sábado, 25 de janeiro de 2014

A difícil engenharia de interligar-nos pelo coração

Oi gente.

Estou há algum tempo meditando na dificuldade que o ser humano possui de se conectar com outro ser, através do coração. Por isso acho que hoje vou falar em pontes novamente.

No mundo tecnológico em que vivemos uma das palavras que mais se houve é conectar.

"Estar conectado" é estar em relação com o mundo através da internet. Entretanto, apesar de só no Brasil existirem cerca de 102 milhões de pessoas "na rede", se fossemos fazer uma análise de como esses mesmos seres estão conectados uns aos outros pelo coração veríamos que esse número sofreria uma queda violenta.

Isto porque, apesar das pessoas ligarem-se pela net, elas não estão ultrapassando os limites do visor do smartphone ou da tela do computador para criar pontes reais de ligação umas com as outras.

Criar pontes é muito diferente de estar conectado. Exige esforço, desprendimento, superação de si mesmo, abandono de medos. Na rede, não. Podemos viver de máscaras, de personagens que são sempre bonitos, felizes, simpáticos, alegres, perfeitos.

Comparo o trabalho de criar uma ponte com outro ser a uma verdadeira obra de engenharia. Algumas estradas pelas quais trafegamos hoje em nossas cidades e estados foram verdadeiros desafios para serem construídas, por aqueles corajosos que chamamos de "desbravadores". Foi necessária muita coragem para abrir as picadas nas florestas e matas, retirando plantas de raízes profundas, troncos grossos, duros, resistentes. Foi necessário perfurar rochas, abrir túneis em montanhas, dinamitar rochedos maiores, retirar todos os entulhos depois. Nessa obras alguns se machucaram, outros chegaram a perder a vida. Terminada essa etapa, a da destruição, era a hora de construir as pontes, os viadutos. Perfurar a terra para poder colocar as bases de concreto, sólidas, resistentes, para que depois a via, o equipamento chamado de "obra artística" pela engenharia pudesse tomar corpo e forma. E assim, estradas foram pavimentadas e pontes foram construídas em rios e canais perigosos, interligando os países, estados, cidades, pessoas.

Construir uma ponte com outro ser humano é semelhante.

Precisamos inicialmente abrir "picadas" em nossos corações retirando as ervas daninhas que estão no caminho dessa construção, tais como orgulho, melindres, mágoas, vaidades, interesses. Em alguns terrenos "mais inóspitos" precisaremos derrubar as ilusões construídas acerca de nós e do outro (ou da forma como vemos o outro). Há também, em alguns casos, a necessidade de implodir barreiras que edificamos por causa do orgulho, como os muros de defesa alicerçados no orgulho. Aliás, orgulho é algo que vai aparecer muitas vezes pelo caminho e ao longo do trabalho, sendo necessário estar sempre atento a ele para derrubá-lo antes que ele comprometa toda sua obra.

E é claro que algumas vezes essa construção vai ser muito dolorida. Há perdas, não de vida, mas de achismos, de conceitos equivocados, há desilusões sobre si mesmo. E como isso dói!!! É ai que é preciso usar a determinação dos desbravadores para começar de fato a limpeza do terreno, com a retirada dos entulhos, a terraplanagem do local. Depois de tudo isso, inicia-se a fase mais importante: a edificação da ponte em si.

Vamos precisar do alicerce da humildade, da base da fé que vai sustentar as vigas da esperança e da confiança. Logo em seguida é hora de fazermos os "tabuleiros" que são a parte de cima da viga onde a pista da ponte vai ser montada. Esse tabuleiro é composto por verdade, companheirismo, compreensão, amizade. Por cima dele começam as ligações para montarmos essa ponte com o outro, passo a passo, viga a viga., as vezes usando o perdão como o principal elo de ligação, vamos aos poucos chegando ao coração da outra pessoa e deixando ela chegar ao nosso, até podermos concretar todo o caminho com afeto verdadeiro, carinho, confiança, doação. compartilhamento. Aqui é um momento importante pois, temos que ter a paciência de esperar o "tempo da maturação do concreto", pois se ele não "curar" como se deve, vamos comprometer toda a obra que pode desabar no primeiro atrito. Ter paciência e carinho com a construção é fundamental para o bom êxito dela.

Sem medo podemos construir pontes com o outro.

Com medo edificamos ilhas, aparentemente paradisíacas por seu isolamento, mas secas e sem vegetação abundante e verdadeira.

Que bom seria se só nos aprimorássemos na engenharia do amor que constrói belas pontes entre pontos inimagináveis. Teríamos, certamente, um mundo e pessoas muito mais "interligadas" e, consecutivamente, mais felizes e saudáveis.

Bom, isso é só um pensamento ...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

E numa noite de verão, a lua gesta a vida.

E a noite hoje veio arrebatadora.
Clara, iluminada, azulada, com um delicioso vento de verão para refrescá-la.

E lá estava você.
Enchendo-se de luz, tal como uma mulher em gestação.

Eis uma das facetas da lua: todo mês ela gesta.
Sim, gesta a vida, gesta a luz, gesta a beleza de uma fase cheia, plena.
A lua é como uma grande mãe.
Depois de plenificar-se, ela esvazia-se por completo e se esvai.
Some aos nossos humanos olhos, mas continua ali, a existir.
Sua gestação dura apenas dias, mas o suficiente para acompanhar as de outras vidas.
De vidas que ela ilumina com seu clarão.
Às quais, as vezes, serve de guia em plena escuridão mostrando as rotas, os caminhos.
A lua gesta a nossa vida.
Na antiguidade os períodos humanos era regidos pelas fases da lua: o de plantar, o de colher, o de agradecer. Belas festas eram realizadas pelas tribos, comunidades e vilarejos.
As fases da lua representavam vida.
E ainda hoje muitas vidas nascem sob o seu influxo, muitos partos são realizados sob a força da lua cheia.

Usando uma linguagem figurada: quantas vidas, quantas histórias, quantos renascimentos estão nesse momento sendo gestados pela lua crescente?!

Quantos seres se preparam para, em breve, renascerem de dentro de si mesmos, num novo parto, onde deixam medos, traumas, amarras, comportamentos impeditivos para poderem voltar a viver, a florescer, a brilhar?!

Quantas gestações, amiga querida, tu acompanhas daí de cima calada, quieta, serena. Com aquela serenidade que só os sábios possuem de que "tudo na vida passa" de que nada, nem de bem, nem de mal, é eterno?!

Enquanto reflito, a lua segue seu curso.
Nessa noite linda e ventilada de verão.
Dizendo ao mundo que, em breve, finda a gestação.
Para um novo renascer, para uma nova plenitude, para um novo viver.