segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mais uma vida perdeu para a droga da droga!

Oi gente!
Eu queria pedir licença a vocês para tocar num assunto que desde sábado é um dos focos da atenção da mídia em geral: a morte da Amy Winehouse. 


Uma ausência lamentada por todos que gostavam do trabalho dela, porém, diga-se de passagem, algo infelizmente esperado. Quem acompanhou as últimas apresentações dela no Brasil viu claramente o "farrapo humano" que subia aos palcos numa tentativa louca de cantar. Porém, o que se apresentava para o público era uma imagem apenas figurada de alguém que um dia foi uma grande cantora.


Muitos iam aos shows no intuito de ver aquilo mesmo: a decadência de um ser humano. Para terem do que rir, o que comentar e postar nas redes sociais da vida. Afinal, é de rir ver uma jovem talentosa mal se aguentar em pé, não conseguir cantar suas próprias músicas e passar por situações vexatórias por estar completamente embriagada ou drogada. Realmente é muito engraçado...


Entretanto, para quem tem uma visão mais ampliada da vida e que sabe que por trás de todo vício está uma pessoa doente do espírito e do corpo, não havia nenhum motivo para rir das cenas que eram mostradas. Ao contrário, só lamentar. Porque mais uma vida perdia para "a droga da droga".


Lembrando dessas situações, me vem à mente agora o conceito da psicologia sobre o "reflexo no espelho, a projeção". Penso que muitos riam de Amy porque se viam nela, se projetavam naquela imagem. Era uma forma de rirem se si próprios, da sua própria situação que, talvez, não era tão diferente da dela. Mas, como a máscara não nos deixa olhar pra nós, apenas para o outro, é dele que eu vou rir, comentar, denegrir no intuito de fugir de mim mesmo.


Impressionante como diante de tantos exemplos as pessoas continuam se enganando com a ilusão dos alucinógenos diversos como drogas, bebidas, remédios em geral. Não é a primeira e, infelizmente, por muito tempo ainda, não será a última vez que uma jovem de 27 anos com um talento irrefutável e uma vida inteira pela frente será derrotada pelo vício. 


Me espanta ainda mais a "normose" com que a sociedade olha o fato. "É, ela era viciada em droga e álcool". E só. A mídia comentava e continua falando disso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Na verdade, porque não alimentar essa imagem, se cada escândalo ou situação deprimente na qual ela se envolvia era motivo para boas audiências seja nos blogs, revistas e jornais escritos ou televisivos?! É só mais uma "doida". Porque vou me preocupar com isso? Eu quero é notícia.


A notícia da morte de Amy não me causou nenhuma surpresa, muito menos me causará a constatação de que ela morreu de uma overdose, seja lá do que for.


O que me surpreende é a sociedade olhar isso com uma "tranquilidade mórbida", como se ela tivesse morrido de uma causa comum, natural. Como se, de alguma forma, não tivéssemos nada a ver com isso.


Todo viciado, seja ele no que for, é um ser que busca uma "bengala psicológica" para o não enfrentamento de si mesmo, seja dos seus medos, carências, baixa auto estima. E o conceito de vício é mais amplo do que simplesmente a "ingestão de algo danoso ao organismo".


Hammed, no livro As Dores da Alma, diz:
"Precisamos revisar nossas concepções sobre os vícios. Não podemos entendê-los como uma problemática que abrange, exclusivamente, delinquentes e vadios. Em verdade, viciados são todos aqueles que se enfraqueceram diante da vida e se refugiaram na dependência  de pessoas ou substâncias.
(...) Por serem carentes e sofridos entregaram sua força de vontade ao poder dos tóxicos, procurando se esquecer de algo que, talvez, nem mesmo saibam: "eles próprios", pois não aguentaram suportar seu mundo mental em desalinho".


Quantas Amys, Janis, Kurts ou Joãos, Josés, Amálias, Lucianas e Marias ainda serão "tragados" pelos vícios? Quantos ainda vão alimentar a ilusão de que fugindo de si e se refugiando em "alicerces frágeis", tal qual a areia que se esvai com o vento, se transformarão em seres fortes, inteligentes, criativos ou poderosos?


Quantos jovens, adultos, amigos, parentes ou simplesmente seres humanos que passam ao nosso lado, nós veremos morrendo ou se destruindo através das drogas lícitas e ilícitas e ficaremos de braços cruzados, dando risada e incentivando-os a consumirem cada vez mais para mostrarem ser o que não são, nessa ilusão coletiva na qual a nossa sociedade entrou?


A falta de objetivos nobres, de ideais, de perspectivas de vida, a ausência de apoio emocional e psicológico têm levado muitas existências ao fim de forma precoce. O vazio do materialismo tem corroído muitos corações que se sentem perdidos em suas angustias. 


Porque, meus queridos, a vida não se acaba com a matéria. Ela se expande ao espaço infinito mudando apenas a consistência, mas continuando a ser VIDA. E vida, seja ela qual for, vale a pena ser vivida. Ela pode não ser fácil, pode não ser exatamente o que você queria. Mas, certamente, ela é exatamente o que você precisa.


Por isso esta semana faço um apelo à VIDA. 
Está na hora de valorizarmos o que somos e quem somos. Sem bengalas, sem enganações, sem fugas, sem instrumentos ilusórios que só vão nos levar para um caminho: o fundo do poço. Está na hora de vermos o problema do "vício" como um caso de saúde pública. Está na hora de vermos nossos problemas emocionais como algo sério, antes que "os atalhos do caminho aparentemente mais fáceis", nos afastem do nosso verdadeiro "eu".


O auto encontro, o auto enfrentamento geralmente é sofrido. Porém, mais doloroso é perder a vida por algo que podia ser evitado.


Que a morte dessa jovem, que não soube encontrar a felicidade em si mesma, nos sirva de exemplo e reflexão para nossas próprias existências.


E que dediquemos um minuto de prece pelo seu espírito conturbado para que ele encontre um pouco de paz, pois sua luta está apenas começando.
Boa semana pra vocês.
Xanda

"Não podemos escolher como vamos morrer. 
Ou quando. Podemos somente decidir como vamos viver." 
(Joan Baez)

Um comentário:

  1. Parabéns Xanda pela postagem. Você projetou bem o problema da droga em nossas sociedade, e como você disse a luta da nossa irmã está apenas começando,pois a morte do corpo físico não é o fim,a cremação não destruiu o espírito que está com certeza sofrendo terrivelmente o efeito de suas ações.
    Que estas situaçóes vividas por tantas criaturas possam ser refletidas, analisadas detalhadamente, para ser resolvida em cada um.Buscar ajuda para libertar-se do vício é o primeiro passo. Que cada usuário possa ver refletida nessa situação à sua própria.
    Paz
    Bjs.

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