segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Já nasci, portanto BOM DIA!

Olá bom dia.
Já nasci.

Vim a esse mundo para uma nova existência às 4h36 da manhã, de um 31 de agosto de 1971. E não pense que nasci berrando como todo mundo, no choro. Não. Nasci calada e tive que levar umas palmadas para confirmar que eu chegava viva a esse mundo de meu Deus.

E hoje aqui estou, 44 anos depois, despertando cedo para celebrar esse nascimento. 
Da janela aqui da sala de casa vejo o céu se aclarando aos poucos com o nascer do sol.
Sim, é vida que recomeça, mais um dia que chega, hoje é dia de celebrar.

Nesta segunda-feira meu sentimento é de gratidão.
Gratidão à Deus por mais um ano de vida, e que ano!
Fecho mais um ciclo de 365 dias onde muitos aprendizados e descobertas ocorreram.
Começo outro ciclo com 365 dias cheinhos de possibilidades novas, de descobertas a acontecer.

E hoje acordei com o texto do Eclesiastes 3, 1-8 na cabeça: 

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; 
tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; 
tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; 
tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; 
tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; 
tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; 
tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; 
tempo de guerra, e tempo de paz.

Adoro essa passagem bíblica.
E hoje ela é perfeita pra expressar o que desejo nesse dia de aniversário.

A vida é feita de ciclos.
E os ciclos acontecem a partir das construções que nós mesmos fazemos na vida.

Alguns são dolorosos.
Mas não percebemos que foram nossas construções equivocadas que assim o fizeram, e que a dor nada mais é do que o "corretivo" que a vida dá à nossa forma ilusória de ver a si mesmo e ao mundo.

Outros são neutros.
É o momento da calmaria, da necessidade de reconstrução. É tempo de calar a voz externa para aprender a ouvir a interna, para conhecer quem de fato se é, saber o que se deseja da vida. Observar os sinais daquilo que não lhe é mais útil, jogar as velhas bagagens fora, esvaziar gavetas e quartos, limpar o conteúdo. Aqui as coisas precisam ser consolidadas para que quando se volte a caminhar, nosso andar seja mais firme, mais seguro, sem tantas ilusões.

E há aqueles que são os que chamamos de felizes.
Nesses a vida como que, por encanto, se renova. Algo acontece dentro da gente, uma espécie de alegria muda, mas perceptível, passa a tomar conta do nosso íntimo. Aos poucos o medo vai sumindo, as pernas vão ganhando força, o fôlego volta, e você descobre que está vivo sim, que seu coração ainda tem capacidade de amar, fazer e descobrir coisas. É a hora de voltar a viver em plenitude. Aqui descobertas são feitas, decisões são tomadas, caminhos voltam a ser traçados. 

Assim como diz o Eclesiastes: há tempo de nascer e tempo de morrer.

Percebo que o problema é que muitos de nós deseja, as vezes por livre vontade, ficar presos "ad aeternum" num único ciclo. Ou nos prendemos nos ciclos das dores por anos intermináveis (alguns por uma existência inteira), ou nos acomodamos no da calmaria, ou nos iludimos achando que a vida será um eterno mar de rosas, só de alegrias, prazer e conquistas.

Lendo um novo livro que adquiri do Rubem Alves (meu escritor mais do que preferido, um verdadeiro caso de amor), intitulado "Variações sobre o prazer", encontrei um texto que meio que me "despertou" para uma consciência. Reproduzo-o abaixo: 

A vida é assim: a gente escolhe um caminho na esperança de que ele vá nos conduzir a um lugar de alegria. Tolos, pensamos que a alegria está no final do caminho. E caminhamos distraídos, sem prestar atenção. Afinal de contas, caminho é só caminho, passagem, não é o ponto de chegada. Com frequência, a gente não chega lá, porque morre antes. Mas há uns poucos que chegam ao lugar sonhado - só pra descobrir que a alegria não mora lá. Caminharam sem compreender que a alegria não se encontra no final, mas às margens do caminho. Não foi isso que disse Riobaldo? "O real não está na saída nem na chegada; ele se dispõe para a gente é no meio da travessia..."

Ai vi o nosso equívoco.
Esperamos para ser felizes "apenas" quando isso ou aquilo acontecer, quando obtivermos isso ou aquilo, ou quando a sorte nos favorecer. Mas não percebemos que a felicidade é construída nos mínimos detalhes, na verdade, ela é feita de pequenos e breves momentos de encontros, trocas, aprendizados, construções, que nos levam a um objetivo final: aprendermos a viver.

É no caminhar, no percorrer do caminho que está a felicidade.
Sim, há momentos de angustias, medos, aperreios. Mas eles passam.
A alegria estaria justamente no desafio de os superar, de encontrar os meios para sair deles.

Muitos não tentam recomeçar por medo de erra de novo.
Outros fogem do amor por medo de se magoar de novo.
Outros desistem de viver por medo de encarar os desafios do crescimento.

Mas se é justamente nas novas tentativas que estarão as alegrias das descobertas, do recomeço, porque não tentar?!

Sim, a vida é dual em sua essência.
É feita de sombra e luz, assim como nós.

E por isso minha gratidão profunda à Deus pelo dia de hoje.
Por essa vida que, simbolicamente, recomeça com um novo calendário de 365 dias, com tudo que ela traz.

Muito obrigada Pai, por mais um ano de vida.
Que ele seja pleno de novas caminhadas e que eu saiba observar a beleza que existe nas trilhas que seguirei.

E termino essa minha reflexão comemorativa de "niver", feita ao som do Debussy (minha mais nova paixão!), com um lindo texto de Guimarães Rosa que sintetiza o que sinto:

"Ando com fome de coisas sólidas e com ânsia de viver só o essencial. Pessoalmente, penso que chega um momento na vida da gente, em que o único dever é lutar ferozmente por introduzir, no tempo de cada dia, o máximo de "eternidade"..."

Beijo grande à você e uma ótima semana! 

* Imagem de Christian Schole Digital

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