segunda-feira, 23 de abril de 2012

O que será que eu amo quando digo que te amo?


O que é que eu amo em você quando afirmo que te amo?
Essa é uma boa pergunta.

Por que o simples olhar para teu rosto numa foto me aquece o coração?
Por que o simples lembrar do teu olhar e sorriso me comove até as lágrimas?

O que é que eu amo em você quando afirmo que te amo?
Rubem Alves nos diz em uma de suas obras que "amamos no outro aquilo que ele pode nos facultar ser", ou seja, aquilo que eu penso que sou ou serei se estiver ao lado da pessoa que me desperta o desejo. É o processo da projeção, daquilo que imaginamos no outro e que pode ter correspondência em nós mesmos.

Por isso volto a perguntar: o que será que amo quando digo que amo você?
Será que eu amo o sentimento de completude que você me faculta?
Será que amo a sensação de poder que sua presença bonita me traz?
Será que amo a tua humanidade e que eu também gostaria de sentir em mim?

Será que te amo porque me dás prazer em fazer coisas pequenas como uma ida ao supermercado ou o compartilhamento da prepação de uma refeição?
Será que te amo porque me facultas sorrir como uma criança feliz?
Será que te amo pela doçura e simpatia que irradias e que me inspira a buscá-la dentro de mim, já que ainda não a possuo?
Será que te amo porque me vejo em ti, na vontade que tens de ser alguém melhor?

Ou será que te amo porque em ti vejo meus próprios medos?
Porque enxergo em ti a mesma fragilidade que me toma?
Será que te amo porque me vejo nas tuas dificuldades?
Ou porque enxergo em teus olhos a mesma sensação de estar "perdido" que aparecem nos meus?
Ou porque vejo em ti a mesma covardia em lutar pela felicidade que as vezes me assola?
Será que te amo porque vejo em ti o meu próprio reflexo, de alguém que queria apenas ser feliz?

Seja qual for o motivo, sinto apenas que te amo. Com fragilidades, medos, angustias, alegrias, prazer, tesão, admiração. Eu te amo.

Mas, o que será que eu amo realmente quando digo a mim mesma que te amo?!


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