quinta-feira, 19 de maio de 2011

Desejo muitas pipocas pro seu fim de semana!!

Oi meu povo!!! 
Ufa, semana quase acabando. Sexta-feira chegando, o corpo já lhe boicotando querendo dar uma paradinha e você no último suspiro da resistência, insistentemente, não deixa de mirar o relógio da parede ou do computador: anda danado!!!    E o bicho não anda. Mas, tenha calma que tá terminando.


E pra esse final de semana eu quero falar do fogo. 
Calma!! 
Não estou falando do "fogo" que dá no povo pra "cair na gandaia" (na farra, em nordestinês) ou dos alvoroços que dá por dentro, "os faniquitos".


Estou falando do fogo que opera mudanças. É o tal do bicho que queima de vez em quando na sua vida para que você, literalmente, saia do lugar, do canto, da acomodação, da mesmice. O danado queima por dentro parecendo um incêndio num prédio de 40 andares e você tem a sensação de que vai "morrer torrado por dentro".  
Esse "fogaréu" pode ser ocasionado por diversas situações na sua vida: uma perda, uma angustia, uma desilusão, uma doença, etc. E quando chega, dói pra danar! 


Mas, num livro do Rubem Alves (que eu amooooo de paixão) intitulado "O Amor que acende a Lua" (qualquer semelhança, não é mera coincidência!! Comprei o livro por causa do título, digo logo. ) encontrei uma outra deliciosa definição para esse tipo de "fogo que dói". Ele usa a alegoria do milho da pipoca e de sua importância sagrada para o candomblé, para descrever a relação "fogo/dor" com o "endurecimento/crescimento".


Abaixo, eu reproduzo alguns trechos do capítulo, que é grande, focando mais no tema central do nosso texto de hoje. E desejo, sinceramente, que nesse final de semana você pegue o fogo que tá lhe consumindo e faça com que ele lhe transforme numa maravilhosa pipoca da vida, tirando de si o que de melhor possuis para alegrar a tua existência e a de quem te cerca.
Bjs e bom final de semana! 
Xanda


A PIPOCA

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.(...)
E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é o símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. 
O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer; pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças.


"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre”

Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.

Pode ser fogo de fora:
perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.

Pode ser fogo de dentro:
pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo, o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.

Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, 
ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.

A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente,
algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Em Minas todo mundo sabe o que é o piruá. 
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.

Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca macia.
Não vão dar alegria para ninguém.

(Extraído do livro "O amor que acende a lua" de Rubem Alves)

Um comentário:

  1. Achei essa coisa da pipoca fantástico!rs
    Grande abraço

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