terça-feira, 16 de setembro de 2014

Só descobre a caverna mágica, quem tem a coragem de empreender a viagem...

Há um lugar pouco explorado pelo homem.
Aparentemente é um terreno inóspito, de difícil acesso.
Muitos chegam a afirmar, inclusive, que lá se encontram seres monstruosos, dantescos, aterradores.
E por isso justificam não ter a coragem de lá aportar.

É, o local parece que realmente é difícil de encontrar e meio assustador, mas isso se deve ao fato de que os primeiros desbravadores desistiram nas primeiras investidas da caminhada e jogaram "os mapas", inicialmente formulados no lixo. Optaram por ficar apenas na periferia dessa área, no caminho mais simples e mais fácil.

A questão é que esse local é muito importante.
Lá estão guardadas informações maravilhosas sobre a vida, sobre o ser. É uma fonte inesgotável de experiências, de riquezas, de belezas mil. É lá que existe a fonte da vida e da saúde, da beleza e da riqueza no sentido das coisas do espírito, e não, materiais.

Só que o caminho para se chegar a esse local mágico é cheio de curvas, despenhadeiros, matos. Isso porque, á medida que o tempo foi passando, os homens terminaram por abandoná-lo devido a complexidade que era ali chegar. Outros, que até pensaram em se aventurar, fizeram construções completamente equivocadas, alterando o caminho, dificultando o percusso. É por isso que hoje ele possui um corredor tão escuro e assustador, o que faz com que muita gente ache melhor não insistir. 

Nessa caminhada até esse paraíso às vezes nos defrontamos com seres assustadores, aparentemente violentos, odiosos, perniciosos, que nada mais são do que o nosso próprio reflexo nas paredes da caverna. São os "monstros" que nós mesmos construímos ao longo do caminho e que, quando os deparamos, nos assustam. Por não querermos olhá-los, muitas vezes "damos ré" e saímos da caverna.

Uma outra coisa complicada é que para chegar nesse local a pessoa só pode ir sozinha. Não há como duas pessoas andarem pelo mesmo caminho. A viagem é solitária, individual. Mesmo que alguém até auxilie de longe, só o ser que adentra a caverna pode chegar ao fim da viagem. Por isso é preciso muita coragem.

Mas, para aqueles que resolvem enfrentar os "perigos da caminhada" a recompensa é gratificante.

No começo difícil, o andar vai se tornando aos poucos mais fácil. A caverna, antes completamente escura, começa a ganhar alguma claridade, vai se iluminando a medida que os passos avançam. Os fantasmas que apareciam projetados na parede da rocha vão diminuindo, perdendo força, porque por começarem a ser identificados um a um, deixam de assustar. Eles passam a ser nossos companheiros de jornada.

A partir daí jornadear sozinho pela caverna a dentro deixa de ser algo que preocupa, para se tornar prazeroso, desafiante, confortador. A cada passo um novo sentimento nos surge, a medida que vamos observando no clarear do caminho a extinção das sombras que antes habitavam ali. Aos poucos um sentimento de fé e confiança profunda começa a tomar conta do nosso ser. Algo que vem de dentro, como se nos deixássemos "contaminar" pela energia que vem da caverna.

Até que finalmente, um dia, chegamos ao local que procurávamos!
Uma paz imensa nos toma ao olharmos ao redor, no fundo da caverna, e descobrir que o poço não era tão fundo. Que eram os nossos medos e dificuldades projetados que dificultavam a conquista. Que lá, ao invés do vale sombrio, existe um ambiente de luz, colorido, repleto de vida, e vida em abundância: com córregos de águas translúcidas, canteiros floridos, escarpas verdejantes, árvores frondosas, cores encantadoras, dóceis animais.

Eles sempre estiveram ali esperando por nós. Mas foram os nossos medos e escolhas por caminhos "mais fáceis", que sempre nos afastaram desse pequeno pedaço do paraíso na terra. Um local onde finalmente podemos encontrar paz, serenidade, alegria e agradecimento por estar vivo, uma sensação de pertencimento como nunca sentida.

O nome desse local maravilhoso e mágico?
EU. 

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