sábado, 26 de abril de 2014

No outono dos dias ...

E contemplo o findar do dia nessa bela tarde de outono.
O sol se despede de mim. 
O céu torna-se mais azul. 
A noite chega serena.

O mundo cobre-se de pequenas sombras.
Elas não me assustam, pelo contrário.
Elas me falam de calma, de silêncio, de asserenamento.
Elas me trazem paz.

O outono tem suas peculiaridades.
Nos traz a simbologia do acalmar, de diminuir o ritmo, a ansiedade.
Outono é época de começar a se recolher.
De se preparar para invernar.

E para se preparar para o inverno é preciso perder.
As vezes perder ilusões, medos, sonhos. 
É preciso separar o real do irreal.
Para nos momentos de recolhimento invernal gestar o renascer.

Mas só renasce, quem morre.
E morrer por vezes é dolorido.
Mas como nos mostra a sabedoria da natureza.
É perdendo, morrendo e renascendo que volta o nosso colorido. 


Nesse momento busco soltar folhas já mortas e gastas pelo tempo.
Folhas que, antes viçosas, secaram com o passar das estações.
Sinto-me nua, sem muradas de proteção, vejo-me exposta.
Sentimento estranho e dorido, sim. Mas que me traz paz.

E é com essa paz que pretendo invernar.
Mergulhar no período do frio, dos ventos, da chuva.
Pretendo deixar-me lavar por eles, permiti-los varrer-me.
Para que na próxima primavera eu floresça em mim.

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