domingo, 21 de janeiro de 2018

Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve...


        
“Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”
“Isso depende bastante de onde você quer chegar”, disse o Gato. 
“O lugar não importa muito…”, disse Alice. 
“Então não importa o caminho que você vai tomar”, disse o Gato. 
(Alice no País das Maravilhas) 

Olhando para o céu no final da tarde deste domingo, 21, e contemplando a lua nova que serenamente passeava pelo céu tranquila e risonha, lembrei-me do Gato da história de Alice no País das Maravilhas. Parecia-me vê-lo naquele sorriso da lua e, imediatamente, lembrei-me do diálogo travado entre ele e a mocinha do conto, na primeira vez que se vira, e que reproduzi na abertura desse texto. 

E fiquei refletindo no quanto de sabedoria existe nos diálogos "aparentemente" inocentes dos desenhos e filmes que assistimos.

Quantos de nós já não estivemos ou nos encontramos numa situação similar a da Alice: perdidos, desorientados, andando por um terreno completamente inóspito e desconhecido, sem saber como sair dele. Buscamos desesperadamente uma saída, um caminho, uma solução. Mas ai vem a constatação: para onde quero ir?

À maioria de nós não foi ensinado a pensar.
Não fomos estimulados a pensar em caminhos, traçar metas, criar roteiros de caminhada. 

Nossa vida seria igual a de todo mundo: crescer, estudar, casar, formar uma família, criar os filhos, casá-los, curtir os netos, morrer. Assim somos criados. E passamos a crer que esse, realmente, é o único caminho a ser seguido, construído. Não paramos para pensar: é isso o que eu quero?

No automatismo da vida seguimos, cumprindo aquele roteiro pré traçado para nós e por nós. Afinal, qualquer caminho serve desde que eu esteja com minhas necessidades básicas atendidas. Até que um belo dia, por algum motivo que desconhecemos, algo acontece. Uma certa insatisfação começa a surgir, uma coisa estranha que passa a incomodar. Nada daquilo que antes parecia certo, correto, tem mais a cara, cor ou cheiro de antes.

O que está acontecendo? Perguntamos a nós mesmos.

E vamos em busca de respostas. Buscamos várias e várias justificativas, desculpas, álibis e, até, culpados. Mas nada disso resolve a questão. 

A questão é: o que eu quero? O que desejo para minha vida?

E é nos momentos mais desafiantes da vida que percebemos que não sabemos como responder a essa pergunta. Agimos como Alice: quero uma saída, onde está ela? E a vida, como o Gato, nos pergunta: De quê? Para onde?

Do que desejamos sair? Para onde desejamos ir? 

Questões tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexas. Sim, complexas, porque as respostas não estão em nenhum baralho, livro ou cartomante. A solução desse impasse está no livro mais difícil de ser lido e compreendido: nosso íntimo.

Devido ao desconhecimento desse princípio básico que rege a vida, achamos que aquilo que procuramos está fora de nós. E enquanto fizermos isso, menos chance teremos de encontrar as soluções e saídas para os labirintos que nós mesmos criamos.

Se você está nesse momento no meio de um impasse, de uma solução aparentemente sem saída, pare tudo o que está fazendo agora! Sente-se, respire, tente acalmar a sua mente. E pergunte-se: para onde quero ir?

A sua resposta, definirá o seu rumo.
Porque, para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve...
Mas, pode não ser um caminho que te faça feliz.

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