segunda-feira, 27 de abril de 2015

Quem disse que Super-herói também não tem seus medos?


Olá pessoal!!
Não estranhem o título da postagem de hoje. 
É que ainda estou na empolgação do filme Os Vingadores 2 - A Era de Ultron, ao qual assisti no último sábado (25) com uma amiga. O filme foi tão legal que fiquei na vontade de fazer um texto sobre ele.

Mas não é da ação que eu gostaria de falar. Afinal, filme de super heróis tem que ter, e muita, ação né?! O que eu quero focar nesse texto de hoje é no lado humano do filme que passa desapercebido a muita gente. 

Já faz um bom tempo que não consigo ver um simples desenho animado sem tirar a tal da "moral da história", ou indo um pouco mais além, observar o contexto psicológico dos personagens: as nuances emocionais, comportamentais, essas coisas. E no Vingadores 2 o que não falta é esse contexto a ser olhado e analisado. Isto porque, o filme foca em três questões centrais pelo que percebi: a arrogância do saber, o medo e a força da união.

Entre os novos personagens que aparecem na película está a Feiticeira Escarlate, interpretada pela Elizabeth Olsen. Entre um de seus dons está a capacidade de invadir a mente da pessoa e criar alucinações, além de fazer emergir o que a pessoa tem de mais pavoroso no seu inconsciente, ou seja, os seus medos mais íntimos. E ela utiliza essa capacidade para "derrubar," em uma das batalhas, boa parte dos Vingadores. Da sua astúcia só escapou o Gavião Arqueiro, interpretado pelo Jeremy Renner, por ter sido vítima de ação similar e ter aprendido a se defender, no primeiro filme da série

O resultado então é surpreendente. 
Mesmo com toda aquela "pinta de heróis" de "durões" e "invencíveis", os personagens se veem obrigados a confrontar os seus inconscientes, onde acreditavam estar escondidos e enterrados os seus mais temíveis demônios, e a enfrentá-los. E diante de "seus monstros interiores" eles se fragilizam, se enfraquecem, se desestruturam. Cada um com um medo específico, por situações diversas, mas com o mesmo resultado: a paralisação e capitulação diante deles. Acostumados a olhar pra fora, lutar contra vilões materiais terríveis, eles ficam amedrontados ao se depararem com aquilo que mais temiam, os traumas não superados, os sentimentos de culpa não aliviados. 

E cada um vai reagir de uma maneira para superar o impacto dessas reminiscências. Há os que encaram de frente e falam dos medos que os rondam, compartilham; há os que vão em busca de aprofundar as respostas para superá-los; mas também existem aqueles que preferem continuar se entregando ao condicionamento mental do não merecimento, do coitadinho, e voltam a se esconder nos seus medos para não dar a volta por cima na sua existência, e terminam fugindo daquilo que poderia ser o remédio para sua superação.

A forma como eles encontram, em âmbito geral, para superar aquele ataque da Feiticeira Escarlate é unindo-se, fortalecendo o grupo na amizade e na confiança, para poderem lutar contra o tal do Ultron. Todos poderiam morrer ou não. Mas, eles perceberam que não seria "separados" que eles teriam alguma chance de vencer aquela batalha. E ai a gente começa a ter uma das sequências mais bacanas do filme que, lógico, não vou contar!!!

Mas quero ressaltar que toda a história se desenrola inicialmente pelo medo de um dos componentes que, ao ser alvo da ilusão da Feiticeira, vê um futuro aterrador. Na arrogância de achar que ele "podia mudar o destino sozinho", ele não conta pra ninguém sobre o que viu, cala o seu medo, e começa a agir por conta própria achando que a sua decisão é a melhor pra garantir a segurança de todos. Doce ilusão! Pois, foi justamente sua conduta centralizadora que desencadeou os problemas e terminou colocando todo mundo em risco. 

Aqui fica a lição de que a auto suficiência de nos vermos muito confiantes no nosso saber, achando que apenas nós temos sabedoria para encontrar a grande solução para tudo, que podemos resolver as coisas sozinhos, muitas vezes é mais danoso do que falar abertamente do que nos vai no íntimo e nos unir ao outro. Poderíamos evitar muitos dissabores se tivéssemos a humildade de pedir ajuda, de assumir nossos medos e fraquezas perante o outro, e de assumirmos que não sabemos de todas as respostas.

Assumir nossa fraqueza é a melhor forma de nos tornamos fortes para os embates da vida. Orgulho e vaidade, nessas horas, são os piores conselheiros. 

Portanto, se você ainda não foi assistir aos Vingadores 2 - A Era de Ultron, vá.
Vai valer a pena. Quem sabe você não se inspira e também vence os seus medos?!!

Bjs e boa semana.

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