sábado, 4 de agosto de 2012

Homenageando a lua cheia ...

É noite e eu estou aqui a olhá-la.
Hoje ela nasceu no horizonte de forma encantadora, amarela, iluminando a noite do meu agreste.

Quedei-me na janela do quarto, com todas as luzes apagadas apenas para poder vê-la surgindo de forma que nada empanasse sua beleza. E  fiquei pensando: quantas vezes já te olhei dessa forma, amiga querida? Quantas vezes me alegrei ao ver-te surgir clara, brilhosa, alaranjada, desbravando as nuvens e a negritude da noite? Quantas vezes ao contemplar-te não sorri como uma criança unicamente pelo prazer de ver-te?

Há quantas vidas acompanho-te com carinho e devoção esperando teu esplendor máximo para poder louvar ao Criador? Acho que a inúmeras. 

Mas hoje olhando-te ao sabor do vento frio desta noite de agosto peguei-me a pensar em quantas pessoas já sorriram contigo ou choraram sob teus raios luminosos. Quantas longas noites escuras clareastes acabando assim com os medos e receios? Quantos corações esperançosos já fizeram juras de amor sob teu esplendor tornando esses momentos eternizados aos teus olhos? Quantos choros já presenciastes, amiga querida, nessa tua trajetória pelos céus desse mundo desejando secar aquelas lágrimas dizendo: olha, eu estou aqui. Se a noite se curva ao meu clarão e deixa de ser apenas noite, porque a tua vida ou dor não vai passar?! Confia que as sombras do teu dia serão iluminadas pela luz de um novo raiar de sol a aquecer-te o coração de fé e alegrias.

Pois é, amiga.
Muito já vistes, muito já ouvistes, muito já andastes.
Sabes que não tenho sabedoria para ser poetisa, querida Lua. 
Apenas rabiscos linhas e transformo-as em textos onde tento expressar meus pensamentos.

Mas hoje gostaria de ter a sabedoria do poeta para em verso e prosa poder cantar-te e assim enaltecer a beleza da tua presença na minha vida.

Lua amiga que brilha no céu.
Lua que clareia o meu caminhar.
Afasta a escuridão da minha vida.
E faz ela voltar a brilhar.

Não te peço o brilho efêmero do mundo,
não te rogo a ilusão do triunfo,
apenas te peço a alegria do ser e existir
apenas te rogo que voltes sempre para me fazer sorrir.

Guia meus passos pelas sendas da minha decisão
dirige-me para o encontro daquilo que busco com sofreguidão.
Auxilia-me a decifrar esse caminho a seguir
Fica comigo que com tua presença nunca pensarei em desistir.

Um beijo amiga Lua
Me despeço por hoje do teu encanto
Feliz e satisfeita por contemplar-te de minha janela,
torcendo por rever-te em breve e muito, muito mais bela.

Um comentário:



  1. Eu tenho pena da Lua!
    Tanta pena, coitadinha,
    Quando tão branca, na rua
    A vejo chorar sozinha!...

    As rosas nas alamedas,
    E os lilases cor da neve
    Confidenciam de leve
    E lembram arfar de sedas


    Só a triste, coitadinha...
    Tão triste na minha rua
    Lá anda a chorar sozinha ...

    Eu chego então à janela:
    E fico a olhar para a lua...
    E fico a chorar com ela! ...

    Florbela Espanca

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