domingo, 23 de fevereiro de 2014

Busque a alegria que mora em você!


E o domingo vai terminando.
Um final de semana que para muita gente significou festa, carnaval, alegria.
Muita gente sorrindo, curtindo, dançando, enfim aproveitando o período.

De fato, não há nada tão fundamental para a vida das pessoas quanto a alegria. Ela é extremamente salutar e auxilia na manutenção da nossa saúde. Gera substâncias benéficas ao nosso organismo, revigora nossas emoções, nossas células. Dá mais leveza à vida.

Mas é desafiante para nós entender que alegria não tem a ver com excessos que usamos para poder "esconder" dores, angústias que nos martirizam o íntimo. Isso é fuga, anestesia, "doping" intencional. Essas formas de alegrias químicas (bebidas, drogas, sexo) são apenas muletas que usamos naquele momento para "aliviar" o que nos vai no íntimo, nos "anestesiar". Porém, passado o porre, o barato ou o tesão o que sobra é apenas a dor.

E não podia ser diferente já que, o que nos vai no íntimo não se resolve com "anestesias", mas com cirurgias necessárias de desobstrução emocional. Por serem doridas, pois em sua maioria não tem como usar analgésico para realizá-las, muitos de nós fugimos e nos escondemos nas atividades rotineiras do dia-a-dia, nas obrigações do trabalho, no "drink para relaxar" que precisa ser ingerido todos os dias para essa finalidade, nas intermináveis carteiras de cigarro, nas baladas e conquistas de final de semana, até nos trabalhos espirituais de domingo a domingo. Tudo isso com um único objetivo: não nos permitir ter tempo para nos sentir e ouvir.

Na nossa sociedade atual todos temos que ser felizes e, claro, demonstrar isso para que todos vejam que nossa vida é perfeita, que somos maravilhosos, belos, talentosos. Mas, por trás de todas as máscaras que envergamos e dos personagens que interpretamos para o mundo, existem seres humanos com dores, culpas, medos, frustrações, desilusões, inseguranças negadas, confinadas aos esconderijos mentais para que não nos causem dor, incômodo.

Adoro uma analogia do Rubem Alves sobre esses nossos "EUs". Ele compara o "interno do Ser" a uma pensão. Nela há o dono (nós em essência) e os seus inquilinos que moram nos diversos quartos (nossos diversos EUs). E pro dono da pensão o bom é que esses moradores fiquem todos nos seus cantos, quietos, reclusos. Há inquilinos ali malvados, alguns egoístas, outros que vivem aprontando besteiras e, outros ainda violentos. Só que de vez em quando um desses moradores resolve sair do quarto e botar a cabeça pra fora, e começa a incomodar ao dono da pensão que não gosta dele, mas que não sabe como se livrar do dito cujo. Pronto, está armada a confusão. O jeito é encontrar uma maneira de trancá-lo de novo. Então vamos dopá-lo, anestesiá-lo, porque assim fica mais fácil escondê-lo novamente no quarto e, também, afastá-lo dos olhos do proprietário da pensão.

É isso o que fazemos com tudo aquilo que vem nos incomodando ao longo dos anos. 
Estamos negando a existência dos sentimentos e emoções e nos tornando refém dos mecanismos que usamos para nos esquecer ou tentar fugir deles. E, sinceramente, ninguém pode ser feliz ou se sentir realmente feliz desse jeito.

Na vida não há como não ter frustrações, que é a reação que temos a algo cujo resultado não foi o que esperávamos. Impossível. Também, pelo nosso nível evolutivo de agora, não estamos isentos de errar, infelizmente. E se formos pensar que ter uma vida feliz é não ter nenhuma dessas duas situações em nossa existência estamos, realmente, construindo uma existência penosa e sofrida. Não é isso que se pede de nós.

"A alegria é aquela certeza interior que a criatura conquista depois de desenvolver algumas habilidades afetivas na escola das provas diárias, insculpindo uma reação consciente e lúcida diante das dores e desafios". *

Quem aprende a se auto perdoar, a gostar de si mesmo com suas imperfeições, descobre a alegria fatalmente porque sabe que pode cair, tropeçar, mas que também tem condições de se levantar e recomeçar. E isso sim é motivo para sentir uma grande alegria porque a vida é cheia de novas oportunidades, de recomeços. 

É com alegria que criamos força para os desafios que fazem parte do nosso roteiro de crescimento, é onde encontramos força para continuar a caminhada sem desistir. É a maneira pela qual passamos a aceitar melhor a realidade que nos cerca, certos de que tudo caminha para o bem daqueles que confiam que sua vida não está entregue nas mãos de qualquer um. 

Quem cria a coragem de se auto olhar, de permitir-se sentir o que lhe vai por dentro, de deixar isso aflorar por mais doloroso que seja, verá que, depois da tormenta, a calmaria chega ao coração. Uma sensação de serenidade, paz, bem estar, que há muito tempo não se sentia começa a tomar conta da pessoa e, fatalmente, isso vai deixá-la alegre e feliz. 

Não mais drogas para fugir. Mas, auto amor e respeito para curtir a si próprio.
Amar-se, amar e ser feliz.

Que nessa semana você possa sentir, nem que seja por breves minutos, a verdadeira alegria e que ela te faça muito feliz. Porque você também merece ser feliz.
Boa semana.

* Citação do livro "Emoções que Curam", de Ermance Dufaux / Wanderley Oliveira

Será o tempo um tormento?

E a vida me fala de tempo.
E a vida me pede tempo.
E a vida me convoca a entender que o tempo
não precisa ser simplesmente um tormento.

Porque o tempo também pode ser meu aliado.
Ele também pode estar do meu lado.
E por mais que eu não o entenda.
Ele me acompanha com paciência.

Só queria que com o viver,
viesse também um manual.
Onde a gente pudesse ler e entender,
porque a vida, as vezes, é tão banal.

Diversos são os caminhos de Deus
e nós não temos a menor ideia deles.
Na grande maioria das vezes não entendemos o que Ele quer.
Mas, certamente, sempre é o melhor.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Apenas sentindo ...


Quietude.  
Assim está o ambiente em que me encontro.
Sentada na sala, à porta da varanda, 
contemplo a noite azulada envolvida pela música.
Pergunto-me: onde estarás?
Por onde andará minha mente, meu coração?
Questiono-me acerca dos caminhos.
Sinto-me nesse momento sozinha, quieta em minha solidão.

No céu as nuvens passeiam sob o impulso da brisa.
O som do mundo ao meu redor aos poucos silencia, se acalma.
O mesmo acontece com minha mente e coração.
Silêncio …
O momento é de silenciar para ouvir.
O momento é de não pensar para sentir.
O momento é feito pra mim.
Há momentos em que o silêncio é o melhor companheiro.

Olho novamente o céu e vejo o clarão da lua.
Ele tem o poder de debelar a escuridão da noite.
Ele torna o que antes era amedrontador em encanto.
A noite me acalma, me acalenta.
Ela me fala de fim. Ela me fala de recomeço.
O clarão da lua invade minha varanda, toca minha pele, 
sensibiliza minha alma e me deixo por ele envolver.
E termino mais um dia.
E concluo mais um viver.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Iluminas ...

É noite e iluminas o céu.
Estás bela.
Num céu azulado iluminas o mar de nuvens.
E com tua bela luz iluminas também o mundo.

Iluminas os olhos.
Iluminas os caminhos.
Iluminas as sombras.
Iluminas o vazio.

Iluminas os corações esperançosos.
Iluminas aqueles sem esperança.
Iluminas o sorriso de uma criança.
Iluminas a vida dos seres.

Iluminas os rios e as florestas.
Iluminas as matas em festa.
Iluminas os marés bravios.
Iluminas caminhos a fio.

E eu apenas te contemplo da varanda.
E me permito sorrir para ti.
E me deixar embalar pela tua beleza,
sentindo-me parte integrante dessa natureza.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Não se auto destrua com a culpa. Recomece!!


Hummmm,
o domingo aqui no Recife e Região Metropolitana foi de chuva. Que benção!!!
Só assim esfriava um pouco a temperatura. 

A chuva veio como um bálsamo para aliviar o calorão. Não que ele vá deixar de existir, até porque estamos no verão, mas pelo menos por algumas horas tivemos a oportunidade de curtir um clima mais ameno. Um pequeno refresco!!!

E agora de noite, voltando pra casa depois do trabalho voluntário que faço aos domingos à tarde, eu vinha pensando numa alegoria. Eu pensava nas milhares de pessoas espalhadas por esse "mundo de meu Deus" e que carregam consigo, permanentemente, um grande sentimento de culpa.

A culpa nasce sempre que tomamos consciência de que fizemos algo de errado, ou como se diz popularmente "pisamos na bola". Esse "cair de ficha" (um ditado de gente mais antiga, tá?!) pode se dar de diversas formas: pela capacidade de autoavaliar imediatamente um ação tomada, pelas consequências que ela teve (as vezes, aparentemente desastrosas) e que não foi a que esperávamos, ou porque alguém nos apontou a nossa falha. 

Seja lá qual for o motivo, descobrir que se cometeu um erro, um equívoco, não é nadica de nada agradável!! É incômodo, dói e, se a pessoa não tiver um mínimo de resiliência (capacidade de se adaptar às adversidades, de aguentar pressão), pimba!! Se instala a tal da culpa.

E culpa é algo muito perigoso.
Porque ela gera uma energia que consome internamente a pessoa. Leva-a, em muitas oportunidades, a baixa auto-estima, à depressão, ao desamor. A pessoa passa a se cobrar em excesso, de forma doentia, fica se auto punindo pelo erro e com isso desencadeia diversos problemas, inclusive de saúde. Tudo isso termina num auto-abandono, em deixar de gostar de si e, a querer fugir da vida nos casos mais graves.

Outra coisa é arrependimento.
Quando a gente se arrepende de algo, de um caminho tomado, de uma escolha feita e deseja reparar, fazer diferente, o arrependimento surge como uma mola impulsionadora de desfazer o mal feito e realizar algo de diferente. Ele nos serve de trampolim para que possamos dar saltos qualitativos na nossa vida mudando o que precisa ser mudado e nos fazendo melhorar como pessoas.

O fato é que nenhum de nós é perfeito. Estamos sim, caminhando para a perfeição relativa, ou seja, aquela que nos é possível enquanto seres humanos e espirituais que somos. E errar faz parte do processo.

É nas tentativas de erros e acertos que vamos crescendo como pessoas, aprendendo o que devemos ou não fazer, o que nos é ou não interessante. É com isso que amadurecemos. Quem não tem o direito de fazer suas escolhas e de aprender com elas, não cresce. 

Mas para que essas experiências nos tragam "crescimento" é preciso que deixemos de querer ser perfeitos, que nos permitamos errar, e o mais importante, que tenhamos a humildade de reconhecer o equívoco. Até porque, só erra quem tenta acertar. É necessário que usemos de mais amor para conosco mesmo, do auto perdão, da auto-indulgência. Só assim vamos reconhecer o erro, aprender com ele e, o mais importante, se permitir recomeçar.

A vida é um constante convite ao recomeço. 
Retomada de caminhos.
Redirecionamento de vida.
Reinício de oportunidades e de histórias.

A Divindade nos estimula sempre à oportunidade de trilhar novos caminhos, com novas atitudes, novos comportamentos, nova consciência do que é viver.
E porque só você não se permite isso?!!

O arrependimento sincero acompanhado do auto perdão é como a chuva que cai durante um dia de verão: ela faz baixar o calor da punição a nós mesmos, para que, mais aliviados, possamos "esfriar a cabeça", usar de mais amor conosco e nos permitir ser feliz de novo, agora em novas bases, novos alicerces.

Pensa nisso, tá?!
Boa semana pra você!

“... Tal é aquele que tendo feito mal sua tarefa, pede para recomeçá-la afim de não perder o benefício do seu trabalho...”   
“... Rendamos graças a Deus que, na sua bondade, concede ao homem a faculdade da reparação e não o condena irrevogavelmente pela primeira falta.” 
(ESE, Capítulo 5, item 8.) 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Vendo a chuva com os olhos de Kayden


"Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele". 
(Lucas, 18:16-17)

Estou desde cedo com essa passagem do Cristo na cabeça. Mais especificamente, depois que tive a curiosidade de abrir o link do vídeo da pequena Kayden, de apenas 15 meses de vida. A pequena oriental simplesmente se delicia, encantada, com a primeira chuva que ela consegue "perceber de fato" em seu pouco tempo de vida. A alegria dela é contagiante, linda, pura. Deslumbrada com a água que cai ela brinca, se deixa molhar, sorrir, grita e mesmo sendo puxada pra dentro de casa insiste em retornar para o que está lhe dando prazer: a chuva.

Eu fiquei tão encantada com ela que, na mesma hora, a passagem bíblica me veio à mente. E me peguei pensando: porque perdemos com o passar do tempo essa alegria de se encantar com as pequenas e simples coisas da vida?

Quantas coisas lindas e gratuitas podem fazer o nosso dia mais feliz?! Uma flor que abre no nosso jardim, o amanhecer, a beleza do céu azul, as nuvens de um dia cinza, o sol que se põe no horizonte num fim de tarde, o anoitecer, as estrelas, a lua, a beleza do mar, um abraço de um amigo querido, o sorriso de alguém que lhe cumprimenta na rua. Tudo isso pode ser um pequeno motivo de alegria na nossa vida.

Muitos não entendem o recado que Jesus deu aos seus apóstolos naquele dia. 
Acham que ser criança é não ter responsabilidades, ser infantil estando adulto, é "viver de birra" com a vida quando ela não quer lhe dar alguma coisa, como criança faz. Mas, o recado não era esse.

Entendo que quando o Mestre diz, "pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a ela" Ele nos convida a resgatar em nós a simplicidade do ser. O prazer de gostar das pequenas coisas, de ser mais otimista e confiante no outro, de acreditar na bondade das pessoas, na capacidade que todos possuímos de mudar, de ser e fazer diferente na vida. 

A criança não escolhe outra criança pra brincar porque ela tem um carrinho bonito ou uma bela boneca. Ela quer um companheiro ou companheira que divida, naquele momento, as travessuras, as diabrites, os sonhos, o sorriso, a alegria de se divertir. Pode ser branca, amarela, negra, não importa a cor. Naquele momento mágico, o outro ou outra é meu amigo e minha amiga. 

A criança se permite rir de forma muito gostosa por qualquer coisa. Há coisa mais deliciosa do que a gargalhada de um bebê?! Do nada, de um simples gesto que você faz, o mundo dela se transforma, ganha cor e brilho, som e volume, numa deliciosa e "banguela" risada. Para a criança um simples pedaço de areia, com um pequeno balde, onde ela possa se lambuzar, rolar, mexer, é o suficiente para ela ganhar o dia. 

Uma outra característica linda da criança é a confiança. Ela confia nos adultos que a cercam, se coloca disponível para o carinho, se joga nos braços de quem gosta.

Mas, com o passar do tempo, ela vai sendo estimulada a perder isso, essa espontaneidade. 

Passa a ser treinada para dar valor a quem tem algo a lhe oferecer em troca. É condicionada a achar que valores materiais, equipamentos, carros, roupas são muito mais importantes do que o convívio com o outro. Vivem esquecidas em suas "gaiolas de luxo", em belos apartamentos montados pelos pais ausentes, vazias de afeto e de amor, e passam a suprir suas carências na revolta, nas drogas, no álcool, no sexo, no isolamento de uma tela do Iphone ou do tablet.

E quando se torna um adulto desconfia de tudo e de todos. Suas amizades e relações são pautadas na máxima "o que ganho com essa amizade?", "o que ele tem pra me dar em troca"? Passamos a dar valor a coisas como luxo, riqueza, ambição. A vaidade do que "achamos que somos" passa a ser a nossa grande companheira e o orgulho nos faz nos supor muito maior do que verdadeiramente somos. Os valores de casta passam a ser mais importantes do que o valor moral das pessoas. 

No campo do afeto nós passamos a construir nossas relações no medo de tocar no outro, de chegar junto, de ser verdadeiro no gostar. Ficamos nos escondendo atrás de máscaras de indiferença, de "gente descolada", de "mulheres independentes", de "homens garanhões" para não reconhecer o que todo mundo precisa: de carinho, amor e afeto verdadeiro. Porque reconhecer isso significa demonstrar a nós mesmos e ao mundo a nossa fragilidade, nossa carência nessa área. E o medo de nos ferir, de demonstrar nossa falibilidade, ah, isso nos amedronta!

E com isso, ao longo do tempo, secamos, vamos perdendo a simplicidade, a alegria que nos faz iguais às crianças. 

A pequena Kayden hoje me fez pensar que nos falta sentir mais com o coração e deixar de raciocinar tanto. Queremos entender o simples com a mente, porém só sentindo é que vamos encontrá-lo.

E já que hoje está chovendo aqui em Olinda, nada melhor do que olhar a chuva com outros olhos, com os olhos de Kayden...


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Uma manhã de chuva ...

E a manhã é de chuva.
Chuva que molha, chuva que lava, chuva que corre.
Parece até que ela advinha meu estado de espírito.
Sim, há o que ser limpo, molhado, lavado, levado.

E me deixo envolver pelo delicioso barulho.
O som da água batendo nos telhados, na terra.
O som do vento levando-a contra a parede.
Sim, ela desaba e me deixa serena.

A chuva tem o poder de acalmar.
Ela tem a capacidade de me envolver e harmonizar por inteira.
Me permito mergulhar no seu som. Me deixo ouvi-la.

E ela fala de choro e partida.
E ela fala de alívio e alegria.
E ela fala de recomeçar um dia.