domingo, 16 de setembro de 2012

A pior aridez é a do solo do coração!!


Há alguns dias que desejo escrever e apesar da ideia estar aqui em minha cabeça, não consigo materializá-la. Esse negócio de escrita é assim mesmo: se não pegar a inspiração na hora que ela chega, "tchau pro louro!!"
Tive uma vontade danada de escrever quando andava pelas paisagens da zona rural daqui de Caruaru, onde me encontro a trabalho. Contemplava eu a vegetação ressecada devido à ausência de chuvas e pensava mais uma vez na correlação da imagem que eu via com a vida que levamos.
De uma forma metafórica eu lincava a beleza daquela cena, mesmo aparentemente árida, com aquilo que nós mesmos somos.
Interessante como realmente fazemos parte do meio ambiente e não nos apercebemos.
Em a natureza a vegetação responde aos estímulos do tempo. Quando as plantas recebem água na dosagem certa, adubo e, porque não dizer, também trato e carinho elas ficam verdes, viçosas, robustas, frondosas. Tudo é cor, tudo é luz, tudo é vida.
Porém, quando à paisagem são negados os alimentos básicos ela resseca, o solo fica árido, as folhas amarelam e caem, os galhos ficam secos.  Tudo parece estar sem vida pra onde olhamos.
Mas tudo muda novamente quando volta a chuva, o adubo e ai o verde que parecia ter desaparecido para sempre retorna mais lindo ainda.
Quem anda por regiões de agreste, semi-árido ou árido sabe bem do que falo. Nos períodos de seca tudo fica amarelado, seco, mas basta dona chuva dar o "ar de sua graça" e o verde volta lindo, colorindo as regiões.
Pois é. Nossa vida é similar à esse movimento da natureza.
Temos períodos da vida em que estamos venturosos, felizes, belos, cheios de energia e confiança, dispostos a vencer o mundo. Para a maioria de nós, para que possamos nos sentir dessa maneira, tudo na nossa vida tem que estar "do jeito que a gente quer", ou seja, perfeito na nossa concepção. É quando nos sentimos felizes por estarmos com saúde, bem como nossos familiares; amando e sendo amado; com o emprego que queríamos, enfim, tudo em nossa vida parece estar em "céu de brigadeiro".
Porém, há períodos de estiagem, de seca. Há momentos em que as coisas não são nem estão como gostaríamos que elas fossem ou estivessem. As vezes estamos sós, a pessoa a quem devotamos afeto não nos correspondeu; perdemos a pseudo segurança do emprego, da estabilidade financeira; alguém a quem muito amamos adoeceu e nossos dias são doridos. Tudo isso vem e abala o nosso emocional fazendo com que percamos o viço, fiquemos doentes por dentro e por fora. Por mais que rezemos e tentemos não cai uma gota de chuva em nossa vida. Nem uma pequena garoa parece chegar para diminuir a aridez que tomou conta de nós.
Quando essas fases nos chegam somos como a paisagem ressecada do agreste: ficamos secos por dentro, não conseguimos ver cor em nada, não conseguimos dar bons frutos, muito menos flores. O solo do nosso coração fica duro, nada penetra nele. Ficamos cheios de espinhos que saem ferindo a tudo e todos ao nosso redor.

O mais impressionante é que nesses períodos não enxergamos nada que possa nos tirar "da nossa aridez". Só vemos ausências, dores, cinzas, o mundo nos parece algo cansativo, o fardo de viver nos parece pesado por demais.

Daí, de alguma forma, não se sabe de onde, o tempo começa a mudar. Algumas nuvens, poucas no início, começam a aparecer e vão se juntando devagarinho. Do mandacaru, antes apenas espinhos, começam a brotar flores e todo bom nordestino sabe que "mandacaru quando fulôra na seca é um sinal que a chuva chega no sertão"!!  E, de repente, quando a gente menos espera lá está ela!!! A chuva voltou e começou a molhar o nosso solo interno de novo. Ou seja, de repente, começamos a enxergar uma luz no fim do túnel e as coisas voltam a se iluminar novamente. E o terreno antes "impenetrável" passa a apresentar rachaduras e a se deixar "aguar" mansamente pela água abençoada da esperança!!!

E toda chuva traz cheiro de terra molhada. Ah, como gosto desse cheiro!! E, passada a chuva, ficamos à espera do raiar do dia, da chegada do sol. Devagarinho vamos deixando ele entrar de novo no coração, aquecendo a alma, arejando os ambientes antes sombrios e gélidos. Voltamos a ver outras cores além do cinza e quando menos percebemos estamos novamente viçosos e cheios de vida. Cheios de esperança, vontade de viver, coragem de lutar.

Viver é um eterno ciclo onde precisamos aprender, assim como o agricultor sábio, a conviver com os diversos períodos que o compõe. Quem planta sabe que na época da estiagem é preciso fazer reserva de tudo, cuidar do solo para que ele não se danifique demais com a falta de água. E também estar atento para que, quando a chuva chegar, ele esteja com tudo pronto para correr, arar novamente a terra, lançar a semente, adubá-la e deixá-la brotar para no tempo certo nascer os frutos.

Por isso, se você anda passando por um período de "estiagem em sua vida", seja em que área for, aproveite esse momento para se conhecer melhor, saber o que ele quer lhe dizer e se preparar para que, quando os ventos voltarem a soprar novamente a favor, você esteja pronto para abrir as asas e deixar que eles lhe levem para onde for seu destino.

A pior aridez que um ser humano pode sentir no coração é a ausência do sentido de viver.
Pense nisso!!

Um maravilhoso início de semana para você com abundância de amor e prazer de viver.
Xanda


TOCANDO EM FRENTE
(Almir Sater)

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais


Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei


Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs


É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir


Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente


Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou


Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs


É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir


Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora


Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz



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