sexta-feira, 10 de outubro de 2014

As vezes é preciso pedir perdão por não ter sabido amar.


"Eu que chamava de amor a minha esperança de amor.
Clarice Lispector

Cada vez mais me surpreendo com as descobertas que faço ao longo da vida, no que se refere à maneira dos seres se relacionarem uns com os outros.

Como perdemos tempo precioso na convivência por alimentarmos sentimentos errados, baseados em crenças equivocadas sobre nós mesmos e o mundo que nos cerca.


Tanto tempo é perdido com orgulhos, medos, melindres, mágoas. Tudo isso baseado na ausência do auto-amor, por não nos conhecermos, por não nos perdoarmos.

Projetamos no outro o que nos vai no íntimo. E quando o outro não atende nossa ânsia de completude, posse, apego, alimentamo-nos da mágoa e nos afastamos construindo barreiras as vezes intransponíveis.

Na grande maioria dos relacionamento a dois, o que levamos para eles é o nosso ego doente, não o nosso Eu divino. O nosso ego quer ser amado, satisfeito, atendido. É exigente, egoísta, só pensa em si. É apegado, possessivo, controlador. Faz-se de vítima para dominar o outro. E quanto esse outro não satisfaz aos gritos egoicos do nosso ser, nos tornamos cobradores implacáveis.

No relacionamento regido pelo Eu divino, ao contrário, há o compartilhar. Os seres sabem de seus valores pessoais e se bastam, mas possuem o prazer de estar com um outro que lhes seja especial, que lhe possibilite a troca que enriquece. É um dar e receber sem exigências. É um buscar fazer o outro feliz, a partir também de sua própria felicidade. Há aqui a aceitação do que se é e da realidade do outro. As mudanças pessoais são feitas não por imposição, mas pelo desejo de ser uma pessoa melhor pra si e para o outro a cada dia. Aqui nos tornamos parceiros do Universo, através da parceria com o outro.

A ausência de auto-amor nos impede de amar ao outro como se deve. E ai pautamos nossos relacionamentos no orgulho tão danoso à convivência, quando ele sai do patamar necessário da auto-estima. Quanto tempo perdemos idealizando pessoas e situações, quando podíamos apenas viver e vivê-las, ser feliz e fazê-las felizes.

A tomada de consciência dessas coisas nos leva a uma necessidade de pedir perdão. Mas, o perdão essencial a ser dado é de nós para conosco mesmo. Pela nossa incapacidade ainda de amar com desapego, com maturidade, com a beleza que dele emana.

Mesmo assim, as vezes nos sentimos na necessidade de pedir perdão ao outro e ao universo. Que ambos nos perdoem a imaturidade do que achávamos que era amar.

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