domingo, 20 de agosto de 2017

Eclipsando com o sol para renascer em você mesmo.





Olá!
Há quanto tempo, não?!
Há tanto tempo por aqui não apareço.
Mas hoje deu-me vontade de aqui estar, de por aqui relatar, o que me vem n'alma e no pensar.

E muitas reflexões permeiam meus pensamentos nos últimos tempos, todas elas ligadas a questões do momento, do se encontrar.
Veja que simbolicamente, nesta segunda, dia 21 de agosto, teremos um eclipse total do Sol que nos remete ao fechar-se, ao eclipsar-se, ao renovar-se.
Sim, pois sempre depois que algo se fecha, outro novo abre.
Sempre depois de uma morte, vem um renascimento.
Sempre depois de uma queda, um levantar.

Nesta segunda, esse belo fenômeno astronômico nos traz essa simbologia: da morte, do eclipsar.
Aproveitando essa ideia, nos vem a pergunta: o que em mim precisa "morrer" para que algo novo "nasça"?

Para o que precisamos voltar a nossa atenção, de modo que nossa visão eclipsada pelo manto negro da escuridão para fora, possa ampliar-se para dentro e enxergar o que se faz necessário, o que é real?
Que "mortes" precisam acontecer para que o novo tenha a oportunidade de nascer, brotar, florir?

Na vida, premidos pela necessidade de segurança, muitos de nós nos agarramos em "âncoras fictícias", achando-nos seguros, estáveis. Daí vem as intempéries, as tempestades, que sacodem o mar de tal modo e maneira, que ele destroça nosso barco. E nós queremos imensamente nos agarrar aos destroços, à âncora, com medo de perder o barco, porém, se ali ficarmos, presos a ela, não apenas o barco, mas nós também vamos afundar. 

É quando temos que fazer a opção de naufragar, presos ao que nos é conhecido ou, de se jogar ao mar, ao encontro do desconhecido. Que decisão difícil!!! Que medo isso dá.
No mar revolto as águas são escuras. Abaixo delas um mundo totalmente desconhecido, cheio de perigos, de tubarões. Eu nada vejo, não consigo enxergar horizonte. Medo!! A tempestade castiga, pensamos que vamos afundar, vamos morrer!

Mas, eis que batemos em algo: é uma tábua!! E a ela nos agarramos para conseguir sobreviver no meio do desconhecido mar e da tormenta que sobre ele se abate. Vencidos pelo cansaço, desmaiamos de sono sobre ela que segue seu caminho, impulsionada pelas ondas.

Horas depois acordamos com o sol batendo em nosso rosto. 
O mar está calmo, tranquilo. Seu tom de esmeralda em contraste ao azul do céu nos fala de esperança. 
O sol nos aquece e acorda como a dizer: passou. Estás vendo, eu estou aqui de novo. 
E ao virarmos nosso olhar para o horizonte, qual não é nossa surpresa ao vislumbrarmos que chegamos ao continente, numa bela praia, de areias brancas, águas cristalinas, onde pequenos cardumes de peixes passeiam serenos em seu bailado. Os coqueiros, com suas copas altas e verdes, nos hipnotizam com seu balançar ao vento suave.

Sim, impulsionada pela correnteza do mar, a tábua foi parar numa linda e paradisíaca praia. 
Mas isso não teria acontecido se tivéssemos ficados apegados à corrente da âncora do barco, o barco que era nossa "segurança".

Lançar-se ao novo, ao desconhecido, não é fácil.
Dá medo, assusta. Acreditamos que vamos naufragar.
Mas, continuar atados às pseudo seguranças que já não nos sustentam mais é muito mais danoso.

Nessa semana que se inicia com essa simbologia de morte e renascimento do eclipse, fica o pensamento: O que em mim precisa "morrer" para que eu possa "renascer"?!

Uma linda e nova semana para você!
Xanda

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Fui ao encontro do céu e vi a beleza ...

E hoje fui ao teu encontro.
Aos meus olhos estavas desnudo, límpido, aguardando aquela que traria-te a luminosidade.
E eis que, de repente, ela começa a surgir. 
Devagar, serena, a lua saiu de trás dos mares para dizer-te: aqui estou.

E aos poucos ela foi tomando conta de ti, invadindo-te mansamente.
Assim, como quem nada desejava, ela se expandia, crescia, majestosa.
E tu que estavas, antes, da cor do ébano, aos poucos fostes ganhando mais vida, mais cor.
Um tom azulado passou a te vestir, enquanto o mar banhava-se de luz prata a desenhar um caminho infinito ao teu encontro.

Meus olhos embevecidos, não acreditavam em tanta beleza.
Nenhuma nuvem maculava o encanto daquele quadro, onde céu e mar se uniam em tal harmonia que a menor palavra parecia querer agredi-los.
Sim, não havia espaço para palavras!
Pois elas nada poderiam dizer que causasse mais encantamento do que a tua contemplação com meus olhos.

E dos meus olhos, tua beleza chegava até minha alma, tocando-a, como a doce brisa que refrescava meu corpo.
E enebriada de prazer e encanto, me vi embevecida.
Me vi muda, calada, sem coragem de nada expressar. 
Porque nada que eu dissesse revelaria o prazer que me causavas.

Ó quão vão são as palavras!
Como efêmeras e tolas elas o são, quando tentam materializar aquilo que só os olhos e o coração podem ver.  
Nesta noite de tanta beleza, conseguistes ó Céu, encher meu peito de ternura e gratidão.
Sentimentos a muito perdidos, aparentemente até esquecidos,
mas que só esperavam por ti para reencontrar o caminho de sentir.