domingo, 19 de outubro de 2014

O poder da luz

As vezes a noite parece bem escura, 
fica interminável e sem fim.
Porém, nada mais poderoso do que a cor e o brilho da aurora
para nos mostrar que mais forte é a luz.

Se ao longe ela brilha, guie-se até ela.
Não receie, não tenha medo.
São as cores do novo dia lhe chamando
para um novo momento, um novo recomeçar.

Acredite no seu poder interior.
Acesse a sua luz mais íntima.
Ilumine-se com a cor do dia.
Volte a brilhar.

Foto: Maíra Brandão

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

As vezes é preciso pedir perdão por não ter sabido amar.


"Eu que chamava de amor a minha esperança de amor.
Clarice Lispector

Cada vez mais me surpreendo com as descobertas que faço ao longo da vida, no que se refere à maneira dos seres se relacionarem uns com os outros.

Como perdemos tempo precioso na convivência por alimentarmos sentimentos errados, baseados em crenças equivocadas sobre nós mesmos e o mundo que nos cerca.


Tanto tempo é perdido com orgulhos, medos, melindres, mágoas. Tudo isso baseado na ausência do auto-amor, por não nos conhecermos, por não nos perdoarmos.

Projetamos no outro o que nos vai no íntimo. E quando o outro não atende nossa ânsia de completude, posse, apego, alimentamo-nos da mágoa e nos afastamos construindo barreiras as vezes intransponíveis.

Na grande maioria dos relacionamento a dois, o que levamos para eles é o nosso ego doente, não o nosso Eu divino. O nosso ego quer ser amado, satisfeito, atendido. É exigente, egoísta, só pensa em si. É apegado, possessivo, controlador. Faz-se de vítima para dominar o outro. E quanto esse outro não satisfaz aos gritos egoicos do nosso ser, nos tornamos cobradores implacáveis.

No relacionamento regido pelo Eu divino, ao contrário, há o compartilhar. Os seres sabem de seus valores pessoais e se bastam, mas possuem o prazer de estar com um outro que lhes seja especial, que lhe possibilite a troca que enriquece. É um dar e receber sem exigências. É um buscar fazer o outro feliz, a partir também de sua própria felicidade. Há aqui a aceitação do que se é e da realidade do outro. As mudanças pessoais são feitas não por imposição, mas pelo desejo de ser uma pessoa melhor pra si e para o outro a cada dia. Aqui nos tornamos parceiros do Universo, através da parceria com o outro.

A ausência de auto-amor nos impede de amar ao outro como se deve. E ai pautamos nossos relacionamentos no orgulho tão danoso à convivência, quando ele sai do patamar necessário da auto-estima. Quanto tempo perdemos idealizando pessoas e situações, quando podíamos apenas viver e vivê-las, ser feliz e fazê-las felizes.

A tomada de consciência dessas coisas nos leva a uma necessidade de pedir perdão. Mas, o perdão essencial a ser dado é de nós para conosco mesmo. Pela nossa incapacidade ainda de amar com desapego, com maturidade, com a beleza que dele emana.

Mesmo assim, as vezes nos sentimos na necessidade de pedir perdão ao outro e ao universo. Que ambos nos perdoem a imaturidade do que achávamos que era amar.

Viver é aprender a ser.

O processo de autoconhecimento é de um desafio atroz.

É um caminho que, quando iniciado, não possui mais retorno, não há mais como parar. 

Por vezes é preciso chegar ao fundo do poço para que você se torne mais nítido pra si mesmo. Parece um contra senso, mas não é.

Para se autoconhecer, necessário se faz dar um mergulho profundo em si mesmo. Esse mergulhar significa ver, sentir, perceber vales antes escondidos, profundos, dentro de si próprio. Ter a coragem de penetrar em cavernas muito bem escondidas, onde se encontram peças importantes, informações fundamentais para entender e enxergar quem se é. 

Normalmente não é fácil chegar a esses espaços. 
Achamos que com muitas leituras, informações, racionalizações acerca do que "imaginamos que somos e sentimos", estamos encontrando as respostas, as nossas verdades. Lê-do engano. 

Só se penetra nessas regiões mais profundas através de algo, de um fato, de um incômodo, de uma perda, de uma dor. Essas situações geram incômodos que nos levam a emoções e sentimentos limítrofes e que, se não forem bloqueados pelo nosso raciocínio, poderão nos dar o verdadeiro raio-x de quem somos ou de como estamos.

Devassar-se é um movimento de mergulho muito profundo.
Não há como ter máscaras. Elas devem ruir.
Não há como ter desculpas ou justificativas. Elas precisam calar.
Não há como projetar o seu incômodo no outro. É preciso aceitar ele em si.
Não há como ter medo. É preciso ter coragem de enfrentar.

E como não nos conhecemos!
É interessante observar como achamos que racionalizando nosso sentir e agir vamos encontrar as respostas que precisamos. Não. Na verdade, assim procedendo, achamos as respostas que queremos e estas nem sempre são as necessárias, as verdadeiras, porque elas virão imediatamente com uma justificativa, uma desculpa. Algo ou alguém é o culpado, responsável pelo que sentimos ou pela forma como agimos. E com isso fugimos à verdade.

O processo de autoconhecimento é eivado de uma solidão profunda. Um sentimento interno, inconfundível, um vazio. Muitos não conseguem conviver com essa sensação e preferem buscar a ajuda dos "amortizadores": bebida, fumo, droga, trabalho em excesso, sexo, baladas, status, compras. Tudo isso usado numa tentativa louca de preencher o que falta por dentro. De calar o silêncio que fala.

E esse silêncio parece que grita.

Quanto mais silencioso estiver ao seu redor, mas ele é visível, perceptível. 
Ele fala da ausência de auto-amor, de auto perdão. Ele nos diz de carências, de sentimentos de medo e culpa que não foram tratados, trabalhados com a devida importância, e que ficaram escondidos, aparentemente esquecidos. Ele fala de insatisfações, de acomodações feitas apenas para se sobreviver, e não viver em plenitude. Ah, quantas vozes e mensagens esse silêncio, esse vazio, nos traz.

O autoconhecimento é um processo de descobertas.
Da visualização de crenças frágeis que nos sustentam e que precisam ser rompidas para que novas construções sejam efetivadas. De atitudes projetadas num outro eu, numa fuga de si. Da sua parcela de responsabilidade na dinâmica da vida e do universo.

Eis ai, um processo importante e que exige muita verdade.
Só se constrói algo novo, quando se realiza o esvaziamento do velho. É necessário ter a coragem de desconstruir, de ficar sem chão, sem rumo. É preciso vivenciar o deserto da alma, para só então encontrar o oásis. É um esvaziar-se para depois se preencher. 

Viver é aprender a existir.
Existir é aprender a sentir.
Sentir é aprender a ser.

domingo, 28 de setembro de 2014

A lua e seu caminhar para a completude...

E no céu uma lua crescente faz sua caminhada.  
Sua caminhada em direção à plenitude.
Sua plenitude significa brilhar cheia, redonda, bela.
Sua beleza está em sua completude.

Mas esse caminhar da lua é solitário.
Ela o faz sozinha.
Nada nem ninguém pode fazê-la plenificar-se,
a não ser seu próprio andar.

E por isso ela segue pelo céu,
noite após noite,
enchendo-se aos poucos, 
criando, completando-se.

Mas de que ela se completa?
Ela se torna plena de si mesma.
Ela se preenche com sua própria luz.
Ela se torna cheia, una, e por isso seduz.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Só descobre a caverna mágica, quem tem a coragem de empreender a viagem...

Há um lugar pouco explorado pelo homem.
Aparentemente é um terreno inóspito, de difícil acesso.
Muitos chegam a afirmar, inclusive, que lá se encontram seres monstruosos, dantescos, aterradores.
E por isso justificam não ter a coragem de lá aportar.

É, o local parece que realmente é difícil de encontrar e meio assustador, mas isso se deve ao fato de que os primeiros desbravadores desistiram nas primeiras investidas da caminhada e jogaram "os mapas", inicialmente formulados no lixo. Optaram por ficar apenas na periferia dessa área, no caminho mais simples e mais fácil.

A questão é que esse local é muito importante.
Lá estão guardadas informações maravilhosas sobre a vida, sobre o ser. É uma fonte inesgotável de experiências, de riquezas, de belezas mil. É lá que existe a fonte da vida e da saúde, da beleza e da riqueza no sentido das coisas do espírito, e não, materiais.

Só que o caminho para se chegar a esse local mágico é cheio de curvas, despenhadeiros, matos. Isso porque, á medida que o tempo foi passando, os homens terminaram por abandoná-lo devido a complexidade que era ali chegar. Outros, que até pensaram em se aventurar, fizeram construções completamente equivocadas, alterando o caminho, dificultando o percusso. É por isso que hoje ele possui um corredor tão escuro e assustador, o que faz com que muita gente ache melhor não insistir. 

Nessa caminhada até esse paraíso às vezes nos defrontamos com seres assustadores, aparentemente violentos, odiosos, perniciosos, que nada mais são do que o nosso próprio reflexo nas paredes da caverna. São os "monstros" que nós mesmos construímos ao longo do caminho e que, quando os deparamos, nos assustam. Por não querermos olhá-los, muitas vezes "damos ré" e saímos da caverna.

Uma outra coisa complicada é que para chegar nesse local a pessoa só pode ir sozinha. Não há como duas pessoas andarem pelo mesmo caminho. A viagem é solitária, individual. Mesmo que alguém até auxilie de longe, só o ser que adentra a caverna pode chegar ao fim da viagem. Por isso é preciso muita coragem.

Mas, para aqueles que resolvem enfrentar os "perigos da caminhada" a recompensa é gratificante.

No começo difícil, o andar vai se tornando aos poucos mais fácil. A caverna, antes completamente escura, começa a ganhar alguma claridade, vai se iluminando a medida que os passos avançam. Os fantasmas que apareciam projetados na parede da rocha vão diminuindo, perdendo força, porque por começarem a ser identificados um a um, deixam de assustar. Eles passam a ser nossos companheiros de jornada.

A partir daí jornadear sozinho pela caverna a dentro deixa de ser algo que preocupa, para se tornar prazeroso, desafiante, confortador. A cada passo um novo sentimento nos surge, a medida que vamos observando no clarear do caminho a extinção das sombras que antes habitavam ali. Aos poucos um sentimento de fé e confiança profunda começa a tomar conta do nosso ser. Algo que vem de dentro, como se nos deixássemos "contaminar" pela energia que vem da caverna.

Até que finalmente, um dia, chegamos ao local que procurávamos!
Uma paz imensa nos toma ao olharmos ao redor, no fundo da caverna, e descobrir que o poço não era tão fundo. Que eram os nossos medos e dificuldades projetados que dificultavam a conquista. Que lá, ao invés do vale sombrio, existe um ambiente de luz, colorido, repleto de vida, e vida em abundância: com córregos de águas translúcidas, canteiros floridos, escarpas verdejantes, árvores frondosas, cores encantadoras, dóceis animais.

Eles sempre estiveram ali esperando por nós. Mas foram os nossos medos e escolhas por caminhos "mais fáceis", que sempre nos afastaram desse pequeno pedaço do paraíso na terra. Um local onde finalmente podemos encontrar paz, serenidade, alegria e agradecimento por estar vivo, uma sensação de pertencimento como nunca sentida.

O nome desse local maravilhoso e mágico?
EU. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Madrugada ...


E a noite se vai.
Em plena madrugada uma lua minguante passeia no céu.
Uma brisa fresca acaricia meu corpo.
E mais um dia se vai.

Contemplo o céu iluminado
vejo as estrelas que brilham
observo as nuvens que deslizam serenas
sinto prazer em olhá-los.

E a noite avança calma,
findando mais um dia
Restabelecendo a energia
de uma alma que sonha.

Nada a pedir, e sim a agradecer.
A oportunidade de poder viver
De ver a lua serena definhar,
esperando ansiosa o dia dela voltar.

Eu já te disse que te amo?

Eu já te disse que te amo?  
Não?! Como pude me esquecer!
Se é esse amor que eu respiro, 
desde a manhã até o anoitecer.

Eu já te disse que te amo?
Sem ter noção do que fazer.
Sem entender o por quê.
Apenas por saber que te amo?!

Eu já te disse que te amo?
Pela humanidade que vejo em ti.
Pelo simples sentir
do teu coração junto ao meu?!

Se eu não te disse que te amo,
faço-o agora.
Faço-o sem demora.
Apenas para você saber.

*Texto escrito em 22 de agosto de 2014, durante o Festival A Letra e a Voz

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Chuva, lava o tempo ...

Lá fora a chuva cai.
Aqui dentro Betânia canta sua ode ao tempo.
E me pergunto: o que é o tempo?

O que é a vida?
Um mero minuto no espaço, na roda das eras.
Quem és tu, tempo? Amigo ou inimigo?
Que fazes tu comigo?

Lá fora a chuva aumenta, engrossa.
Cai, molha, renova.
Sim, a água e o tempo renovam.
Lava chuva, lava meu íntimo.
Leva aquilo que não sinto, devolve o meu eu.

Canta Betânia, evoca o tempo.
Esse senhor da vida e dos deuses.
Que seja ele o verdadeiro senhor dos nossos destinos.
Sejas bem vindo, tempo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

É muito fácil ser triste. Difícil é ter a coragem de ser feliz...

Hoje eu aproveitei a minha hora de almoço para dar uma boa caminhada aqui pelo bairro do Recife Antigo, e também aproveitei para ir refletindo numas coisas. Foi quando cheguei a nobre conclusão que dá título a essa postagem: é muito fácil ser triste, difícil é ter a coragem de ser feliz.
Tamanha conclusão só foi possível, graças a algumas reflexões, conversas com algumas pessoas, leituras de livros e de algumas postagens no facebook, pra ser mais exata (sim, porque facebook também é cultura em alguns casos...). Nesta minha última fonte de "inspiração" li hoje uma colocação muito bacana: "Viver não é um fardo. A forma como se vive é que pode se tornar um peso".*
Caminhando e cantando (literalmente!!) pelas calçadas centenárias aqui da parte velha do Recife me peguei concluindo que essa frase é muito verdadeira, daí a minha conclusão acima. Vejamos o porquê.
Ser triste é muito fácil.
Basta você assumir um aspecto lúgubre (sombrio, triste), ficar com cara de paisagem por onde anda, remoendo os erros, os defeitos, as falhas. É preciso também que você não faça nenhum forcinha para mudar os rumos do seu pensamento que ficam permanentemente girando em torno dos seus problemas, do seu umbigo, brigando com o povo, contigo e com o mundo. Junte a isso conceitos de "sou infeliz", "sou coitadinho", "nada na minha vida dá certo", "eu não presto pra nada", "eu não mereço ser feliz". E se você ainda quiser dar uma pitadinha a mais na coisa, basta deixar sua velha mania de "desistir fácil das coisas" tomar conta do pedaço. Pegue aqueles sentimentos de culpa, sim aqueles que você vive fugindo deles para não ter que encará-los e resolvê-los, e mantenha-os bem escondidos de si no "lixão" da mente. Pronto, você já é uma pessoa triste. 
Tem gente que olha o mundo de "olho enviesado" e não para pra pensar se isso não é consigo mesmo. Quer um exemplo?! Há quem só veja gente falsa e invejosa por onde anda, nunca acredita na boa vontade dos outros, nem que existam pessoas que façam algo desinteressadamente. Também tem aqueles que são "azedos" por vida. Se chove, tá ruim. Se faz sol, tá ruim também. Se tem comida em casa, reclama porque tem que cozinhar. Se não tem, fala porque queria ter o que comer. Reclama porque tem que cuidar da casa, fazer feira, andar de ônibus, trabalhar. Porque o elevador demora, a fila tá longa, o sol tá quente, a praia tem areia ....
Enfim, para algumas pessoas nada nunca está bom e elas não percebem que isso é uma forma de ser infeliz, por não conseguir ser grato ao que tem, ao que recebe da vida, ao que é. Essa insatisfação é mórbida e só reflete a sua situação interna. É muito fácil aderir a tudo isso porque são coisas que foram colocadas na cabeça da gente ou construídas por nós mesmos. São condicionamentos que foram edificados ao longo de muito tempo e basta um "pequeno gatilho" para que eles sejam acionados sem nenhum esforço nosso.
Agora, pra ser feliz dá trabalho.
Porque vai ser preciso que você saia de si mesmo, que venças o seu Eu. Isso significa tomar novas atitudes, decisões, descontruir crenças, correr atrás. E para isso é necessário sair do comodismo e da inércia. E isso as vezes dá um trabalho, um cansaço ....
Por isso digo que pra ser feliz é preciso coragem.
Coragem para olhar a si próprio como se é e amar o que vê.
Coragem para não deixar que Deus, a sorte, os orixás, o tarot, os espíritos ou quem mais for seja o responsável pelas suas escolhas, e sim, você mesmo.
Coragem para tomar decisões que vão mexer com a sua zona de conforto e fazer com que sejas o autor da sua vida, e não, o coadjuvante.
Coragem para vencer os medos insensatos que lhe paralisam, baseados em construções que não lhe servem mais como alicerces de vida e que só fazem lhe infelicitar.
Coragem para correr atrás de si mesmo, dos seus sonhos, seus desejos.
Coragem para reconhecer que sua vida está uma m... e que só você foi o responsável por isso.
Enfim, pra ser feliz é preciso ter a coragem de assumir: EU FAÇO DA MINHA VIDA O QUE ELA É, E SÓ EU POSSO MUDÁ-LA. E isso pede decisão. E decisão pede movimento. E movimento leva a ação. É o expandir, sair de si mesmo, olhar pra fora.
Ninguém, nem situação nenhuma pode lhe infelicitar, a não ser a forma como você encara tudo isso. Portanto, é dentro de si que mora o caminho para realmente ser feliz. No resgate do seu Eu Divino, da sua essência. O que falta é a coragem de mergulhar nesse universo, conhece-lo, amá-lo e conviver com ele em paz.
Há uma frase que diz: "só o que somos tem o poder de curar-nos".
Se queres ser feliz, trate de viver o que é, olhar o mundo com o que de melhor ele tem a lhe oferecer a partir do que de bom você mesmo doar para ele. Afinal, é dando que se recebe.
Ah, e boa coragem pra você!!
Bjs e bom fim de semana.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Quando a saudade vira canção.


São 23h33 desta quinta-feira e eu estou contemplando-lhe 
pela janela. 

A noite está encantadora, linda, serena, mágica. 
Uma paz imensa me toma.
Ao mesmo tempo uma saudade profunda invade o meu ser.
Olho pra você e me sinto saudosa. Do que? De quem?

Não sei. Não tenho resposta.
Apenas fico a sentir essa saudade.
E apenas olho-te na calada da noite.
E apenas contemplo a noite.

Quantas outras noites assim te admirei?
Quantas outras noites em ti me inspirei?
Em quantas luas me vi a sonhar?
Em quantas outras tive vontade apenas de amar?

Hoje que te contemplo mais uma vez,
deixo essa saudade ter vazão.
Porque se não posso asserená-la nem resolvê-la,
posso ao menos, tentar transformá-la numa canção.