quarta-feira, 16 de maio de 2012

A importância do alvorecer em nossas vidas.

Hoje ao acordar às 4h50 da manhã, como sempre faço desde que voltei a trabalhar em rádio, me levantei e após vestir-me fui para a varanda olhar o alvorecer. Da varanda não tenho o prazer de ver o sol saindo, porém posso contemplar a beleza do clarear do dia.

Hoje, particularmente, uma cena linda me motivou a fotografar o céu. 
O dia nascia e uma lua minguante acompanhava serenamente a chegada do sol. Pequena, mas brilhante. E o céu antes negro começava a se tonalizar de amarelo para depois chegar à sua cor natural o azul.

Foi impossível não correr e pegar a máquina para registrar isso.
Era um momento tão mágico, tão bonito, que tive até medo de falar para não quebrar o seu encanto.
Que coisa linda ver a noite indo embora e o dia chegando, devagarinho, devagarinho, com aquele pontinho de luz lá em cima.

A lua minguante no céu meio que insistia em permanecer ali para poder se encontrar, nem que fosse por alguns minutos com o astro rei. É como se ela quisesse dizer para ele: "Estou aqui para brindar à sua vinda, meu amigo, para te dizer 'sejas bem vindo'. Vem e assume o trabalho de iluminar esse mundo. Posso não ter o teu brilho, amigo sol, mas permaneço determinada a ofertar a minha luz até o último momento, até o apagar das minhas forças, para fazer com que essa noite não seja tão escura".

E mais uma vez me peguei a pensar na simbologia e na similitude do ciclo da natureza com a nossa existência.

Algumas pessoas são como a pequena lua minguante que brilhava na manhã desta quarta. Lutam até o fim, persistem, insistem em seus sonhos, em ideias em benefício do próximo, de uma comunidade, de uma sociedade nos momentos mais escuros, mais difíceis, para tentar fazer as coisas acontecerem, mudarem. E esperam contentes a chegada do alvorecer de um novo dia, quando as coisas começam a se materializar, as mudanças a se concretizar. Se alegram e recebem de braços abertos a alvorada que chega esperançosa, na certeza de que dias melhores começam a surgir depois de tanta sombra e dor.

Outras pessoas sentem a noite dentro de si quando estão passando por uma grande dificuldade. Sim, porque há momentos na vida em que o nosso céu interno literalmente "escurece": o medo nos toma, a incerteza nos apavora, o desconhecido nos assusta. Vemos tudo "negro", não encontramos nem uma chama de um fósforo para diminuir o nosso desespero, a nossa sensação de pânico, diante de algo que nem sabemos o que é, ou que parece se delinear pela frente, mesmo quando não temos a certeza de que ele vai ocorrer. 

Mas, de repente, a gente não sabe de onde, nem como, começa a surgir dentro de nós uma luz. Pequena, leve, algo inicialmente imperceptível mas que devagarinho começa a nos tirar aquele pânico e pavor. Que vai nos fazendo abrir os olhos e perceber que a noite não está mais tão densa, tão escura. Não. Tem uma luzinha surgindo, brotando, clareando o caminho antes tenebroso e que vai nos trazendo uma sensação diferente, de alívio. E quando ela se consolida dentro da gente ai é só abrir os braços e esperar a alvorada do novo dia chegar para darmos às boas vindas ao sol.

Essa luzinha, similar a da pequena lua minguante que tava no céu de hoje, é a esperança. E quando ela se instala muda tudo. Renova energias, resgata a alegria, fortalece a determinação de seguir em frente, nos mostra novos caminhos, ilumina nossas consciências.

Meio como a imagem da luz dessa manhã. 

Só sabe o valor de uma aurora quem já viveu a escuridão de uma noite interminável.

Por isso, momentos da natureza como o de hoje são dignos da nossa contemplação, admiração e alegria, pois demonstram que não estamos sós. Há algo ou alguém que colore o céu, criou a lua e ainda aquece a vida com os raios do sol só para nos encher de esperança e fé em dias melhores.

Ainda bem que alguém teve essas brilhantes ideias.  ;)




Um comentário:

  1. Eu vivi exatamente isso hoje Alexandra, renovei a luz que tava apagadinha dentro de mim, com o novo nascer do dia. Obrigada pela linda reflexão. Beijos.

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