quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

De ontem para amanhã.

O que é o tempo?
O tempo é hoje não o é amanhã.
O que hoje fazia sentido, amanhã já se terá ido.
O que hoje era eterno, amanhã será perecível.

Ah, vida de tantas vidas,
Eterno vai e vem de uma eternidade
Com és linda, como és linda.
E como és infinita.

Nas folhas do tempo eu viajo.
O ontem já passou. O amanhã nem chegou.
Um hoje se faz presente. 
Pulsante, vivo, reluzente.

De ontem para amanhã
há o hiato de um hoje.
que se bem vivido e sentido
me levará longe.

Nos braços do vento me deixo levar.
No balançar da saudade recordar.
Na correnteza da vida pretendo estar.
Num barco cujo remo é meu e com o qual pretendo remar.

Pelos olhos de Deus


Fim de tarde.
Aqui tudo é silêncio. 
sentada à porta da varanda contemplo o céu que aos poucos perde seu azul para dar espaço ao ébano.
O único som que vem é da rua, longe, muito longe ...

Daqui a pouco as estrelas surgirão iluminando esse céu que adoro.
Uma bebida gelada refresca meu calor, nessa típica tarde de janeiro e de verão.
Nesse momento estou em paz.
E apenas curto a brisa fresca que chega mansa.

Lá fora, porém, sei que o mundo ferve.
As pessoas estão revoltas, agressivas.
Protestos, gritos, lamentos, choros.

E mais entendo a necessidade de estar em paz, calma, serena.
Aos poucos introjeto a importância de tudo olhar com o sentimento em equilíbrio.
Tudo sentir pelos olhos de Deus.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O mundo da minha janela ...

Deitada no quarto contemplo a janela.
Do lado de fora, as verdes folhas do jambeiro movimentam-se preguiçosas ao sabor do vento.
Em mim tudo é silêncio.
Os sons vêm do mundo.

Eis que vejo que o céu muda de cor.  
O azul dá espaço para o cinza.
As folhas do jambeiro agora contrastam com as nuvens.
E, de repente, pequenos riscos transparentes cortam a imagem que vejo da minha janela em direção ao solo.

É a doce chuva que cai.
Pequenos pingos que tocam levemente as folhas verdes do jambeiro.
Observo-a com o olhar de doce expectação e contemplação.
Um momento belo, singelo. Um momento só meu.

Mas a chuva não queria ali ficar. 
Não. O que ela queria na verdade era apenas passar.
Ela me fez lembrar que tudo na vida é um breve momento.
E que, sim, tudo também passa e tem seu tempo.

Volto a olhar para o mundo além da minha janela.
No rádio toca uma música doce.
O ventilador sopra uma brisa leve que apenas acaricia meu corpo.

Do lado de fora da janela as verdes folhas do jambeiro balançam alegremente ao som do vento.
O céu permanece em contraste cinza.
E eu aqui fico, apenas a olhar a janela.

Texto escrito no sábado, 17 de janeiro de 2015.