairro Novo, Olinda, e fui para a praia.

Poucas coisas na vida me dão tanto prazer e alegria de forma tão plena, quanto a noite enluarada. A desta quinta-feira, particularmente, estava especial. E tudo parecia ajudar para que ela ficasse linda.

No céu, algumas nuvens que passeavam preguiçosamente resolveram se recolher e deixar tudo límpido. Um vento gostoso, típico de início de verão, soprava insistentemente sem causar frio, apenas uma sensação gostosa de aconchego. O mar deleitava-se dengoso em seu ir e vir, permitindo que o luar se esparramasse fogoso por suas ondas e marolas. A noite virou dia. E o dia terminou com luz.

Eu, que cansada estava, revigorei-me com tanto esplendor.
Nem lembrava mais que queria ir correndo pra casa dormir. Não. O que eu queria era passar a noite toda ali, contemplando aquele quadro, aquele momento, aquela beleza. Nada mais me importava, a não ser ali estar.

Nessas horas tenho a plena certeza da existência de algo ou alguém muito superior a mim. Porque para criar a imagem que eu via, só uma alma igualmente bela o seria capaz. 

Sim, Deus existe.
E se manifesta em tudo o que é criado, inclusive em nós quando nos abrimos para percebê-lo na vida que nos cerca.
Obrigada pela noite, Senhor.
Minha eterna e profunda gratidão a ti por tanta bondade.