quinta-feira, 30 de abril de 2015

Navegando no infinito ...


O infinito é algo intrigante.
Ele nos dá uma sensação estranha.
Uma sensação, as vezes, de algo inalcançável.
Ele nos leva também a desejar...
Algo que se queira alcançar,
algo que se queira buscar,
algo que se anseie ter,
algo que se deseje encontrar,
alguém que se espera tocar,
alguma coisa que se busque sentir.
O infinito tem a capacidade de deixar os olhos se perderem ao longe.
De fazer a mente viajar pelos horizontes.
E o pensamento navegar...

Azuis ...


O dia é azul.
O mar é azul.
A vida pode ser azul. 
Sentir pode ser azul. 
Amar pode ser azul. 
Se no azul me perco, eu emudeço. 
Me jogo na calma desse olhar azul. 
Serenos tons que enchem meus olhos, 
de uma tranquilidade intranquila. 
Que busca nesse mergulhar 
apenas asserenar.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Quem disse que Super-herói também não tem seus medos?


Olá pessoal!!
Não estranhem o título da postagem de hoje. 
É que ainda estou na empolgação do filme Os Vingadores 2 - A Era de Ultron, ao qual assisti no último sábado (25) com uma amiga. O filme foi tão legal que fiquei na vontade de fazer um texto sobre ele.

Mas não é da ação que eu gostaria de falar. Afinal, filme de super heróis tem que ter, e muita, ação né?! O que eu quero focar nesse texto de hoje é no lado humano do filme que passa desapercebido a muita gente. 

Já faz um bom tempo que não consigo ver um simples desenho animado sem tirar a tal da "moral da história", ou indo um pouco mais além, observar o contexto psicológico dos personagens: as nuances emocionais, comportamentais, essas coisas. E no Vingadores 2 o que não falta é esse contexto a ser olhado e analisado. Isto porque, o filme foca em três questões centrais pelo que percebi: a arrogância do saber, o medo e a força da união.

Entre os novos personagens que aparecem na película está a Feiticeira Escarlate, interpretada pela Elizabeth Olsen. Entre um de seus dons está a capacidade de invadir a mente da pessoa e criar alucinações, além de fazer emergir o que a pessoa tem de mais pavoroso no seu inconsciente, ou seja, os seus medos mais íntimos. E ela utiliza essa capacidade para "derrubar," em uma das batalhas, boa parte dos Vingadores. Da sua astúcia só escapou o Gavião Arqueiro, interpretado pelo Jeremy Renner, por ter sido vítima de ação similar e ter aprendido a se defender, no primeiro filme da série

O resultado então é surpreendente. 
Mesmo com toda aquela "pinta de heróis" de "durões" e "invencíveis", os personagens se veem obrigados a confrontar os seus inconscientes, onde acreditavam estar escondidos e enterrados os seus mais temíveis demônios, e a enfrentá-los. E diante de "seus monstros interiores" eles se fragilizam, se enfraquecem, se desestruturam. Cada um com um medo específico, por situações diversas, mas com o mesmo resultado: a paralisação e capitulação diante deles. Acostumados a olhar pra fora, lutar contra vilões materiais terríveis, eles ficam amedrontados ao se depararem com aquilo que mais temiam, os traumas não superados, os sentimentos de culpa não aliviados. 

E cada um vai reagir de uma maneira para superar o impacto dessas reminiscências. Há os que encaram de frente e falam dos medos que os rondam, compartilham; há os que vão em busca de aprofundar as respostas para superá-los; mas também existem aqueles que preferem continuar se entregando ao condicionamento mental do não merecimento, do coitadinho, e voltam a se esconder nos seus medos para não dar a volta por cima na sua existência, e terminam fugindo daquilo que poderia ser o remédio para sua superação.

A forma como eles encontram, em âmbito geral, para superar aquele ataque da Feiticeira Escarlate é unindo-se, fortalecendo o grupo na amizade e na confiança, para poderem lutar contra o tal do Ultron. Todos poderiam morrer ou não. Mas, eles perceberam que não seria "separados" que eles teriam alguma chance de vencer aquela batalha. E ai a gente começa a ter uma das sequências mais bacanas do filme que, lógico, não vou contar!!!

Mas quero ressaltar que toda a história se desenrola inicialmente pelo medo de um dos componentes que, ao ser alvo da ilusão da Feiticeira, vê um futuro aterrador. Na arrogância de achar que ele "podia mudar o destino sozinho", ele não conta pra ninguém sobre o que viu, cala o seu medo, e começa a agir por conta própria achando que a sua decisão é a melhor pra garantir a segurança de todos. Doce ilusão! Pois, foi justamente sua conduta centralizadora que desencadeou os problemas e terminou colocando todo mundo em risco. 

Aqui fica a lição de que a auto suficiência de nos vermos muito confiantes no nosso saber, achando que apenas nós temos sabedoria para encontrar a grande solução para tudo, que podemos resolver as coisas sozinhos, muitas vezes é mais danoso do que falar abertamente do que nos vai no íntimo e nos unir ao outro. Poderíamos evitar muitos dissabores se tivéssemos a humildade de pedir ajuda, de assumir nossos medos e fraquezas perante o outro, e de assumirmos que não sabemos de todas as respostas.

Assumir nossa fraqueza é a melhor forma de nos tornamos fortes para os embates da vida. Orgulho e vaidade, nessas horas, são os piores conselheiros. 

Portanto, se você ainda não foi assistir aos Vingadores 2 - A Era de Ultron, vá.
Vai valer a pena. Quem sabe você não se inspira e também vence os seus medos?!!

Bjs e boa semana.

sábado, 18 de abril de 2015

Um fim de tarde para se olhar ...

Um fim de dia.

Um mar de cores.
Uma certa melancolia.
Uma ausência de amores.

Finda o dia e com ele histórias.
Brinca o céu de colorir-se como a pedir memórias.
Parece querer eternizar-se nos olhos e na mente,
sobrepujando tudo aquilo que está ausente.

E enquanto a tarde brinca de colorir
num jogo de alegrar e divertir.
Ficam os homens espantados a olhar e perguntar:
quem ousou de cores o céu pintar?!

terça-feira, 31 de março de 2015

Em noites de luar ...

Em uma noite de luar o pensamento e o olhar vão longe.
Os olhos buscam o céu de uma beleza infinita tentando, em vão, traduzir o que vê para o coração.

O pensamento segue sem rumo certo, em busca de algo que não sabe o que é.
Enquanto o olhar se enche de azul e prata, o pensamento preenche-se de nostalgia.

A visão contempla embevecida o coruscar das estrelas, pequenos brilhantes que nascem no manto azulado.
O pensamento navega por mares desconhecidos, memórias perdidas no tempo.

Em noites de luar a vida ganha cores noturnas.
O mundo se descortina de forma diferente.
O espírito fica mais feliz, mais contente.
E toda ausência fica presente.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Como definir saudade?


As vezes me pergunto o que danado é a saudade.
E quanto mais me questiono, mas me vejo sem resposta.
Porque saudade pode ser muita coisa
E também pode nada ser.

Em alguns momentos saudade é a lembrança gostosa de algo que valeu a pena.
Essa vem com sabor doce, aquece o coração.
Mas se essa lembrança é de algo ruim e que vem acompanhada de dor,
deixa gosto amargo na boca e aperto no peito.

Tem saudade de coisas que se viveu,
de gente que já morreu,
de gente que tá viva ,
de gente que fez ou faz bem pra gente.

Tem saudade de lugares,
de cheiros e sabores,
de mundos e cores,
que foram só seus.

Tem um tipo de saudade que é mais complicada.
Porque ela é saudade do que a pessoa já foi.
É a falta que se sente de si mesmo,
porque no meio do caminho da vida, se perdeu.

Mas como é que eu vou definir saudade
com palavras que nunca me darão seu sentido real.
Se saudade é algo que não se toca, se sente
num sentimento só seu?!


*Pintura de Duy Huynh

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

De ontem para amanhã.

O que é o tempo?
O tempo é hoje não o é amanhã.
O que hoje fazia sentido, amanhã já se terá ido.
O que hoje era eterno, amanhã será perecível.

Ah, vida de tantas vidas,
Eterno vai e vem de uma eternidade
Com és linda, como és linda.
E como és infinita.

Nas folhas do tempo eu viajo.
O ontem já passou. O amanhã nem chegou.
Um hoje se faz presente. 
Pulsante, vivo, reluzente.

De ontem para amanhã
há o hiato de um hoje.
que se bem vivido e sentido
me levará longe.

Nos braços do vento me deixo levar.
No balançar da saudade recordar.
Na correnteza da vida pretendo estar.
Num barco cujo remo é meu e com o qual pretendo remar.

Pelos olhos de Deus


Fim de tarde.
Aqui tudo é silêncio. 
sentada à porta da varanda contemplo o céu que aos poucos perde seu azul para dar espaço ao ébano.
O único som que vem é da rua, longe, muito longe ...

Daqui a pouco as estrelas surgirão iluminando esse céu que adoro.
Uma bebida gelada refresca meu calor, nessa típica tarde de janeiro e de verão.
Nesse momento estou em paz.
E apenas curto a brisa fresca que chega mansa.

Lá fora, porém, sei que o mundo ferve.
As pessoas estão revoltas, agressivas.
Protestos, gritos, lamentos, choros.

E mais entendo a necessidade de estar em paz, calma, serena.
Aos poucos introjeto a importância de tudo olhar com o sentimento em equilíbrio.
Tudo sentir pelos olhos de Deus.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O mundo da minha janela ...

Deitada no quarto contemplo a janela.
Do lado de fora, as verdes folhas do jambeiro movimentam-se preguiçosas ao sabor do vento.
Em mim tudo é silêncio.
Os sons vêm do mundo.

Eis que vejo que o céu muda de cor.  
O azul dá espaço para o cinza.
As folhas do jambeiro agora contrastam com as nuvens.
E, de repente, pequenos riscos transparentes cortam a imagem que vejo da minha janela em direção ao solo.

É a doce chuva que cai.
Pequenos pingos que tocam levemente as folhas verdes do jambeiro.
Observo-a com o olhar de doce expectação e contemplação.
Um momento belo, singelo. Um momento só meu.

Mas a chuva não queria ali ficar. 
Não. O que ela queria na verdade era apenas passar.
Ela me fez lembrar que tudo na vida é um breve momento.
E que, sim, tudo também passa e tem seu tempo.

Volto a olhar para o mundo além da minha janela.
No rádio toca uma música doce.
O ventilador sopra uma brisa leve que apenas acaricia meu corpo.

Do lado de fora da janela as verdes folhas do jambeiro balançam alegremente ao som do vento.
O céu permanece em contraste cinza.
E eu aqui fico, apenas a olhar a janela.

Texto escrito no sábado, 17 de janeiro de 2015.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Obrigada 2014. Que venha 2015.

E o calendário dos homens informa: faltam poucas horas para o final de mais um ano.
Encerra-se 2014. Começa 2015.
Fecha-se um ciclo. Abre-se outro.
Termina uma etapa. Outra tem início.
E assim regem os homens a sua vida, pelo iniciar e concluir de fases, etapas, ciclos.

No fundo nada muda, porém o passar dos dias do calendário faz com que haja um trabalho muito mais psicológico do que físico em nós. Mentalmente é como se nos livrássemos de algo que já foi muito usado, que já deu tudo o que tinha que dar, está desgastado, para adquirir, tomar posse de outro novo, zerado.

E 2014, certamente, é algo que muita gente vai querer "descartar" da memória e, se possível, do calendário mental. Mas, será que de fato ele foi tão ruim assim?!!!
Vamos pensar juntos...

Conceitua-se um ano como bom se tudo sair "conforme desejamos": se tudo estiver certo em nosso emprego, se não tivermos nenhum problema de saúde, se não houver nenhuma morte na família ou próximo de nós. Se não houve grandes intercorrências em nossa existência definimos esse ano como "um bom ano".

Porém, quando num período de 365 dias nós obtemos perdas, sejam de pessoas próximas, emprego, relacionamentos; se passamos por privações ou por problemas de saúde que nos preocuparam, imediatamente taxamos aquele ano como sendo um mau ano.

Para muita gente, não tenho dúvidas de que 2014 se enquadra na segunda categoria acima citada. Mas, será que nós poderíamos defini-lo de forma tão simplista assim? Será que não há nada de bom neste período que finda nesta quarta-feira?

Eu acho que há.
É uma limitação do ser humano observar as coisas a partir do seu próprio ego e da satisfação do mesmo. Tudo o que o agrada é bom. O que o contraria é mau. Entretanto, a dualidade é um característica da vida e de tudo o que acontece nela, incluindo os acontecimentos que nos chegam.

Acho que o "grande lance" não é o que ganhamos ou deixamos de ganhar ao longo de um ano, mas sim, o que aprendemos com tudo aquilo que nos aconteceu nesse período. Que aprendizados a vida nos convidou a fazer? E nós, soubemos aproveitá-los? Agarramos a oportunidade para crescer, nos transformar, fazer as mudanças necessárias?

Vejo que um dos grandes ensinamentos de 2014 foi o desapego.
Foi preciso desapegar de coisas, de pessoas, sair do comodismo de sermos "dependentes" de algo ou de alguém para ser e existir. Muitos pseudos "alicerces" de nossa segurança foram colocados em xeque, fomos jogados no mar bravio da dúvida, do medo do desconhecido. E esse desconhecido, em muitos casos, eramos nós mesmos. 

Também foi preciso desapegar de velhos conceitos, costumes, de velhas armadilhas do nosso Ego, de algumas de nossas máscaras. E isso incomodou e muito. A vida parece que resolveu sacudir todo mundo do lugar cômodo em que se encontravam, do marasmo da mesmice, da acomodação. A palavra de ordem deste ano foi: acorda!!!

Eu, particularmente, termino 2014 com um profundo sentimento de gratidão, de agradecimento pelos 365 dias que vivi.

Quantas descobertas importantes, libertações, encaminhamentos, novos direcionamentos esse ano me proporcionou. Alegrias, dores, sorrisos, lágrimas, falas, silêncios, términos, reinícios, encontros, desencontros. Teve de tudo.
E foi um ano lindo.

Por isso acho que é preciso ampliar nossa visão do que seja a vida.
Precisamos sair do imediato, da ilusão do que os "olhos querem ver do lado de fora" para fugir do que incomoda do lado de dentro, para aprendermos a ler nas entrelinhas dos acontecimentos as verdadeiras histórias a serem contadas e narradas.

Viver é um desafio constante. Porém, mas desafiante do que os fatos materiais que cercam nossa existência, é perceber aqueles que estão em nosso íntimo, esses sim, os verdadeiros balizadores de nossas alegrias ou desventuras.

Por isso, convido você a repensar sua análise de 2014 e, mais ainda, projetar para 2015 aquilo que desejas que seja diferente. Serão as suas emoções e sentimentos os grandes "demarcadores" dos seus anos bons ou maus. Escute-os e, garanto, você não vai se arrepender.

À você que, ao longo desse ano que finda, acompanhou minhas mal traçadas linhas desejo que o novo ano não "nasça" apenas em seu calendário, mas acima de tudo, dentro do seu coração.

Obrigada 2014. Que venha 2015.
Um bj grande e até o ano que vem!
Xanda