quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Versos de uma noite ...

Chego em casa e já é noite.
Ela não me assusta.
Envolvida pelo ébano me sinto mais calma, quase feliz
deixo-me por ele tocar, sem nada temer.

Para muitos a noite traz medo.
Não tenho medo da noite.
Antes identifico-me com ela
com seu silencio, mistérios e algo mais além.

Porque é no silencio e na penumbra em que mergulho
que busco te ver em mim
busco identificar quem sou,
busco integrar-me ao nada.

A ausência de luz visual me faz navegar em mim mesma
procuro-te nos recônditos de minh'alma.
Qualquer claridade me é agressiva nesse momento
pois é no breu que insinua-se em meu olhar que te enxergo.

Busco-te ao mesmo tempo em que me busco.
Amo-te ou não?
Habitas em mim como uma velha mágoa mal resolvida,
ou como a semente que pode transformar-se num botão em flor?

É no ébano do ambiente
que me vejo e te vejo
que me sinto e te sinto
que me encontro e te encontro.

Mergulhando na minha própria dor
destrinchando a minha própria vida
percebo que ali habitas permanentemente
ali marcas presença como dono de minh'alma.

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