quarta-feira, 16 de maio de 2012

A importância do alvorecer em nossas vidas.

Hoje ao acordar às 4h50 da manhã, como sempre faço desde que voltei a trabalhar em rádio, me levantei como de costume e após vestir-me fui para a varanda olhar o alvorecer. Da varanda não tenho o prazer de ver o sol saindo, porém posso contemplar a beleza do clarear do dia.

Hoje, particularmente, uma cena linda me motivou a fotografar o céu. 
O dia nascia e uma lua minguante acompanhava serenamente a chegada do sol. Pequena, mas brilhante. E o céu antes negro começava a se tonalizar de amarelo para depois chegar à sua cor natural o azul.

Foi impossível não correr e pegar a máquina para registrar isso.
Era um momento tão mágico, tão bonito, que tive até medo de falar para não quebrar o seu encanto.
Que coisa linda ver a noite indo embora e o dia chegando, devagarinho, devagarinho, com aquele pontinho de luz lá em cima.

A lua minguante no céu meio que insistia em permanecer ali para poder se encontrar, nem que fosse por alguns minutos com o astro rei. É como se ela quisesse dizer para ele: "Estou aqui para brindar à sua vinda, meu amigo, para te dizer 'sejas bem vindo'. Vem e assume o trabalho de iluminar esse mundo. Posso não ter o teu brilho, amigo sol, mas permaneço determinada a ofertar a minha luz até o último momento, até o apagar das minhas forças, para fazer com que essa noite não seja tão escura".

E mais uma vez me peguei a pensar na simbologia e na similitude do ciclo da natureza com a nossa existência.

Algumas pessoas são como a pequena lua minguante que brilhava na manhã desta quarta. Lutam até o fim, persistem, insistem em seus sonhos, em ideias em benefício do próximo, de uma comunidade, de uma sociedade nos momentos mais escuros, mais difíceis, para tentar fazer as coisas acontecerem, mudarem. E esperam contentes a chegada do alvorecer de um novo dia, quando as coisas começam a se materializar, as mudanças a se concretizar. Se alegram e recebem de braços abertos a alvorada que chega esperançosa, na certeza de que dias melhores começam a surgir depois de tanta sombra e dor.

Outras pessoas sentem a noite dentro de si quando estão passando por uma grande dificuldade. Sim, porque há momentos na vida em que o nosso céu interno literalmente "escurece": o medo nos toma, a incerteza nos apavora, o desconhecido nos assusta. Vemos tudo "negro", não encontramos nem uma chama de um fósforo para diminuir o nosso desespero, a nossa sensação de pânico, diante de algo que nem sabemos o que é, ou que parece se delinear pela frente, mesmo quando não temos a certeza de que ele vai ocorrer. 

Mas, de repente, a gente não sabe de onde, nem como, começa a surgir dentro de nós uma luz. Pequena, leve, algo inicialmente imperceptível mas que devagarinho começa a nos tirar aquele pânico e pavor. Que vai nos fazendo abrir os olhos e perceber que a noite não está mais tão densa, tão escura. Não. Tem uma luzinha surgindo, brotando, clareando o caminho antes tenebroso e que vai nos trazendo uma sensação diferente, de alívio. E quando ela se consolida dentro da gente ai é só abrir os braços e esperar a alvorada do novo dia chegar para darmos às boas vindas ao sol.

Essa luzinha, similar a da pequena lua minguante que tava no céu de hoje, é a esperança. E quando ela se instala muda tudo. Renova energias, resgata a alegria, fortalece a determinação de seguir em frente, nos mostra novos caminhos, ilumina nossas consciências.

Meio como a imagem da luz dessa manhã. 

Só sabe o valor de uma aurora quem já viveu a escuridão de uma noite interminável.

Por isso, momentos da natureza como o de hoje são dignos da nossa contemplação, admiração e alegria, pois demonstram que não estamos sós. Há algo ou alguém que colore o céu, criou a lua e ainda aquece a vida com os raios do sol só para nos encher de esperança e fé em dias melhores.

Ainda bem que alguém teve essas brilhantes ideias.  ;)




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Parabéns às mulheres que gestaram pelo coração


Oi gente
Nem ia escrever essa semana, mas deparando-me com um lindo texto que li sobre a adoção, intitulado “Vamos, filho?!?”, me deu uma vontade danada de vir aqui. 

Final de semana chegando e o povo já na correria para homenagear as responsáveis por eles aqui estarem: as mães.

Todas elas são dignas de nosso carinho, gratidão e apreço, afinal, se elas não houvessem concordado em nos receber em seus ventres, não estaríamos aqui. O ventre, aliás, é um dos órgãos mais abençoados de uma mulher pelo "poder" e força que ele possui de gerar vida, de ser co-participe do trabalho do Criador na reencarnação de diversos espíritos para uma nova experiência carnal. É por aqui que fazemos nossos aprendizados e aferições de crescimento moral e intelectual, por isso, para cá precisamos voltar.

Mas tem algumas pessoas que vão mais além. Elas não se limitam apenas ao processo de "amar o que foi gerado do seu ventre". Não. Elas vão mais adiante. Elas conseguem amar o que vem de fora de si, o que não "saiu de suas entranhas". 

Elas amam filhos que foram gerados por outras barrigas. Que elas nunca viram, nem sabem quem foram. São as mães adotivas. Aquelas que conseguem ofertar a uma criança orfã a benção, não de uma casa, mas de uma mãe.

Sim, porque dar uma casa é fácil. Eu pego o pirraia, dou banho, um teto com uma cama limpa para ele dormir, roupa, comida, escola. Isso é fácil de dar, basta ter dinheiro.

Mas dar amor, carinho, cuidado, zê-lo real e afeto é outra história. 
E tem muitas mulheres que vão além da casa. Elas recebem esses meninos e meninas como seres gerados dentro de si, porque elas os recebem com o coração. Não importa a cor da pele, dos olhos, o tipo do cabelo. Elas os ama independente de qualquer coisa. Isso sim, é o real amor de mãe, incondicional.

A adoção do coração não é algo que se explique. Acho que só quem já passou pela experiência pode entender isso. É algo que simplesmente ACONTECE. Você olha para uma criança e de repente teu coração se eternece, se encanta. Vem logo uma vontade de pegá-la no colo, de fazer um dengo, um afago. Seu coração fica em festa quando vê aquele sorriso só pra você, seja daquelas bocas "banguelinhas" dos bebês, seja de um menino ou menina já grandinho. E quando se está distante, a saudade marca presença. Basta você ver alguma outra criança que se assemelhe a ela ou ele para o coração ficar apertado, apertado.

E quando você começa a ganhar a confiança delas? Quando elas se jogam nos seus braços com a certeza de que serão amparadas, quando elas se agarram em sua saia com medo buscando proteção? Que sentimento gostoso nos toma. Que alegria saber que elas começam a sentir o amor que estamos doando para elas.

Enfim, só sei que adotar com o coração é assim! 

Tenho pena quando vou fazer matérias sobre adoção e vejo as exigências que alguns casais fazem para receber um pequeno em casa: tem que ter olho azul, ser branco, cabelo liso, louro. Alguns vêm com a desculpa de: é para evitar constrangimentos para a criança na escola. Já pensou, ele negro chegar com um pai branco? E ele branco, filho de pais negros?? Será que o motivo, de fato, é a preocupação com a criança? Esses, me desculpem a sinceridade, não estão querendo realmente ser pais e mães, mas apenas ter um ser para "mostrar para os amigos".

Outras pessoas não podem ter filhos biológicos por motivos diversos, mas quando se fala em adoção desconversam: não, quero um filho vindo do meu sangue. Sei lá quem foram os pais que geraram essas crianças?? E se for um marginal? Como se laços co-sanguíneos determinassem índole de quem quer que fosse. São ainda aqueles que estão tão presos ao seu próprio egoismo que mesmo na dor, não conseguem abrir-se para o outro. E continuam sem saber porque não podem gerar uma criança ...

Mas tem gente que simplesmente escancaraaaaa o coração!
Não importa de onde a criança venha, o sentimento que lhe chega é : esse é meu filho, essa é minha filha.

Por isso dedico esse meu post de hoje a essas mulheres.
Parabéns!!!
E se você que estiver lendo essas maus traçadas linhas for um filho ou filha de uma dessas mulheres, meus parabéns!! Você acertou na loteria sem saber. Neste domingo, dê um grande beijo e abraço nessa mulher que teve a coragem de vencer a barreira do sangue e deixou-se "engravidar pelo coração".

Parabéns a todas as mulheres que são mães, às que estão prestes a sê-lo, e às que ainda serão.
E para àquelas que não podem gerar filhos?
Só não serão, se não quiserem. 
Essas podem começar a gestar a ideia de adotar pelo coração. 
Bjs


domingo, 6 de maio de 2012

Vamos iluminar a nossa sombra?

Oi gente!!
E ai, viram a lua??
Rapaz, não sabia que haviam tantos "lunáticos" assim no mundo. kkkkkkkkkkkk
A lua cheia deste final de semana foi "sucesso de público". Nem precisei avisar por email!!   =)
Mas ela estava majestosa realmente. Um presentão para todos nós.

Vocês já estarão "carecas" de saber que amo vê-la. Todo mês fico de "cara pra cima" só contemplando-a.
Quando ela está de frente para a varanda do meu apto. é da rede que a paquero.
Acho muito bonita a simbologia da lua. E ela possui várias.

Uma das coisas que mais gosto na lua cheia é a simbologia que ela nos traz da luz que vara a escuridão.
A noite é algo escuro, mas nas de lua cheia ela se transforma, se ilumina, fica clara, azulada.
Quando se está fora da cidade em locais com pouca iluminação ai é que pode se perceber como ela transforma o anoitecer. E faz com o que antes não era visto, passe a ser claro, perceptível.

Isso também acontece com a gente.

Temos um lado escuro que a psiquiatria denominou de sombra, ou seja, aquilo que está oculto, escondido, guardado. "É o centro do Inconsciente Pessoal, o núcleo do material que foi reprimido da consciência". Nessa tal de sombra fica tudo o que a gente é mais não gosta, tudo o que aconteceu conosco e que a gente não processou de forma correta, e também aquilo de bom que temos e não descobrimos por não sermos educados para olhar para isso.


É na tal da sombra que ficam armazenados nossos conteúdos advindos de experiências diversas, principalmente aquelas que nos causaram grandes choques e que a gente resolveu "esquecer", sem esquecer realmente. 

Pois esse lado escuro que nos acompanha é o responsável pelos nossos comportamentos e atitudes. Quando não o iluminamos com a luz da consciência ele nos aparece pavoroso, desesperador. A tal da sombra vira o nosso "inferno pessoal", pois passa a comandar a nossa vida determinando como vamos ser ou deixar de ser. Ela nos faz projetar no outro a nossa própria "mazela". Nos faz ter medo da vida, das coisas, das pessoas. A ver o outro como um inimigo, alguém a quem tenho que derrubar, destruir, vencer.


É a sombra que nos afasta das pessoas. Quando não vasculhamos o seu conteúdo, quando não entendemos e conhecemos o que se passa dentro de nós vamos nos afastando das pessoas com medo de sermos vistos, identificados, reconhecidos. Nos afastamos até de nós mesmos. As experiências mais traumáticas que não trabalhamos corretamente, que não falamos sobre elas, que não as compartilhamos com alguém vão se esconder na sombra e começam devagarinho a nos "minar por dentro". Vamos perdendo o interesse pelas coisas, pessoas, pela vida. Perdemos o interesse por nós também. Vamos ficando cada vez mais escuros, amargos, azedos. Passamos a ter medo de nós.

Numa composição interpretada pelo cantor Fagner, o autor bem define aquilo que acontece quando a gente não assume ou trata dos sentimentos que nos incomodam e ficamos "empurrando-os para debaixo do tapete" achando que escondendo-os vamos nos livrar deles: "Quando a gente tenta, de toda maneira, dele se guardar... sentimento ilhado, morto e amordaçado... volta a incomodar"! E quando voltam, vem com tudo ...

Mas, quando permitimos que a luz da coragem, da consciência e do auto encontro se derrame sobre nossa sombra ai a gente começa a ver que ela não é o "bicho papão" que aparentava. E a gente tem muito bicho dentro da gente, ah se tem!!!!

Tudo o que a gente identifica, enxerga e compreende deixa de ser assustador (menos um tsunami né?!).
Mas, brincadeiras a parte, gosto da lua por causa dessa analogia que ela me traz: não importa o tamanho da escuridão que esteja em mim, em algum momento a luz vai chegar e iluminar tudo e ai eu vou ver e sentir que aquilo que me assusta também tem beleza, também tem utilidade, porque sou eu mesma.

E eu posso, deixando-me iluminar pela luz, passar a conviver de forma tranquila com a escuridão, sem medo, sem receio, fazendo com que cada vez mais o que parece ser um terreno árido e assustador se transforme em um local claro e acolhedor.

Tem coisa mais acolhedora e mais bela do que uma noite estrelada e com lua cheia?!  =)
Que o brilho da lua que fez nesse final de semana possa entrar em cada um de nós e acender os pirilampos da compreensão e da esperança nos nossos medos e receios.
Bjs e boa semana para vocês.


"Não há quem chegue à luz sem antes ter enfrentado e assumido sua própria escuridão"
(autor desconhecido)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O que será que eu amo quando digo que te amo?


O que é que eu amo em você quando afirmo que te amo?
Essa é uma boa pergunta.


Por que o simples olhar para teu rosto numa foto me aquece o coração?
Por que o simples lembrar do teu olhar e sorriso me comove até as lágrimas?


O que é que eu amo em você quando afirmo que te amo?
Rubem Alves nos diz em uma de suas obras que "amamos no outro aquilo que ele pode nos facultar ser", ou seja, aquilo que eu penso que sou ou serei se estiver ao lado da pessoa que me desperta o desejo. É o processo da projeção, daquilo que imaginamos no outro e que pode ter correspondência em nós mesmos.


Por isso volto a perguntar: o que será que amo quando digo que amo você?
Será que eu amo o sentimento de completude que você me faculta?
Será que amo a sensação de poder que sua presença bonita me traz?
Será que amo a tua humanidade e que eu também gostaria de sentir em mim?


Será que te amo porque me dás prazer em fazer coisas pequenas como uma ida ao supermercado ou o compartilhamento da prepação de uma refeição?
Será que te amo porque me facultas sorrir como uma criança feliz?
Será que te amo pela doçura e simpatia que irradias e que me inspira a buscá-la dentro de mim, já que ainda não a possuo?
Será que te amo porque me vejo em ti, na vontade que tens de ser alguém melhor?


Ou será que te amo porque em ti vejo meus próprios medos?
Porque enxergo em ti a mesma fragilidade que me toma?
Será que te amo porque me vejo nas tuas dificuldades?
Ou porque enxergo em teus olhos a mesma sensação de estar "perdido" que aparecem nos meus?
Ou porque vejo em ti a mesma covardia em lutar pela felicidade que as vezes me assola?
Será que te amo porque vejo em ti o meu próprio reflexo, de alguém que queria apenas ser feliz?


Seja qual for o motivo, sinto apenas que te amo. Com fragilidades, medos, angustias, alegrias, prazer, tesão, admiração. Eu te amo.


Mas, o que será que eu amo realmente quando digo a mim mesma que te amo?!



terça-feira, 17 de abril de 2012

E ai, você está disponível?!

Olá!!
E ai, tudo bem?

Está estranhando a chamada do meu texto de hoje? Calmaaaa.
Não é nada disso que você está pensando. kkkkkkkkkkkkkkk

Meu questionamento inicial parte da leitura de um texto de um livro adquirido no último final de semana, quando fui para um evento no interior de São Paulo. Peguei a obra que estava em exposição na livraria do evento e, quando abri-a cai de frente com um capítulo que tinha como título "Disponível?".

Achei graça e, claro, assim como você que recebeu esse meu e-mail fui tomada pela curiosidade e comecei a ler o dito cujo. E lá estava uma reflexão fantástica sobre a forma como nos colocamos "à disposição" da vida para que ela faça o seu trabalho em nós.

Tem muita gente que vive brigando com a vida. Ela vai levando a pessoa para um determinado caminho, mas ela quer outro.
Ela tira da pessoa algo ou alguém, mas a criatura fica querendo viver "agarrada" ao que foi, passou, perdeu.
Tem gente que por mais que a vida lhe mostre o caminho a seguir, o cristão insiste em tomar o rumo errado e depois não sabe "porque as coisas não estão dando certo" ...

Tem gente que se fecha pra vida depois de uma perda, de uma derrota, de um desgosto.
Tem gente que não se abre de jeito nenhum para dizer o que lhe vai no íntimo, para falar das angustias, dos medos, dos sentimentos de culpa e remorso. E vai perdendo o viço, a alegria de viver, as oportunidades que lhe chegam sejam profissionais, amorosas ou sociais. Vai "azedando" sem perceber.

Tem gente que lamenta tanto o que perdeu que não consegue apreciar o que tem no momento.
Criamos tantas expectativas sobre como as coisas e as pessoas devem ser que esquecemos de viver e aproveitar o mundo real, o que nos chega, mesmo que não seja exatamente o que queríamos.

Desejamos que as coisas venham para nós, sem esforço, mas não nos disponibilizamos para ir atrás delas, para lutar por elas. Nos acovardamos diante da vida e das situações.

E por isso volto a perguntar: você está disponível?!

Você está disponível para que a vida lhe sorria da forma como deve ser?
Você está disponível para amar e se deixar ser amado?
Você está disponível para tentar de novo, mesmo que tudo tenha dado errado antes?
Você está disponível para voltar a se sentir leve, sem culpas, remorsos, medos?
Você está disponível para correr atrás dos seus sonhos, dos seus amores, da sua vida?
Você está disponível para, finalmente, começar a viver?

Porque se não houver essa disponibilidade íntima dentro de cada um de nós, vamos deixar o barco da vida passar e perderemos as paradas nas estações em que deveríamos ter descido restando-nos depois apenas lamentar e chorar o tempo perdido.

Por isso eu espero que todos nós possamos nos "disponibilizar" para a vida e começar a vivê-la com vontade, desejo e tesão. Sim tesão. Porque sabiamente diz o ditado: que sem tesão, sem vontade, sem gosto de se fazer as coisas, não há solução!

Pense nisso!!!
Bjs e boa semana

DISPONÍVEL?

"Você está disponível?
Fazer essa pergunta assim, do nada, pode deixar margem a interpretações equivocadas sobre as minhas intenções... Aliás, interpretar equivocadamente é aquilo que mais sabemos fazer, na vida ou fora dela.


Sabe por que? Por um motivo muito lógico: nós só ouvimos ou entendemos aquilo que queremos. E como não ficamos muito bem situados quanto às nossas "querenças", acabamos por tomar isto por aquilo e aquilo, por aquilo outro...


Precisamos fazer um exercício difícil, mas extremamente necessário: o exercício do desprendimento de nossas expectativas.


Isso de esperar que venha de lá aquilo que achamos que deva ou que queremos que venha nos impede de abrir os braços para o que a vida tem para nos dar ou para o que devemos receber. E olhe: por vezes, o que nos oferecem é sempre mais do que merecemos...


Por isso volto à pergunta: você está disponível? Disponível para dar e receber sem esperar demais? Para aceitar a vida e suas surpresas, embora não seja exatamente aquilo que você queria?


Você estará disponível, enfim, para deixar de lado tantas "querenças" e aceitar as ofertas que lhe fazem?


Veja que, apesar de tudo, você ainda vai me interpretar mal e muito mal. Sua cabeça só funciona quando guiada pelo que veem os seus olhos. Entretanto, uma coisa eu asseguro: às vezes, só conseguimos enxergar bem, de verdade, com os olhos fechados..."

Texto do livro Mente Aberta
Espírito Bento José/médium Pedro Camilo


domingo, 4 de março de 2012

O tempo e a saudade

O que é o tempo?

Algo que trabalha a favor da vida sempre.

Dizem que o tempo é o melhor remédio para as feridas. É verdade. Elas cicatrizam.
Dizem que o tempo é o melhor remédio para a saudade. É verdade. Mas nem sempre.

Às vezes a saudade perde apenas a intensidade, mas não deixa de existir. Ela fica lá quietinha, resignada, guardada. Basta uma pequena faísca para ela reacender.

O tempo as vezes assusta. Quando ele passa a ser contado em segundos, minutos e horas para que algo aconteça.

Outras vezes ele é benção. Quando esses minutos e segundos significam que o tempo chegou, que tudo se concretizou, que a vida passou a existir. Que ainda há tempo para viver, aproveitar, refazer e agir.

Às vezes tempo é ansiedade. Quando certas coisas não dependem de nós para serem mudadas.

Outras vezes ele é lamento. Quando sabemos que ele segue em frente e que algumas coisas não mais voltam.

O tempo pode ser companheiro ou carrasco. Dependendo da forma como nos relacionamos com ele.
Quem vive em função da espera, faz do tempo seu algoz.
Quem vive independente do tempo faz dele seu aliado.

Seja qual for o dia ou o tempo, o fato é que a vida pede tempo:
- tempo de parar e refletir;
- tempo de fazer e agir;
- tempo de chorar e pensar;
- tempo de viver e ser feliz.

Não importa qual seja o seu tempo. O que importa é o que você fará do tempo que a vida lhe concede.

E a saudade? Ah, a saudade pede tempo.
Um tempo que não tem definição. Que pode ser pouco ou muito tempo.
Que pode até não dar tempo para que ela deixe de existir.

Tempo e saudade. Parceiros de vida. Resultados do viver.
Fazem parte de minha vida. Isso também é viver.




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Refletindo sobre a dor para renovar a fé

Oi meu povo!
Fim de domingo, semana prestes a começar e a gente torrando de calor aqui pelas bandas de Pernambuco. Tudo bem que isso aqui é uma terra "quentura", mas não precisa levar isso ao pé da letra e "torrar a gente viva". Vote! Nesse momento não corre uma brisa sequer para amenizar o calorão.

E vocês como estão? 
Espero sinceramente que bem.
Mas se algum daqueles que estiverem lendo essas "mal traçadas linhas" não estiver tão bem assim ou passando por algum momento difícil, continue lendo porque é disso que vamos falar hoje: dos momentos de dificuldades.

Só um doido em sã consciência diria: eu adoro sofrimento ou momentos difíceis.
Vamos ser sinceros: por mais que a gente saiba que esses momentos são importantes e servem para o nosso crescimento, no fundo a gente torce para não passar por eles.

Acho até que muita gente se torna religiosa para ver se "Deus o livra do pecado e da dor" que pode ser em si mesmo ou naqueles que lhe são caros e próximos. Vira "beato" de centro, de igreja, de terreiro, oferta religiosamente o dízimo (até com 10% a mais como gorjeta pro Homem lá de cima), desde que ele faça com que a nossa vida seja "um mar de rosas", que voemos "em céu de brigadeiro" no jargão aeronáutico.

Mas, ai é inevitável. A dor chega e nas mais diversas formas.
Pode ser numa doença que acomete o nosso corpo.
Na perda de um emprego.
Na morte de um ente querido.
No adoecimento de alguém, amigo ou parente, que queremos bem.

E ai, aquele que antes se dizia devoto, fiel, crente, defensor ardoroso desse ou daquele credo ou dogma começa a se desesperar e a brigar com o Homem lá de cima:
"Como é que é isso, Deus? Eu pago meu dízimo certinho, todo mês. Eu frequento todo dia o centro espírita lá perto de casa. Eu faço campanha da caridade. Eu sou devota de Maria. Eu cuido da quermesse que traz dinheiro pra igreja todo ano. Eu dou passe e trabalho na mediúnica socorrendo os espíritos infelizes. Eu sigo a palavra, nem assisto mais televisão que é coisa do demônio e o Senhor não me livra do sofrimento? O Senhor deixou meu filho virar um viciado? O Senhor me deixou pegar essa doença? O Senhor deixou matarem meu filho, meu marido, meu pai?"

E ai começa a "peleja do diabo com o dono do céu", como diz a música.

O mais interessante é que essas indagações e revoltas, na grande maioria dos casos, são de pessoas ditas cristãs. Ora, se são cristãs é porque são seguidoras do Cristo. E se são seguidoras do Cristo elas também sabem que se tem uma coisa da qual o Mestre não fugiu e não deixou de ter foi dor. Ora, se ele que não tinha nem um pedaço de cutícula de carma para queimar passou pela danação que passou, porque é que nós, que ainda estamos cheios de mazelas, de erros, de orgulhos, vaidades e egoismo dentro do coração e fazemos besteira todo dia, não vamos ter que passar pelas nossas provações?!

O mais interessante também é que todo mundo adora cultuar a imagem de Jesus na cruz, ali pendurado, todo estropiado, coitado. Tem gente que até que tem uma daquelas que a imagem parece estar viva dentro de casa. Mas, na hora que quem tem que carregar a cruz é ele mesmo, ai é um tal de Deus nos acuda, e tome querer abrir de carreira para fugir dela. Parafraseando uma colocação feita por um amigo espiritual lá de onde trabalho: ninguém quer carregar o seu "cabide de problemas", mas sim, deixá-lo na igreja, no templo, no centro espírita ou de umbanda para que os outros o carreguem!!!

Me lembrei agora da passagem em que Jesus perguntou para a mulher que queria que os filhos fossem privilegiados entre os seguidores Dele, se os jovens tinham condições de "sorver o cálice que ele sorveria". Porque ele sabia que quem quisesse segui-lo teria que passar por momentos difíceis motivados pela necessidade de "drenar" todo o primarismo existente em si, toda a dureza de coração, para deixar brotar o homem mais cristão e humanizado. Mas, como sempre, a gente só quer se ater àquela parte da homilia quando o sacerdote diz: "que Jesus foi crucificado para retirar todos os nossos pecados e nos livrar da dor". Essa parte é boa e a gente gosta sempre de repetir, né?!

Pois é.
Sabe qual é o problema?
É que a gente ainda não entendeu Jesus não veio nos "tirar a dor", mas sim nos ensinar como passar por ela, como fazer para suportá-la. Com resignação, esperança, fé, as vezes até com alegria porque quando a dita cuja chega é sinal de que alguma coisa está sendo depurada em nós, mudada, modificada. Que tá na hora da gente dar um passo à frente, aprender algo, alterar algum rumo. 

Na Doutrina Espírita, que faz parte da minha vida já há alguns anos, a gente aprende que a "dor é o momento do crescimento". E como todo crescimento, inevitavelmente, isso dói. Quando a gente está crescendo, na fase infantil, não sentimos dor nas articulações da perna por causa do "espichamento dos membros" (eu tinha muitassss dores quando era menina)? Pois é. A mesma coisa acontece quando o crescimento precisa ser em nível moral.

E antes que alguém diga que "espiritismo faz apologia da dor" porque diz que quem sofre é porque está se depurando, digo logo: nada a ver. Porque sofrimento que não gera transformação para melhor, mudança de atitudes, de rumos de vida, de formas de ser e de pensar, não fez nada. Quem sofre com raiva porque tá sofrendo, também não tá fazendo nada por si. Tá só perdendo energia e tempo. 

Hoje em dia há uma palavrinha muito em voga para identificar as pessoas que sabem administrar as pressões da vida. Chama-se resiliência. Para quem não sabe o que ela significa ai vai o significado segundo a Wikipedia:


"Resiliência ou resilência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material - como um elástico ou uma vara de salto em altura, que verga-se até um certo limite sem se quebrar e depois retorna à forma original dissipando a energia acumulada e lançando o atleta para o alto. (...)


(...) Atualmente resiliência é utilizado no mundo dos negócios para caracterizar pessoas que têm a capacidade de retornar ao seu equilibrio emocional após sofrer grandes pressões ou estresse, ou seja, são dotadas de habilidades que lhes permitem lidar com problemas sob pressão ou estresse mantendo o equilibrio".


Ou seja, no caso do nosso papo de hoje, ter resiliência é passar pelas adversidades sem deixar "se quebrar por elas". É passar pela dor e tirar dela o aprendizado fazendo como a vara de salto em altura que enverga até o chão, mas não se parte, ou seja, não se desespera, não se revolta, não perde a fé.

Quem tem resiliência não perde a alegria de viver, mesmo tendo alguns momentos tristes. Mantêm a fé e a confiança, a esperança de que "isso também passa". 

Independente de qual seja o nosso credo o importante, para quem tiver tido a paciência de ler esse texto até o fim, é saber que "depois da tempestade sempre chega a bonança".

As grandes mudanças em nossas vidas podem acontecer depois desses momentos complicados se soubermos aproveitá-los, tirar deles os aprendizados, ou seja fazer a pergunta certa: o que esse momento de dor está querendo me ensinar, me dizer? O que tenho que aprender?

Sofrimento para ser útil tem que ter nossa participação ativa e consciente para superá-lo, ai sim, acontece o aprendizado que vai fazer a diferença na nossa vida daí pra frente. 

Volto a dizer: dor não é um troço bom. 
Eu mesma não gosto. Tenho um medo dela "que me pelo", como dizemos aqui no nordeste. Ela incomoda, envelhece e machuca, sim. E não é porque sei que somos espíritos eternos que não a temo. Dor nunca foi comigo, confesso.

Porém, já que é inevitável passar por ela, pelo nosso estado evolutivo atual, que pelo menos nossas orações ao Homem lá de cima sejam: "Senhor, se não posso me afastar do cálice, pelo menos me dê forças de sorvê-lo até o fim sem revolta e tirar dele o aprendizado que vai fazer meu espírito se transformar num ser humano melhor". 

Esse ultimamente, tem sido o teor das minhas orações com o Homem lá de cima.

Desejo a vocês uma semana cheia de esperança, força, coragem e fé, muita fé. 
Bjs
Xanda


LEMBRE (Grupo Semente)
Quando uma tristeza tomar seu coração
não se desanime e cante uma canção e lembre...
que Lá em cima você tem alguém que te quer muito bem.
Você tem alguém que te quer muito bem.

Quando uma dorzinha danada de doer
vir bem lá no fundo e te fizer sofrer
lembre que Lá em cima você tem alguém
que te quer muito bem.
Você tem alguém que te quer muito bem.

Ponha um sorriso bonito no seu rosto.
deixe que as lágrimas lavem seu desgosto,
e lembre...
que Lá em cima você tem alguém que te quer muito bem.
Você tem alguém que te quer muito bem. 


"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração;
e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." 
Mateus 11:28-30